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Memory Remains: Carcass – 3 décadas de Necroticism – Descanting the Insalobrious e o início da transição da sonoridade

Memory Remains: Carcass – 3 décadas de Necroticism – Descanting the Insalobrious e o início da transição da sonoridade

30 de outubro de 2021


2021 é um ano que comemoramos trinta anos de diversos álbuns e o leitor que nos acompanha aqui no Memory Remains está habituado. E hoje nosso quadro vai celebrar o mais novo trintão do Heavy Metal: “Necroticism – Descanting the Insalobrious“, o terceiro álbum do Carcass.

Esse álbum marca a estreia da formação que seria considerada como clássica do Carcass, tendo o guitarrista Michael Amott. Ele ficaria apenas neste e em “Heartwork“, o grande clássico da banda, que também fez aniversário neste mês de outubro, e caso você tenha perdido, nós falamos dele AQUI. Em “Necroticism“, há o processo evolutivo do som do banda, onde eles transitam do Death Metal Old-School para o que viramos a chamar de Death Metal melódico. Podemos perceber essa transição nesse play.

O álbum anterior, “Symponies of Sickness“, lançado em 1989 é um clássico do Death Metal e admirado ainda hoje pelos fãs de banda, que resolveu em “Necroticism” inovar ainda mais em sua sonoridade. Para isso, a banda se juntou novamente ao produtor Colin Richardson e todos foram para o “Amazon Studios“, em Sinonswood, Reino Unido.

Em relação a sonoridade, tanto Jeff Walker quanto Ken Owen deram declarações discordando do rótulo de Grindcore dado ao play; Owen admite o inegável, há a forte influência do Death Metal e isso é natural, é do instinto da banda desde sempre, porém, ambos preferiram dar ao álbum o rótulo de “Progressivo”. Eles têm relativa razão, pois o álbum já começa a mostrar elementos técnicos e até mesmo melódicos, o que haveria de ser mais definitivo a partir de “Heartwork“, ainda que o leitor pense em discordar deste redator, ao dizer que o belo “Swansong” é um álbum completamente diferente de tudo que o Carcass havia feito, nos brindando com um belo disco de Death ‘n’ Roll. Mas “Necroticism” é um belo passo rumo às canções mais técnicas e intrincadas, misturadas à brutalidade habitual apresentada pela banda. Bem, vamos sem mais delongas, destrinchar sobre cada uma das oito faixas presentes aqui.

Inpropagation” abre o play e já demonstra a mistura dos estilos anteriores e o que se tornaria o Carcass. Temos a parte podre, aliada a elementos mais trabalhados e solos melódicos em mais de sete minutos de canção. A seguir, vem a minha música favorita de sempre da banda: “Corporal Jigsory Quandary“, que começa com a bateria quebrada e fantástica de Ken Owen, além de seus riffs espetaculares e uma pegada mais grooveada, já se distanciando do Splatter lá dos primórdios. Essa foi uma das músicas para as quais a banda fez um videoclipe e você pode conferir no topo dessa matéria.

Symposium of Sickness” é mais trabalhada que as duas anteriores e em sua maior parte é mais arrastada, o que não foi combinado com Ken Owen, que abusou da velocidade em seu bumbo duplo. Há a inclusão de um pequeno trecho bem rápido, além dos solos melódicos e extremamente técnicos que se tornariam a característica do Carcass. A música mais complexa do play, sem sombra de dúvidas.

Pedigree Butchery” conta com uma ótima intro, com um solo igualmente ótimo e é outra que pertence ao rol das clássicas dessa adorada banda, com seu peso e excelentes riffs mais arrastados e trabalhados. Há espaço também para a velocidade, que entra vez por outra, em um pequeno espaço de tempo, mas capazes de provocar um estrago em um moshpit. E assim já chegamos na metade do play.

Incarnated Solvent Abuse” começa veloz e mortal, dando a impressão de que o Carcass voltaria aos primórdios, só que não. A música vai flertando intensamente com o Doom Metal em algumas partes, até que Ken Owen acelera as batidas de seu kit, obrigando aos demais a fazerem o mesmo com seus respectivos instrumentos e assim a música vai alternando rapidez e partes arrastadas, com muita melodia nos Uma das minhas favoritas também.

