Entrevistas

Sotiris Anunnaki (SepticFlesh): ‘É um álbum verdadeiro e que veio de nossas almas, estamos muito orgulhosos do resultado’

Stella Mouzi/Divulgação

Um dos álbuns mais aguardados do ano pelos fãs de metal extremo, “Modern Primitive” é o décimo primeiro álbum de estúdio da banda grega de death metal sinfônico SepticFlesh, e traz uma atmosfera pesada de um mundo quase pós-apocalíptico, convidando o ouvindo a se questionar sobre a marca que a humanidade está deixando no mundo.

“Modern Primitive” lançado nesta sexta-feira, 20 de maio, pela Nuclear Blast Records, e quem conversou com o Headbangers News sobre os detalhes do álbum, turnê e composições foi Sotiris Anunnaki V, vocalista, guitarrista e compositor da banda.

“Modern Primitive” está finalmente quase saindo, e é o primeiro álbum com a Nuclear Blast. Então, como foi o processo de gravação deste álbum, quando começou? Conte-me a história por trás.

Bom, começou há mais ou menos dois anos atrás, e foi quando começamos a ouvir sobre a situação do covid e interrompemos as gravações. Começamos a tentar achar soluções, mas as soluções não eram fáceis porque estávamos usando três estúdios diferentes, em três países diferentes. Estávamos gravando as baterias num estúdio na Suécia, a orquestra em um estúdio em Praga e algumas coisas na Grécia também. Então você pode imaginar que estávamos seguindo o protocolo, todas as restrições. Não queríamos comprometer as gravações mas sim fazer as gravações de uma maneira rápida. Então tivemos que esperar, e quando tivemos a chance de fazer as gravações nós fizemos, mas aí tivemos um novo lockdown e paramos de novo. Mas dessa forma, tínhamos mais tempo em nossas mãos pra fazer algumas mudanças nas músicas, ou talvez ter mais algumas ideias. E é por isso que esse álbum é realmente especial, porque é um álbum que tivemos muito tempo para criação, e foram criações em tempos de acontecimentos muito tensos no mundo, e eventualmente isso nos influenciou. É o nosso álbum mais sombrio e emocional!

‘A Desert Throne’ para mim é uma das músicas mais profundas do álbum, fala sobre o legado de destruição que estamos deixando no mundo. Como surgiu a ideia de trazer esse conceito para o álbum?

Bem, essas foram as perguntas que fiz para mim mesmo. Eu tive muito tempo para refletir sobre mim e sobre o mundo em geral, sobre a situação dos meus iguais, e tinham muitas questões a serem respondidas devido aos atuais eventos, e não foram só as mortes, por mais que isso já seja uma tragédia por si só, mas também existe outra tragédia, como os humanos sendo dilacerados de sua própria humanidade, recorrendo a um modo mais primitivo de pensar e agir ao invés de colaborar e de se tornarem uma sociedade mais unificada. Estamos nos tornando mais divididos, a hostilidade também aumentou e a conexão humana está se perdendo. Então isso é uma nova tragédia acontecendo, e claro que teríamos que sofrer as consequências disso.

E o que esse álbum representa para você e para a banda?

Pra nós é um álbum realmente muito importante porque é o décimo primeiro álbum, nós estamos na fase em que nós recriamos o nosso som específico e dedicamos isso para os fãs de todo o mundo, nós temos muita responsabilidade com os nossos fãs. E também é o primeiro álbum em que colaboramos com a Nuclear Blast, uma gravadora gigantesca no meio do metal extremo. E como você pode imaginar ele é um álbum muito importante pra nós, claro que queríamos dar 100% de nós nele, é um álbum verdadeiro e que veio de nossas almas, estamos muito orgulhosos do resultado.

Eu estava lendo sobre o processo de composição que você usa, que você escreve muitas coisas e tem muitas coisas arquivadas, e eu estava realmente interessada em saber qual foi a música mais complexa que você compôs?

Eu não posso citar apenas uma música, porque todas passam por um uma montanha antes de chegarem ao destino final.

Cada uma é diferente, né?

