Há 5 anos, em 29 de janeiro de 2021, em um mundo refém da pandemia de COVID-19, e enfrentando o lockdown, o Accept lançava “Too Mean to Die“, o 16° álbum da extensa discografia da banda alemã, e que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira.
Em 2020, o mundo se viu obrigado a parar. Bandas cancelaram turnês, pessoas precisaram ficar dentro de casa para evitar a contaminação por um vírus desconhecido. E muitos desdenharam do que já não era apenas uma ameaça, e ceifava vidas. As teorias de conspiração dominavam, mas só cai nessa história quem quer, ou melhor, quem não lê, quem não se informa. E no Brasil, tínhamos um presidente que ignorava os protocolos de segurança e deixou mais de 700 mil pessoas morrerem. Felizmente, hoje ele está preso, ainda que não tenha sido julgado pela tentativa de golpe de estado e não pela seu descaso no controle de uma pandemia.
As bandas se viram obrigadas a paralisar as atividades. Algumas fizeram lives, como foi o caso do Sepultura aqui no Brasil. Outras, aproveitaram o tempo livre e foram escrever material para gravar novos discos. Curiosamente, foi durante a pandemia que algumas bandas lançaram os melhores discos de seus respectivos passados recentes. O Accept foi uma das bandas que correu para o estúdio.
O título foi descrito por Wolf Hoffmann como um sinal de resiliência, que todos nós fomos obrigados a ter neste período. O guitarrista do Accept observou a pandemia como uma reviravolta e, os integrantes eram soldados do Metal e deveriam seguir em frente.
A pandemia atrasou, inclusive, o lançamento do álbum por duas semanas, pois uma das fábricas que estavam produzindo as cópias do álbum, acabou fechando em decorrência dos casos de COVID-19 registrados. Wolf Hoffmann soltou um comunicado pedindo desculpas e prometendo que o álbum seria lançado o mais breve possível. Confira abaixo o recado:
“Lamentamos muito e esperamos que todos os fãs do Accept compreendam essa situação tão infeliz e continuem apoiando a banda. Já se passaram mais de três anos desde o último álbum do Accept, então esperamos que vocês possam aguardar mais duas semanas pela nova obra-prima.”
A banda havia sofrido uma baixa. O baixista Peter Baltes havia saído da banda em 2019, então este seria o primeiro álbum sem um de seus membros originais. Em seu lugar, entrou Martin Motnik. E pela primeira vez, a banda apresentava um trio de guitarristas.
O álbum contou com a colaboração da ex-esposa de Wolf Hoffmann, Gaby Hoffmann, que usou o pseudônimo Deaffy. Ela havia sido empresária da banda e já tinha colaborado com letras em álbuns do passado. Sua última colaboração havia sido em 1996, no álbum “Predator“. Aqui ela escreveu seis das onze músicas.
Cada músico gravou suas partes remotamente, conforme o protocolo exigido, e o álbum contou com a produção e mixagem do mago Andy Sneap, o que ajuda a explicar a qualidade do produto final. A arte da capa ficou sob a responsabilidade de Gyula Havancsák e Tim Wezel.
Dando play na bolacha, o Accept nos apresentou um ótimo disco, onde a energia do Power Metal da banda manteve-se presente, ao mesmo tempo que características modernas foram incorporadas, sem que a banda perdesse a sua essência. Temos onze músicas em 54 minutos, e os destaques são muitos: a faixa-título, “The Undertaker“, “Sucks to Be You“, “Symphony of Pain” e “Not my Problem“. O Accept foi mais uma das bandas a mostrar que a pausa de shows na pandemia fez com que os artistas pudessem ter mais tempo e apresentar obras ainda melhores.
O álbum recebeu críticas positivas da imprensa e foi bem recebido também pelos fãs. Se não chega a ser um clássico como “Balls to the Wall” ou “Restless and Wild“, ele tem o seu valor. Nas paradas de sucesso, o play figurou em 2° na Alemanha, em 3° na categoria de Álbuns de Rock e Metal do Reino Unido, 4° na Finlândia e Suíça, 7° na Suécia, 9° na Áustria, 10° na Polônia, 11° na Hungria, 14° na Escócia, 33° na Espanha, 38° na República Tcheca, 39° na Bélgica e 88° na França.
A banda precisou esperar um pouco para voltar à estrada e mostrar as novas músicas aos fãs. A formação se manteve estável até o ano de 2024, quando o guitarrista Uwe Lulis saiu após o lançamento de “Humanoid“, o álbum mais recente da banda. E Philip Shouse segue sendo companheiro de Wolf Hoffmann, mas sem ser membro efetivo do Accept. Este foi o último registro da banda pela Nuclear Blast. Hoje, eles estão sob contrato com a Napalm Records.
Hoje é dia de celebrar mais um aniversário deste belíssimo álbum. Felizmente, o Accept segue em plena atividade, no mês passado, a banda concluiu uma extensa turnê pelos Estados Unidos. Vamos aguardar pelo próximo álbum de estúdio destes alemães. Longa vida ao Accept.

Too Mean to Die – Accept
Data de lançamento – 29/01/2021
Gravadora – Nuclear Blast
Faixas:
01 – Zombie Apocalypse
02 – Too Mean to Die
03 – Overnight Sensation
04 – No Ones Master
05 – The Undertaker
06 – Sucks to Be You
07 – Symphony of Pain
08 – The Best Is Yet to Come
09 – How Do We Sleep
10 – Not My Problem
11 – Samson and Delilah
Formação:
- Wolf Hoffmann – guitarra
- Mark Tornillo – vocal
- Uwe Lulis – guitarra
- Philip Shouse – guitarra
- Martin Motnik – baixo
- Cristopher Williams – bateria
Participação especial:
- Clay Vann – backing vocal