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Memory Remains: Exodus – 7 anos de “Blood in, Blood Out” e o retorno em grande estilo de Steve “Zetro” Souza

O Memory Remains desta quinta-feira vai tratar de “Blood in, Blood Out“, o álbum de número 11 na discografia do Exodus, até o momento o último álbum a ser lançado pela banda, status que será mudado em 19 de novembro, com o lançamento de “Persona Non Grata“.

Esse disco marca a primeira participação de SteveZetroSouza desde “Tempo of The Damned“, de 2004. Ele que saiu no mesmo ano de 2004 e retornou dez anos depois para a sua terceira passagem pela banda, por onde continua até hoje. Além disso, o play conta com participações de Chuck Billy e Kirk Hammet, o que abrilhanta ainda mais. Os fãs aguardaram 4 anos entre o antecessor e o aniversariante do dia, o que não é nada se comparados aos 7 anos atuais.

Em outubro de 2013, o guitarrista Gary Holt, que se dividia entre sua banda principal e o Slayer, deu uma entrevista na qual dizia que assim que a banda de Tom Araya e Kerry King desse uma pausa na tour, que ele iria concentrar seus esforços no sucessor de “Exhibit B: The Human Condiction” (2010). E assim foi feito, o álbum foi gravado e mixado entre os meses de abril e julho de 2014. Todos os integrantes, à exceção do baterista Tom Hunting, se reuniram nos estúdios “Backstage” e no “Goats R US Studios“. A bateria foi gravada no “Studio D“. A produção foi da própria banda, tendo o mago Andy Sneap atuando na mixagem e masterização. Vamos colocar a bolacha para rolar e dissertar sobre os onze petardos que constam aqui em “Blood in, Blood Out“.

Black 13” é a faixa que abre o play e com seus mais de seis minutos de duração, ela tem uma introdução bastante moderna e experimental, que é bem longa, mas logo os riffs da dupla Gary Holt e Lee Altus dão as caras e temos um Thrash Metal moderno e vigoroso. A faixa título é um petardo e nos remete aos anos 1980, tempos gloriosos da banda. É um desafio manter o pescoço inerte durante os quase quatro minutos de extensão. Chuck Billy faz a sua primeira participação no álbum aqui nessa faixa.

Collateral Damage” é rápida, pesada e bem trabalhada, onde o destaque é o belo solo de guitarra, enquanto que “Salt the Wound” traz de volta o Thrash Metal moderno, com belíssimos riffs, que não deixam o pescoço do ouvinte ficar parado. Novamente o solo é um dos destaques por aqui, desta vez, executado pelo convidado especial, Kirk Hammet, que voltava a gravar com sua ex-banda, mas o baixo de Jack Gibson fez toda a diferença e ajudou a deixar o som ainda mais encorpado.

Nuclear Blast Records

Body Harvest” é um Thrashcore puro nas estrofes, com uma inclusão de Groove no refrão. Tudo isso sem abrir mão do peso e dos riffs sensacionais. Já “BTK“, com seus quase 7 minutos, aposta em um andamento mais arrastado e nos riffs mais intrincados, o que resultou em uma ótima canção. Aqui temos a segunda e derradeira participação de Chuck Billy.

E assim ultrapassamos a primeira metade do play, chegando agora “Wrapped in the Arms of Rage“, que traz essa máquina de riffs chamada Gary Holt  e Lee Altus. Nessa músicas, temos algumas inclusões de partes melódicas, sobretudo no solo e até um dueto que lembra… Iron Maiden (as semelhanças terminam aí). “My Last Nerve” é outra música do play que ultrapassa a marca dos seis minutos e tem um andamento mais cadenciado, onde os caras abusam da técnica sem abrir mão do peso.

A trinca final do play começa com “Numb“, rápida e feroz, outra que ultrapassa os seis minutos de duração e traz riffs marcantes, e pausas para as entradas providenciais do baixo de Jack Gibson; “Honour Killings” é veloz, pesada e bruta, excelente para um moshpit. Ela fica ainda melhor quando ganha um andamento mais lento. “Food for the Worms” encerra o play sendo a melhor faixa disparada, com sua velocidade e agressividade extrema. Essa é outra que ultrapassa os seis minutos, mas aqui vale e muito a pena.

Temos em 62 minutos um álbum que, embora longo, com canções igualmente longas, não deixa a desejar. Ao contrário, é excelente e SteveZetroSouza não poderia ter um retorno mais triunfal. O álbum foi bem recebido pela crítica e público. Após o lançamento, a banda saiu em turnê que teve início na América do Sul, depois retornou aos Estados Unidos, onde ficou com Slayer e Suicidal Tendencies. Em 2015, eles saíram como banda de abertura do Testament e logo depois, abriram shows do King Diamond também. Em 2017, começaram a trabalhar no vindouro disco que irá suceder o aniversariante do dia.

Blood in, Blood Out” chegou em 29° no chart da Alemanha, 30° na Finlândia e na Suiça, 38° na Áustria e na “Billboard 200“, 71° no Reino Unido, 82° na Bélgica, 85° na Holanda e 93° na França. Ainda na “Billboard“, o disco se destacou na categoria “Top Hard Rock Albuns” (2°), na “Top Independent Albuns” (6°} e também na “Top Rock Albuns” (11°}. Nada mal, não é mesmo?

Enfim, temos esse discão apagando as velinhas hoje e é dia de celebrar enquanto aguardamos com toda a ansiedade do mundo por “Persona Non Grata“. Para nossa sorte, a banda segue na ativa e fica a nossa torcida para que a pandemia seja controlada e possamos ver esses monstros do Thrash Metal em ação por terras brasileiras. E se a presença deles por aqui coincidir com o dublê de presidente da República fora do posto, de preferência na cadeia, vai ser ainda mais lindo. Longa vida ao Exodus.

Blood in, Blood Out – Exodus
Data de lançamento – 14/10/2014
Gravadora – Nuclear Blast

Faixas:
01 – Black 13
02 – Blood in, Blood Out
03 – Collateral Damage
04 – Salt the Wound
05 – Body Harvest
06 – BTK
07 – Wrapped in the arms of Rage
08 – My Last Nerve
09 – Numb
10 – Honor Killings
11 – Food for the Worms

Formação:
Steve “Zetro” Souza – vocal
Gary Holt – guitarra
Lee Altus – guitarra
Jack Gibson – baixo
Tom Hunting – bateria/ percussão