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Memory Remains: Napalm Death celebra os 30 anos de “Utopia Banished”, um clássico do Grindcore

Em 23 de junho de 1992, o Napalm Death  lançava “Utopia Banished”, seu quarto álbum. É um dos mais importantes e emblemáticos da longeva carreira dos reis do Grindcore, sendo considerado por muitos fãs como o melhor trabalho deles. E para vamos celebrar as três décadas deste petardo no nosso Memory Remains desta quinta-feira.

Este álbum representa uma mescla do que a banda havia apresentado nos discos “Scum” e “From Enslevament to Obliteration”, que são discos brutais e agressivos ao extremo, juntamente com o Death Metal bem feito que havia sido apresentado em “Harmony Corruption”, tendo um ótimo resultado.

Duas trocas foram efetivadas entre o álbum sucessor, o já citado “Harmony Corruption” e o mais novo trintão da cena: a primeira foi no lineup da banda, com Danny Herrera assumindo o posto de baterista, assumindo o lugar de Mick Harris, baterista que não é membro original da banda, mas que havia gravado todos os álbuns anteriores a este. A outra mudança se deu na produção: o mestre Scott Burns foi trocado por Colin Richardson.

Com estas mudanças, banda e produtor se trancaram no estúdio “The Windings“, na cidade de Wrexham, norte do País de Gales. As gravações foram divididas em dois períodos: o primeiro, entre os dias 10 e 19 de fevereiro e depois entre os dias 23 de fevereiro e 2 de março daquele ano de 1992. Colocando a bolacha para rolar…

…“Discordance” é apenas uma introdução que nos deixa ainda mais ansioso pela parte sonora, que logo chega com a quebradeira e o peso de “I Abstain“, que traz riffs incríveis e um estreante Danny Herrera completamente insano na bateria. A brutalidade está apenas começando.

Dementia Access” é brutalidade pura, com partes em que a velocidade toma conta de tudo, alternando com riffs mais trabalhados. “Christening of the Blind” é Grindcore puro, onde o Napalm Death explora toda a sua influência punk aliada a violência do Death Metal, principalmente nas partes mais arrastadas.

The World Keeps Turning” é talvez a música mais famosa do álbum, uma vez que ela ganhou videoclipe e ela se destaca por ser uma música relativamente veloz e ao mesmo tempo densa, porém, lá no meio dela o caos chega e a quebradeira toma conta de tudo, num convite para um moshpit simplesmente insano. Fenomenal.

Idiosyncratic” é tensa, veloz e agressiva. Conta com riffs aterrorizantes e um Mark Barney ainda mais raivoso no vocal. “Aryanisms” é na mesma linha, raivosa ao extremo. O caos e destruição seguem em voga com “Cause and Effect (Part II)”, em que o Grindcore mais brutal é destilado de maneira magistral.

Gobinder Jhitta/Divulgação

Judicial Slime” é outra pedrada no ouvido e tem até um solo, bem tosco no final, mas que não tira o brilho. Uma curiosidade é que na prensagem original, a música veio impressa da maneira errada em em sua contracapa: “Juidical Slime“.“ Distorting the Medium” tem riffs sensacionais, tanto na parte mais rápida, quanto na mais cadenciada. E novamente temos aqui um Danny Herrera sem dó nenhuma de seu kit de bateria, espancando-o de maneira impressionante.

É difícil escolher a faixa mais brutal do disco, mas talvez o título fique com “Got Time to Kill“, que é rápida e ríspida durante quase toda a sua extensão, com alguns breves segundos de quebra no andamento, para depois a violência retornar, implacável. “Upward and Uninterested” mescla bem o Grindcore com o Death Metal, como citamos no início do texto. Os riffs arrastados são muito brutais e essa é a música que mais me chamou atenção no play.

Exile” devolve as influências Punk que aqui se misturam com o potente Grindcore em uma união perfeita. E brutal. “Awake (to a Life of Misery)” é curta e grossa. Música pra você entrar no mosh e sair com a sensação de que foi atropelado por três carretas e não conseguiu anotar a placa de nenhuma delas.

Contemptuos” é bem experimental e pode ser citada como um esboço do que a banda abordaria nos discos subsequentes, sobretudo o controverso “Diatribes” (1996). É uma música densa e não agrada muito ao fã que bateu cabeça o disco inteiro (ou quase). Mas nada que tire o brilho deste magnífico play.

Em 39 impressionantes minutos temos 15 faixas que são verdadeiras bombas-relógio e que traduzem todo o ódio que a banda destila em suas letras contra a desigualdade. Trata-se de um verdadeiro clássico, não só do Napalm Death, mas também do Grindcore como um todo. Hoje é dia de exaltar este maravilhoso play, e também de desejar longa vida a este quarteto, que é um dos poucos na cena a lutar pelas causas sociais. Eles realmente entendem e colocam em prática a essência do Rock/Metal. Sobreviveram a essa Pandemia maldita e interminável, ficando nosso orgulho por ver este play completando 30 anos e testemunhar a banda ainda na ativa, para a nossa alegria.

Utopia Banished – Napalm Death

Data de lançamento – 23/06/1992

Gravadora – Earache Records

 

Faixas:

01 – Discordance

02 – I Abstain

03 – Dementia Access

04 – Christening of the Blind

05 – The World Keeps Turning

06 – Idiosyncratic

07 – Aryanisms

08 – Cause and Effect (Pt. II)

09 – Judicial Slime

10 – Distorting the Medium

11 – Got Time to Kill

12 – Upward and Uninsterested

13 – Exile

14 – Awake (to a Life of Misery)

15 – Contemptuos

 

Formação:

Mark “Barney” Greenway – Vocal

Jesse Pintado – Guitarra

Mitch Harris – Guitarra

Shane Embury – Baixo

Danny Herrera – Bateria