Carneous Cacoffiny” traz o Carcass optando mais uma vez pelo peso e riffs mais assombrosos durante um bom pedaço da música, mas não se esquecendo dos velhos tempos e quando a velocidade entra aqui, a coisa fica séria e Ken Owen vem quebrando tudo com seus blastbeats. A performance do cara realmente foi um destaque a parte neste disco e o leitor pode perceber que ele recebe atenção especial em quase todas as músicas.

Em seguida temos uma música com um título gigantesco: “Lavaging Expectorate of Lysergide Conposition“, mais outra amostra do que seria “Heartwork“, o sucessor deste disco. Música pesada, riffs cavalares e mais melodia nos solos. A dupla Bill Steer e o estreante Michael Amott vai mostrando um entrosamento que parece tocar juntos há anos. Esse música não tem inclusão de partes rápidas, essa é aquela para você bater cabeça apenas.

Forensic Clinicism/ The Sanguine Article” é bem complexa e repleta de partes diferentes, nos seus mais de 7 minutos de extensão, a maior do play. Temos riffs rápidos, blastbeats, riffs extremamente arrastados e tudo aqui beira a perfeição. Ah, sim, tem solos com melodias sim e Ken Owen coroando sua impecável participação com seu bumbo duplo. A atuação do cara foi realmente sensacional. E assim o álbum se encerra após breves 48 minutos intensos, onde podemos afirmar sem sombra de dúvidas: “Necroticism – Descanting the Insalubruous” se não é o melhor disco de Metal extremo de 1991, é o segundo melhor, empatado com “Human“, do Death.

O álbum foi relançado durante diversas oportunidades e em algumas delas, ganhou três faixas bônus: “Tools of the Trade“, “Pyosified (Still Rotten to the Gore)” e “Hepatic Tissue Fermentation“. A maioria desses relançamentos foi pela Earache Records e o mais recente foi nesse ano, precisamente no primeiro dia de julho, saiu uma edição limitada em vinil de 12 polegadas.

Necroticism” foi muito bem recebido, tendo obtido críticas positivas de veículos como a “Kerrang!“. A Metal Storm, por sua vez, deu nota 9,6 ao álbum e disse que esse é um item que deveria ser obrigatório em qualquer coleção de um metalhead que se preze, seja ele fã de uma sonoridade mais melódica ou extrema. No ano de 2005, o livro “Rock Hard Magazine” classificou o álbum na posição 294 dentre os 500 melhores discos de Rock e Metal de todos os tempos. Em setembro do mesmo ano, a revista estadunidense “Decibel” colocou o álbum em seu Hall of Fame, sendo o oitavo álbum a ser alçado a esse status.

Necroticism” está também no Hall of Fame do nosso Memory Remains e por isso está sendo celebrado. É o mais novo trintão do Heavy Metal e envelhece muitíssimo bem, obrigado. O que mais nos enche de orgulho é saber que a banda está na ativa e que acabou de lançar o excelente “Torn Arteries“, que fatalmente estará nas listas de melhores do ano. Resta a nós esperar para que esse pandemia possa ser controlada, de preferência com esse fascista disfarçado de presidente do nosso Brasil varonil de fora do poder e que possamos comemorar essa vitória da democracia com um show do Carcass. E quem os viu em ação como esse que vos escreve, sabe do poderio letal desse trio em cima do palco.

Necroticism – Descanting the Insalobrious – Carcass
Data de lançamento – 30/10/1991
Gravadora – Earache

Faixas:
01 – Inpropagation
02 – Corporal Jigsory Quandary
03 – Symposium of Sickness
04 – Pedigree Butchery
05 – Incarnated Solvent Abuse
06 – Carneous Cacoffiny
07 – Lavaging Expectorate of Lysergide Composition
08 – Forensic Clinicism/ The Sanguine Article

Formação:
Jeff Walker – baixo/ vocal
Bill Steer – guitarra
Michael Amott – guitarra
Ken Owen – bateria