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Memory Remains: Nirvana – 3 décadas de “Nevermind”, herdando do Guns o posto de banda do momento

O 24 de setembro de 1991 é uma data histórica para o ano da música: diversos álbuns importantes foram lançados neste dia. O Soundgarden lançou o belíssimo “Badmotorfinger“; o Red Hot Chilli Peppers lançou sei álbum mais icônico, “Bloodsugarsexmagik“. Mas o tema de hoje no nosso Memory Remains é o álbum que chegou como um tsunami e fez o Nirvana ser, guardadas as proporções, os Beatles dos anos 1990, tomando o lugar do Guns ‘N’ Roses como a banda do momento nas rádios e na MTV.

Pois é, caro leitor, 30 anos já se passaram. Você já era nascido? Se sim, o que fazia quando escutou os primeiros acordes de “Smells Like Teen Spirit“, a primeira música conhecida do trio aqui por terras tupiniquins? Eu era um moleque, às portas de completar 12 anos e confesso que fiquei impressionado com tanta rebeldia em formato de crueza musical. E gostei muito do que ouvi, eu era apenas um moleque de 12 anos.

O Nirvana tinha lançado o seu álbum de estreia, “Bleach“, no já longínquo ano de 1989 e era somente mais uma banda daquele movimento que estava nascendo na chuvosa cidade de Seattle, ainda que este play tenha sido o maior sucesso comercial da história da gravadora Sub-Pop. Mas as coisas começaram a mudar quando para a composição do aniversariante de hoje, eles recrutaram um certo Butch Vig para a produção, que foi crucial para que o aniversariante do dia tivesse o êxito que lhe deu essa popularidade.

Naquela época, o Nirvana tinha contrato com o famoso selo Sub Pop, que estava em dificuldades financeiras e haviam rumores de que esta assinaria um contrato com uma grande gravadora afim de tornar-se uma subsidiária desta, porém, a banda resolveu sair e fechou com o selo DGC, pertencente à Geffen Records, seguindo recomendações de Kim Gordon (Sonic Youth) e do empresário Gold Mountain.

Colaborou para o sucesso da banda, a entrada de um certo Dave Grohl. E Cobain, ao assistir a uma apresentação da banda Scream, na cidade de San Francisco, ficara impressionado com a performance do baterista. E como eles estavam insatisfeitos com o baterista Chad Channing, juntou a fome com a vontade de comer: Grohl aceitou a proposta e mudar-se para Seattle foi só a consequência disso.

Porém, antes de fechar o contrato com a DGC, Nirvana e Butch vig já trabalhavam na pré-produção do que se tornaria esse disco que iria fazer estremecer as estruturas do Rock nos anos 1990. O que motivou Cobain a querer Vig foi o trabalho que este fez com o Killdozer, na qual o líder do Nirvana disse que queria soar pesado como o álbum produzido por ele.

Assim o fizeram, gravaram o que puderam, porém, o resultado acabou se tornando uma demo que o Nirvana utilizou para negociar com as gravadoras, acabando por fechar com a DGC, conforme dito alguns parágrafos acima. E esta ofereceu uma lista de produtores para o play. Ainda assim, a banda bateu o pé e fez valer o seu desejo em trabalhar com Butch Vig.

E assim todos adentraram no “Sound City Studios“, na Califórnia e como boa parte do que seria gravado já passara por uma pré-produção, o trabalho agora seria de gravar o material, fazer os ajustes necessários e lançar o play. Porém, a banda não ficou muito satisfeita com o trabalho de mixagem e a DGC ofereceu uma lista de candidatos para fazer esse trabalho melhorar e o escolhido foi um tal de Andy Wallace. Sim, aquele mesmo que co-produziu “Seasons in the Abyss” e que dois anos depois produziria “Chaos A.D.“. E Wallace fez um trabalho excelente, ainda que tenha deixado polido demais uma banda com sonoridade Punk.

Sem mais delongas, vamos colocar a bolacha para rolar e temos uma abertura apoteótica com a poderosa “Smells Like Teen Spirit” que é o maior hit do Nirvana, uma música rebelde, raivosa. E Dave Grohl dá seu show na bateria. “In Bloom” já é uma faixa mais cadenciada em relação a faixa de abertura, com um bom clima e densa, enquanto “Come as You Are” é outro hit da carreira da banda, uma música simples, mas que no refrão fica gigante.
Breed” é uma faixa em que o Nirvana explora sua influência punk, uma boa música, com aquela raiva adolescente. “Lithium” é outra faixa que virou hit e tocou exaustivamente nas rádios e na MTV. Ela é mais arrastada nas estrofes e ganha peso no refrão. Uma curiosidade é que nas primeiras sessões de gravação, antes mesmo de a banda fechar com a DGC, foi nesta faixa que a banda precisou abortar o processo de gravação ainda na fase de pré-produção, já que Cobain havia destruído a sua voz.