Sim, toda música é diferente e esse tipo de interação muda o tempo todo, então é bem difícil de responder. Somos uma banda muito democrática e todos os membros da banda tem uma opinião forte e também muito apaixonada. E é uma questão de achar a luz dourada que satisfaz todos os membros. E a dificuldade é escolher, porque neste momento nós temos muitas músicas, na verdade, nós criamos dois álbuns em 2021 e muitas das músicas nem foram gravadas. E essa é a situação das músicas pelo menos depois de “Communion”, podemos dizer que as coisas eram mais simples no primeiro período do Septicflesh. Uma das músicas mais difíceis de compor neste álbum em específico foi “Coming Storm”, porque foi a música que nós começamos a compor apenas sinfonicamente desde o primeiro dia, e a orquestra é como se fosse um tornado, e você tem que sincronizar a orquestra com as guitarras e isso foi muito difícil de fazer porque tivemos mudanças no andamento da música e tivemos que testar várias ideias diferentes, e posso dizer que pra essa música específica o Psychon foi o responsável por trazer o equilíbrio perfeito, ele foi o guitarrista de show do Septicflesh por muitos anos e agora ele se tornou um membro oficial da banda e esse foi meio que o batismo de fogo dele (risos). E ele passou pelo “teste”, por ter lutado por algo que funcionou. Porque em músicas assim você tem muitas opções, você pode usar vários tipos diferentes de elementos rítmicos, porque ela é aberta..não tem nenhuma restrição. E depois quando o Psychon nos apresentou o esqueleto da parte do metal, nós tivemos que descobrir onde colocar os vocais, e claro..por consequência também como encaixar as letras. Então essa foi uma música muito difícil, mas no final ela se tornou eu acho que uma das melhores músicas do álbum.

Se você pudesse definir o álbum em uma frase, qual seria?

Bom, o álbum está há um passo mais perto da auto expressão natural, mais ritualístico do que o nosso álbum anterior e também mais pesado e com mais melodias que grudam na sua cabeça. É um álbum com muitas camadas, mas é um dos álbuns do Septicflesh que mais temos identidade musical. Para aqueles que nos seguem há muito tempo..eles sabem o que esperar. E para aqueles que essa será a primeira audição da banda..eles irão descobrir que esse é um mundo sombrio.

A banda já tem 32 anos de história, e parece que está sempre alcançando um novo patamar a cada álbum. O que mantém vocês motivados e sempre ficando mais fortes?

Olha, não sei, mas é um tipo de fogo que tem dentro de nós. Não é algo que segue alguma lógica, porque se seguisse..já teríamos parado há muito tempo atrás (risos). Mas nós seguimos os nossos instintos e impulsos e é algo tão excitante que sempre estamos querendo escrever o próximo capítulo. Sempre que completamos um álbum nós temos muito a ideia de que não estamos completamente desenvolvidos e que sempre temos uma chance para continuar e explorar mais o que começamos num álbum. Uma parte também é uma questão de apoio e suporte, porque demanda recursos pra gravar um álbum exatamente do jeito que queremos. Temos o poder dos nossos fãs, boas gravadoras por trás de nós, e nós estávamos aptos pra continuar.

Quais são os planos da banda para este ano? Você tem uma turnê grande com o Hypocrisy, certo?

Sim, essa será a primeira “perna” da turnê, será o nosso primeiro ataque em território europeu, e neste verão temos também alguns festivais importantes como por exemplo o Hellfest. Nós estaremos bem ativos com os shows ao vivo então vocês podem esperar o Septicflesh por vários cantos do mundo, e claro..América do Norte e do Sul também.

Venha para o Brasil, por favor!

Sim, o Brasil sempre é um lugar que está dentro dos nossos planos. Por agora eu não tenho algo específico pra falar, mas acho que em breve tocaremos por aí, é só questão de achar um lugar e data certa na nossa agenda. Mas para os próximos anos nós entraremos bastante em turnê.

Estamos terminando a entrevista, obrigado pelo seu tempo. Você gostaria de enviar uma mensagem para os fãs daqui do Brasil?

Bom, vocês são foda. Espero que vocês curtam o novo álbum, é algo que tem muito coração e alma, e claro, muito pesado também. Vocês podem esperar algo pesado como sempre. E esperamos ver vocês em breve!

Stella Mouzi/Divulgação