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Memory Remains: Cannibal Corpse – 3 décadas de “Butchered at Birth”, um clássico atemporal

Em 30 de junho de 1991, o Cannibal Corpse lançava seu segundo full-lenght. E “Butchered at Birth” se tornaria um marco na carreira da banda, tudo porque eles começavam a transição do Thrash Metal que fora bastante explorado no disco de estreia (N. do R: e com direito a citação ao clássico álbum do Sepultura, “Beneath the Remains“, como influência direta), para o Death Metal brutal e com algum rascunho da tecnicidade que a banda adotaria em suas composições anos mais tarde. Esse clássico é assunto do nosso Memory Remains de hoie.

Este álbum é adorado por uma legião de fãs, sobretudo os mais old-school. E eles tem razão. Aqui nasceram alguns clássicos da banda como “Meat Hook Sodomy“, “Gutted“, “Covered With Sores”, “Vomit the Soul”, algumas destas que ainda são executadas ao vivo nos dias atuais, provando que é um disco que o tempo fez questão de mantê-lo atual e que por isso merece a homenagem que recebe hoje.

Então Chris Barnes, Alex Webster, Paul Mazurkiewicz, Jack Owen e Bob Rusay se juntaram ao produtor Scott Burns, que já havia produzido o debut da banda, e no mesmo “Morrisound Studios” (esse estúdio não é estranho para o leitor, pois alguns dos principais álbuns da música pesada foram gravados lá, e para nós brasileiros, a lembrança que nos vêm à mente é o belíssimo “Arise“, do Sepultura, que nasceu no mesmo lugar, praticamemte na mesma época e com o mesmo produtor), localizado em Tampa, Flórida, e de lá saíram com essa pérola nas mãos.

E em pouco mais de 36 minutos, o que temos aqui é uma banda competente, quebrando tudo com um estilo que se tornaria bem popular e único naquele canto dos Estados Unidos, mais precisamente na região de Tampa: o Death Metal. Então vamos colocar a bolacha para rolar e destrinchar as nove faixas que compõem essa belezura, que fora banida da Alemanha por conta de sua capa, tão bela quanto horripilante, quanto por suas letras, tão belas quanto diálogos no Instituto Médico Legal.

E “Meat Hook Sodomy” já traz a banda migrando do Thrash Metal que foi a tônica de “Eaten Back to Life“, o álbum de estréia, para o Death Metal. A introdução dela é chata, com uns ruídos estridentes e irritantes, mas com paciência, ela se transforma em uma música potente e digna de um belo mosh pit. Eu tenho um carinho por esse som, pois eu a conheci no primeiro play dos caras que escutei, o “Live Cannibalism“. Confesso que de cara eu não curti. Mas aprendi a gostar dela com o tempo

Gutted” é certamente uma das minhas favoritas da carreira da banda, um som que ainda traz as influências do Thrash Metal, pelo menos nas guitarras, porque Paul Mazurkiewicz com seus blast-beat’s já está firme e forte no Death Metal. Essa foi outra música que conheci no álbum ao vivo e diferente da anterior, eu gostei desta música. Ela é rápida, pesada, ríspida e agressiva. Perfeita. “Living Dissection” apesar de bruta, é uma música em que os integrantes da banda mostram que tem técnica para dar e vender, dada a complexidade e mudança de andamento no decorrer da música, ainda que o solo seja “apenas fritacão”, os riffs são excelentes.

Metal Blade Records

Under The Rotten Flesh” traz a banda executando um Death Metal de forma brutal e com as mudanças de andamento que iriam caracterizar as composições do Cannibal Corpse até hoje. Os riffs, embora simples, são sensacionais. E as partes rápidas desafiam o pescoço do ouvinte. Um petardo. Riffs pesados, arrastados, sombrios e sensacionais abrem outra das músicas que conheci no álbum ao vivo dos caras e que me chamaram atenção logo na primeira audição: “Covered With Sores“, que logo vira um Death Metal mais pútrido. E os guturais de Chris Barnes ajuda e muito no clima desta sonzera.

Vomit the Soul” tem a participação de Glen Benton (Deicide) e essa música já mostra uma capacidade gigantesca da banda em suas composições, dadas as várias mudanças em seu andamento, que começa arrastada, depois com a quebradeira do Death Metal, passando para riffs mais cavalgados, voltando à parte mais arrastadona, incluindo aí um solo à velocidade da luz. Perfeita, sob todos os aspectos.

A faixa título tem em Paul Mazurkiewicz o seu regente. É ele quem dita os rumos desta faixa que é muito brutal. Nossa sorte é que Jack Owen e Bob Rusey são competentes à altura e nos brindam com riffs absurdos de sensacionais. E os caras fazem tudo isso em menos de três minutos, a faixa mais curta deste petardo. “Rancid Amputation” é podre, grotesca, agressiva… E o fã de Cannibal Corpse sabe que esses adjetivos nunca irão soar como pejorativos. Excelente som.

Innards Decay” é outra faixa que casa perfeitamente a velocidade brutal com partes mais cadenciadas onde a palhetada aqui faz a total diferença. E os bumbos duplos de Mazurkiewicz também dão o ar da graça por aqui. Outro som indispensável e que fecha com chave de ouro um álbum irrepreensível e que beira a perfeição.

Enquanto fazia a audição deste disco para escrever estas linhas até o caro leitor, eu pensava na produção do disco, que é uma coisa que poderia ser melhor, dada a qualidade alcançada nos discos atuais deste quinteto. Porém, eu acabei concluindo que é perfeitamente compreensível a produção não ser das melhores, pois estávamos no longínquo ano de 1991 e isso era o melhor que as bandas e produtores conseguiriam em termos de qualidade sonora. E no final das contas, acabou sendo melhor assim, pois esse disco é lindo do jeito que é, sem nada a tirar e tampouco nada a acrescentar. E é por isso que estamos aqui a enaltecer os seus 29 anos de lançamento e vamos desejar também uma longa vida ao Cannibal Corpse, os reis do Death Metal e que continuarão seu reinado, a contar pela letalidade de seu mais novo álbum, “Violence Unimagined”, cuja resenha você pode ler AQUI.

Butchered at Birth – Cannibal Corpse

Data de lançamento – 30/06/1991

Gravadora – Metal Blade Records

Faixas:

01 – Meat Hook Sodomy

02 – Gutted

03 – Living Dissection

04 – Under the Rotten Flesh

05 – Covered With Sores

06 – Vomit the Soul

07 – Butchered at Birth

08 – Rancid Amputation

09 – Innards Decay

Formação:

Chris Barnes – Vocal

Jack Owen – Guitarra

Bob Rusey – Guitarra

Alex Webster – Baixo

Paul Mazurkiewicz – Bateria