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Memory Remains: Temple of The Dog – 30 anos do álbum que nasceu como uma homenagem e tornou-se um “best seller”

Em 16 de abril de 1991, era lançado o único álbum do projeto Temple of the Dog, capitaneado por Chris Cornell e que tinha participações do seu parceiro de Soundgarden, Matt Cameron e do embrião do que viria ser o Pearl Jam. Vamos contar a história deste play no Memory Remains de hoje.

O ano era 1990 e tínhamos o movimento Grunge começando a se aflorar em Seattle: o Nirvana e seu álbum de estreia, Bleach, batendo recorde de vendas pelo selo Sub-Pop; o Alice in Chains estava em estúdio gravando o álbum de estreia, Facelift, que iria explodir; o Soundgarden colhia os frutos de seu segundo álbum, Louder Than Love, e o embrião do Pearl Jam, o Mother Love Bone, cujo vocalista, Andrew Wood, morreria de overdose, em 19 de março, antes do lançamento do disco de estreia da banda.

Não existiria o Pearl Jam se não fosse a morte de Andrew Wood e muito provavelmente o Mother Love Bone seria uma das bandas cult de Seattle. Mas vejamos como são as coisas: com a morte do vocalista, o baixista Jeff Ament e o guitarrista Stone Gossrad, que já tocavam juntos desde o Green River, em 1984, resolveram seguir e com a ajuda do ex-baterista do Red Hot Chilli Peppers, Jack Irons, chegaram até um certo Eddie Vedder, em San Diego. Enquanto eles se organizavam para montar um novo grupo, Chris Cornell se juntou ao colega de Soundgarden, o baterista Matt Cameron e juntou os quatro que formariam o Pearl Jam, mais o guitarrista Mike McCreaddy para gravar um disco em homenagem à Wood. Repare que hoje, 30 anos depois, à exceção de Chris Cornell, todos estão compondo o lineup do Pearl Jam.

O processo de gravação foi bem rápido. Entre os meses de novembro e dezembro de 1990, todos adentraram ao London Bridge Studio, em Seattle, sob a batuta do produtor Rick Parashar e assim saíram de lá com este registro histórico, uma justa homenagem a um vocalista que foi importante nos primórdios do movimento Grunge. E vamos destrinchar cada uma das dez faixas que compõem este play. Oito delas foram compostas por Chris Cornell.

A faixa de abertura, “Say Hello to Heaven”, como todas as outras, é dedicada à Andrew Wood, porém, essa talvez seja a mais emblemática. Musicalmente, ela é bem calma, com algumas melodias e naturalmente, ela soa como se fosse uma música do Soundgarden. Muito agradável. “Reach Down”, a faixa que segue, é um baita Stoner e chega a trazer um certo peso nos riffs de sua introdução. É outra faixa que poderia estar tranquilamente em um disco da banda principal de Chris Cornell. Aqui o grande destaque é o baterista Matt Cameron. Como esse rapaz já tocava bem desde sempre. São 11 minutos de uma viagem sonora.

O clima Southern toma conta com a música que certamente é a mais conhecida do projeto: a agradável “Hunger Strike”, que conta com o então ainda desconhecido Eddie Vedder, que canta praticamente sozinho em toda a música. Chris Cornell só entra no final com seus agudos, ajudando a abrilhantar a faixa. Engraçado que quando eu conheci a banda, foi por essa música e ao comprar o CD, eu achava que Eddie Vedder era o vocalista principal. Confesso que me frustrei, pois na época eu era muito fã do Pearl Jam e consumia tudo relacionado à banda. Estamos falando de 1998. A música é bem legal e ganha um peso no seu refrão. Marcou uma geração, da qual eu me orgulho de ter feito parte.

Pushing Foward Back” é a faixa que dá sequência ao play e é um típico Rock dos anos 1990: com uma pegada radiofônica, com bastante Groove e um refrão que gruda. “Call me a Dog” vem a seguir e é uma música densa, com espaço para melodias, inclusão de teclados e órgãos e um belo solo, talvez o melhor de todo o disco.

Chegamos à metade final da bolacha e “Times of Trouble” tem o instrumental que foi praticamente usado pelo Pearl Jam na música “Footsteps”, um belo lado B. A diferença é que aqui os caras incluíram arranjos de piano, o que deu a música um ar mais erudita. Tem bons momentos. “Wooden Jesus”, outra faixa que trata mais diretamente do homenageado é um Rock and Roll bem agradável, com bons riffs de guitarra e um Chris Cornell inspirado.

Your Saviour” é outra faixa que é bem a cara do Soundgarden, com riffs bem Stoner e muito Groove. Um solo que se fosse mais pesado, o ouvinte iria pensar que se trata de uma música do Black Label Society. “Four Walled World” é densa e bem psicodélica, enquanto que “All Night Thing”, a faixa que encerra o a aniversariante do dia e é uma faixa um tanto quanto melancólica, porém não se trata de uma música ruim, pois é composta de bons arranjos.

Em 54 minutos temos um bom disco de Rock Alternativo e que é muito justo na homenagem que se propôs a fazer. Além disso, Chris Cornell teve o mérito também de dar o empurrão para formar a banda que acabou se tornando a maior deste movimento da chuvosa e um tanto quanto distante cidade de Seattle. O álbum vendeu bem e foi certificado com Platina no Canadá e nos Estados Unidos, sendo que neste último, vendeu mais de 1 milhão de cópias. Bons tempos onde as pessoas dedicavam parte do seu tempo a escutar música em boa qualidade nos discos e não hoje nessa correria e um mundo completamente digitalizado.

O projeto não passou de uma homenagem neste único CD, pois as bandas muito ocupadas com suas agendas e grandezas, acabou não rolando de um segundo álbum, o que por um lado foi até bom, já que a intenção era homenagear o amigo de todos, em uma cena tão unida como Seattle, onde é de conhecimento de todos que todas as tribos do Rock e Metal convivem de maneira pacífica e amistosa, tanto que temos por lá, além das bandas já citadas neste texto, nomes como Nevermore, Queensryche, Metal Church, Sanctuary, entre outros. Enfim, os trinta anos desse play chegou e é uma obra que vai envelhecendo muito bem.

Temple of the Dog – Temple of the Dog

Data de lançamento – 16/04/1991

Gravadora – A&M

Faixas:

01 – Say Hello to Heaven

02 – Reach Down

03 – Hunger Strike

04 – Pushing Foward Back

05 – Call me a Dog

06 – Times of Trouble

07 – Wooden Jesus

08 – Your Saviour

09 – Four Walled World

10 – All Night Thing

Formação:

Chris Cornell – vocal/guitarra

Stone Gossard – guitarra

Jeff Ament – baixo

Mike McCreaddy – guitarra

Matt Cameron – bateria

Participação especial:

Eddie Vedder – vocal

Rick Parashar – piano e órgão