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Memory Remains: Kreator – 24 anos de “Outcast”, longe do Thrash Metal, mas com composições fantásticas

Em 22 de julho de 1997, o Kreator lançava “Outcast”, seu oitavo álbum de estúdio. Ainda distante do Thrash Metal oitentista que o consagrou, a banda buscava se reinventar, como a maioria das bandas do estilo, no que podemos chamar de crise de identidade que quase todas as bandas passaram. É sobre este play que iremos falar no nosso Memory Remains desta quinta-feira.

No nosso aniversariante temos um som bem moderno, sem soar chato, por vezes flertando com o Industrial. Embora estivesse em um período experimental, o Kreator vinha de um álbum mais próximo do Thrash Metal e com músicas mais rápidas, “Cause for Conflict”, lançado em 1995. Mas a banda optou em tirar o pé do acelerador de maneira brusca e o experimentalismo musical alcançaria seu ápice no sucessor, “Endorama”, que é de longe, o trabalho menos brilhante dos alemães. Em uma grossa comparação, “Outcast” é infinitamente superior ao trabalho lançado posteriormente.

Se “Cause for Conflict” seria marcado pela ausência do baterista Ventor, ele estava de volta para gravar “Outcast” Outra mudança realizada no lineup seria a saída do guitarrista Frank Blackfire, que depois ficaria mais conhecido por nós brasileiros, já que se mudaria para cá e montaria o Mystic. Em seu lugar, seria recrutado Tommy Vetterli. E a nova formação se trancaria no “Principal Studios”, na cidade de Münster, Alemanha. A mixagem se deu no “Wisseloord Studios”, na Holanda, Wincent Wojno assinaria mais uma vez a produção

As quatro primeiras músicas são as que se destacam neste play e não é porque as demais sejam ruins e sim pelo fato destas serem músicas fortes e marcantes, ainda que aqui o Thrash Metal que fez a banda angariar sua legião de fãs não seja praticado nem de longe. Vamos lá destrinchar cada uma delas: “Leave This World Behind” traz um Kreator pesado e moderno, além de poderoso em uma faixa muito boa.

Já “Phobia”, em minha opinião, e na do seu criador, Mille Petrozza, é a melhor composição da banda, de acordo com uma entrevista que ele deu para a revista Rock Brigade certa vez. Ela é outra faixa poderosa, com riffs maravilhosos e a forma como Mille canta os versos, repetindo as últimas frases, fazem a música grudar como um chiclete em sua mente, não há como esquecê-la.

Forever”, a faixa três é bem densa e conta com ótimos riffs também e conta com um clima desesperador. Fechando o quadrado mágico, temos ”Black Sunrise” em que Mille Petrozza apresenta um vocal limpo nas estrofes e volta a mostrar o rasgado no refrão, em outra música densa e linda.

Nonconformist” tem um andamento mais rápido do que as demais, não chegando a ser Thrash, mas também se destaca, ainda mais com a pegada do batera Ventor e seu Dumbo duplo. “Enemy Unseen” começa com outros ótimos riffs e se desenvolve de maneira parecida com a faixa que abre o disco, ao menos nas estrofes, sendo um pouco menos brilhante do que as demais.

Carlos Pupo/Headbangers News

A faixa título é arrastadona, podemos dizer que é um flerte intenso com o Doom Metal e ficou muito boa essa tentativa do Kreator. O refrão com clima de desespero é outra coisa maravilhosa deste play. “Stronger Than Before” tem um clima épico e também pode ser incluída nos destaques.

Ruin of Life” é mais voltada ao Hard Rock, tendo o vocal rasgado do Thrash Metal de Mille Petrozza e também não compromete. “Whateaver it May Take” pode até não fazer parte do tal quadrado mágico onde estão as quatro primeiras faixas, mas ela chega bem perto. É uma música com uma energia intensa e também com muito peso,

Alive Again” tem riffs e batidas muito boas, em uma música que se desenvolve em um compasso mais lento que a anterior, ganhando um pouco de velocidade nos momentos finais. “Against the Rest” apresenta bons riffs e traz de volta a sonoridade moderna do Kreator dos anos 90 em uma música apenas mediana. “A Better Tomorrow” tem uma levada interessante e encerra bem um álbum com uma proposta bem diferente, tal como os álbuns que a banda lançou ao longo dos anos 1990.

Em 47 minutos temos uma audição bastante agradável, embora estranha para quem está acostumado com álbuns como “Extreme Aggression” ou “Coma of Souls”, por exemplo. Mas “Outcast” tem o seu valor. No ano de 1998, o álbum foi relançado com um CD bônus, contendo a apresentação que a banda realizou no “Dynamo Open Air” daquele mesmo ano,

Hoje é dia de celebrar este play, ainda que um ou outro fã old-school torça o nariz. “Outcast” é sim um álbum acima da média e o Kreator merece todos os confetes. Nossa esperança é para que essa pandemia termine o quanto antes para que possamos ver a banda em atividade, destilando seu Thrash Metal e sendo mais uma voz na luta contra governantes autoritários e fascistas. Eles realmente entenderam o Rock and Roll e o que é ser contestador. Em breve estaremos todos imunizados e vendo-os em ação, com seus riffs magníficos e chutando os governantes autoritários de direita.

Outcast – Kreator

Data de lançamento – 22/07/1997

Gravadora – Gun Records

 

Faixas:

01 – Leave This World Behind

02 – Phobia

03 – Forever

04 – Black Sunrise

05 – Noncoformist

06 – Enemy Unseen

07 – Outcast

08 – Stronger Than Before

09 – Ruin of Life

10 – Whateaver it May Take

11 – Alive Again

12 – Against the Rest

13 – A Better Tomorrow

 

Formação:

Mille Petrozza – Vocal/ Guitarra

Ventor – Bateria

Christian Giesler – Baixo

Tommy Vetterli – Guitarra

 

Participações especiais:

Guido Eickelmann – Programação

Vincent Song – Programação/ Piano