Polly” é bonitinha, acústica, um momento mais calmo neste disco que é uma verdadeira avalanche. Era apenas uma ponte para “Territorial Pissings“, que traz de volta a rebeldia em uma música rápida e mais uma vez influenciada pelo punk, com uma excelente performance de Dave Grohl. “Drain You” é a música mais trabalhada, vamos assim dizer, deste disco. Uma música com algumas passagens diferentes e uma das que mais me agradam aqui.

Lounge Act” é outra que me agrada muito, tendo em sua intro uma boa passagem do baixo de Chris Novoselic, a música tem uma boa levada mais para o Hard Rock, com Kurt Cobain adotando vocais mais agressivos na última parte. “Stay Away” é outro petardo deste play, uma música forte, em que já na intro temos a bateria de Dave Grohl rufando, juntamente com o baixo de Krist Novoselic e o refrão marcante. Excelente som. Destaque para o final, onde Kurt canta, “God is gay“, para desespero dos religiosos, que logo infestaram os sites de “mensagens subliminares”…

On a Plain” é outra música maravilhosa, em que o andamento é mais cadenciado e aqui encontra-se alguma melodia em meio à sujeira da guitarra de Kurt. “Something in the Way” fecha de maneira melancólica um disco que foi muito bem, obrigado.  Deixando a bolacha para rolar, após um silêncio de dez minutos, entra a esquisita faixa “Endless, Nameless“, uma coisa suja, esquisita, e podemos dizer, até mesmo desnecessária.

E em 54 minutos temos um disco que passaria batido se não fosse o single de “Smells Like Teen Spirit” ter estourado nas rádios, na MTV e ai as demais músicas foram seguindo essa trilha. “Nevermind” vendeu mais de 35 milhões de cópias no mundo inteiro, deu uma visibilidade imensa à banda. Pensemos que estamos no início da década de 1990, ainda não existiam smartphones, YouTube, a internet ainda era algo palpável a poucos. Com este álbum, o Nirvana desbancaria o álbum “Dangeours“, de Michael Jackson e alcançaria o 1º lugar na “Billboard 200”.

Em uma época onde o Rock andava em baixa, o Nirvana deu uma grande colaboração para que o estilo retornasse á crista da onda. O caro leitor pode até ter suas restrições quanto a qualidade musical da banda, e eu concordo, tecnicamente, a banda era muito pobre, à exceção de Dave Grohl. Porém, méritos devem ser dados, os caras fizeram alarde e o que é mais impressionante, nem eles nem a gravadora esperavam um sucesso estrondoso como esse. No Brasil, “Nevermind” foi certificado com disco de platina.

O grande acerto da banda para com este play, sem sombra de dúvidas foi a escolha de Butch Vig para a produção. Ainda que não tenha passado pela cabeça dos caras fazer um álbum que fosse um verdadeiro sucesso e provocasse a ascenção de uma nova banda, com uma linguagem e vestimenta diferentes, mostrando uma nova tendência e uma nova perspectiva do Rock and Roll. Era disso que o estilo precisava para se manter em evidência e o trabalho de VIg foi perfeito, desde a escolha do repertório, a timbragem dos instrumentos e a ordem do tracklist.

A capa foi uma sacada genial, com a famosa foto do bebê nadando em uma piscina, perseguindo uma nota de dólar. Ainda que o hoje adulto Spencer Elden tenha processado recentemente a banda, alegando pornografia infantil, em uma atitude patética por parte do rapaz, ainda mais que ele surfou por muitos anos na fama por ter sido aquele bebêzinho fofo estampado em uma capa de CD que vendeu milhões e que ficou conhecido no mundo todo. Não faz mal, imbecis existem em toda parte, aqui no Brasil eles são muitos, 57 milhões que carregam o peso de ter escolhido um genocida para governar o país de maneira autoritária. Mesmo que o rapaz insista com a tosca ideia de que teve a sua imagem ligada a um suposto (e improvável) trabalho sexual, a banda não terá a imagem arranhada, mesmo com a patrulha do cancelamento de plantão. A capa é icônica, queira Spencer ou não.

E para quem gosta de Rock And Roll enérgico, sem regras, sem firulas, “Nevermind” é o disco. E eu o ouvi muito durante a minha adolescência, foi a ponte que me fez chegar à bandas que escuto atualmente. E confesso que de vez em quando, eu coloco essa bolacha para rolar. Um disco que merece sim, todos os louros por tudo que conquistou e pela importância que tem. Parece que foi ontem, mas esse disco chegou aos 30. E com uma energia que muitas bandas atuais não têm.

Nevernind – Nirvana
Data de lançamento – 24/09/1991
Gravadora – DGC/ Geffen

Faixas:
01 – Smells Like Teen Spirit
02 – In Bloom
03 – Come as You Are
04 – Breed
05 – Lithium
06 – Polly
07 – Territorial Pissings
08 – Drain You
09 – Lounge Act
10 – Stay Away
11 – On a Plain
12 – Something in the Way
13 – Endless, Nameless (Faixa bônus escondida)

Formação:
Kurt Cobain – Vocal/Guitarra
Krist Novoselic – Baixo
Dave Grohl – Bateria