Memory Remains

Memory Remains: Blind Guardian – 34 anos de “Somewhere Far Beyond” e o fim da era Speed Metal

29 de junho de 2026


Há 34 anos, em 29 de junho de 1992, o Blind Guardian lançava “Somewhere Far Beyond“, o disco de número 4 da discografia da banda alemã, e que é tema do nosso Memory Remains desta segunda-feira.

Este play era o último ato da fase mais Speed Metal praticado pelo quarteto alemão, já que a partir do álbum posterior, o não menos sensacional “Imaginations From the Other Side”, marcaria a passagem sonora da banda para um Power/ Prog Metal com músicas não tão rápidas mas extremamente bem trabalhadas.

O título do aniversariante de hoje é inspirado no livro homônimo de Stephen King e a arte da capa é assinada por Andreas Marschall, que fazia o seu segundo trabalho consecutivo com a banda e seguiria trabalhando até o álbum “Nightfall in the Middle-Earth“, de 1998. Sobre a arte da banda, juntamente com as duas faixas “The Bard Song”, renderiam à banda e aos fãs o apelido de “Bards”. Hansi Kursch frequentemente se refere aos fãs por tal alcunha.

Os integrantes do Blind Guardian não consideram “Somewhere Far Beyond” como sendo um disco conceitual e sim um álbum com conceito. A ideia que eles quiseram passar era de que os bardos viajaram no tempo e se reuniram na floresta e compartilhem suas histórias, que no caso são as músicas, O próprio desenho da capa ilustra essa reunião, que em tempos de pandemia do Coronavírus seria criticada. A ideia surgiu através de um jogo de videogame que a dupla de guitarristas André Olbrich e Marcus Siepen jogavam na época ”The Bard’s Tale”.

Assim sendo, a banda recrutou mais uma vez o produtor Kalle Trapp e todos foram para o “Karo Studios”, em Hamburgo, por onde eles ficaram entre os meses de março, abril e maio de 1992 para gravar a bolacha, que contou com vários convidados especiais, os mais famosos são Piet Selck e Kai Hansen, est último, tocou o solo de guitarra em “The Quest for Tanelorn“.

Uma curiosidade sobre a música “The Pipper’s Calling” é que se trata de um trecho de “The 79th’s Farewell to Gibraltar”, composta pelo major pipe John MacDonald, do 79º regimento de infantaria de linha do exército britânico, que era conhecido pelo nome de “79th Regiment of Foot”. São apenas 50 segundos onde podemos ouvir uma gaita de fole regendo a pequena intro.

Dando play em nosso aniversariante, que é composto por dez músicas e tem duração de 43 minutos. Alguns dos grandes clássicos do Blind Guardian foram forjados neste álbum, como “Time What is Time“, “Journey Through the Dark“, “Black Chamber“, “Theatre of Pain“, “The Quest for Tanelorn“, além de “The Bard’s Song – in the Forest“, esta última, obrigatória ao vivo e cantada em uníssono, fazem deste álbum um clássico da banda.

Há uma versão do álbum lançada em 1992, que contém três faixas bônus. Duas são covers: “Spread Your Wings“, do Queen e “Trial by Fire“, do Satan, que foram originalmente lançadas em uma fita demo de 1991 intitulada “Blind Guardian IV“. E também uma versão diferente para a música “Theatre of Pain“.

O álbum obteve boa receptividade entre a imprensa especializada e é facilmente aclamado como o disco preferido dos fãs da banda. Nas paradas musicais, em 1992, “Somewhere Far Beyond” esteve em 15° no Japão e em 65° na Alemanha. Em 2018, o play voltou a figurar nas paradas alemãs, quando ficou em 36°, e em 2024, a versão regravada do play alcançou a 14ª posição na Alemanha, a 21ª na Suiça e a 39ª na Áustria. O álbum caiu no gosto dos fãs do Japão, fazendo com que a banda se tornasse popular na terra do sol nascente. Com isso, a banda realizou a sua primeira turnê fora da Europa e as apresentações no Japão em 1993 renderam o primeiro disco ao vivo dos caras, o maravilhoso “Tokyo Tales”.

Em 2007, o nosso aniversariante foi relançado, ganhando duas faixas bônus: versões demo para as faixas “Ashes to Ashes” e “Time What is Time”. Em 2023, durante a primeira edição do Summer Breeze Brasil, que hoje se chama Bangers Open Air, o Blind Guardian foi uma das headliners do festival, e a banda tocou o homenageado do dia na íntegra. Até o ano passado, a banda fez shows tocando todas as músicas na mesma ordem do disco, o que faz de “Somewhere Far Beyond“, o terceiro álbum com mais músicas tocadas ao vivo, perdendo apenas para “Nightfall in the Middle-Earth” e “Imaginations From the Other Side“.

Entre os meses de fevereiro de 2022 e janeiro de 2023, a atual formação do Blind Guardian regravou o álbum, que ganhou o título de “Somewhere Far Beyond – Revisited“, com a produção assinada por Charlie Bauerfeind. As partes de gaita de fole e os backing vocais originais foram mantidos e reaproveitados. Hansi Kursch, que havia gravado o baixo na versão original, não tocou aqui, afinal, ele já não toca o instrumento há mais de 30 anos. Na regravação, o baixo foi gravado por Johan Van Stratum, e foi lançado pela Nuclear Blast. Também em 2024, o Blind Guardian lançou em CD uma apresentação no Rock Hard Festival de 2022, quando o disco foi tocado na íntegra, e ganhou o título “Somewhere Far Beyond – Live“.

Mas o mais importante é o legado que este álbum deixou e também o fato de que ele envelhece bem. Então é dia de saudar e exaltar este play que envelhece cada vez melhor. Nós desejarmos uma longa vida ao Blind Guardian, banda que permanece em plena atividade, lançando álbuns e fazendo shows, sendo “The God Machine“, de 2022, o último registro de inéditas. Vamos celebrar essa lindeza de disco enquanto aguardamos o novo álbum destes amados alemães.

Somewhere Far Beyond – Blind Guardian

Data de lançamento – 29/06/1992

Gravadora – Virgin

 

Faixas:

01 – Time What is Time

02 – Journey Through the Dark

03 – Black Chamber

04 – Theatre of Pain

05 – The Quest for Tanelorn

06 – Ashes to Ashes

07 – The Bard’s Song – in the Forest

08 – The Bard’s Song – The Hobbit

09 – The Pipper’s Calling

10 – Somewhere Far Beyond

Bônus da versão alternativa:

11 – Spread Your Wings

12 – Trial by Fire

13 – Theatre of Pain (Classic Version)

 

Formação:

  • Hansi Kursch – baixo/ vocal
  • André Olbrich – guitarra/ violão
  • Marcus Siepen – guitarra/ violão
  • Thomen Stauch – bateria

 

Participações especiais:

  • Kai Hansen – guitarra solo em “The Quest for Tanelorn
  • Piet Sielck – efeitos/guitarra
  • Mathias Wiesner – efeitos/ Baixo em “Spread Your Wings
  • Rolf Köhler – backing vocal
  • Billy King – backing vocal
  • Kalle Trapp – backing vocal
  • Stefan Will – piano
  • Peter Rübsam – gaita de fole