O The Ogre é uma one man band capitaneanda por Diogo Marins, após o encerramento das atividades de sua antiga banda, o Face of Madness. Ele já está nesta empreitada há alguns anos e estamos diante de seu quarto e mais recente álbum álbum, Aeon Zero, lançado em 2021 de maneira independente, no melhor estilo “do It yourself”.
Diogo gravou sozinho os vocais e todos os instrumentos, além de atuar na produção da bolacha. E quando ele diz no press-relases que sei projeto passeia por várias vertentes do Heavy Metal, até mesmo pela música sinfônica, ele não está falando nenhum absurdo, pois ele pegou elementos do Prog, Black, do Heavy e bateu tudo no liquidificador. E o resultado foi na maior parte do tempo, satisfatório. Há quem rotule a banda de Progressive Death Metal e nós vamos adotar essa nomenclatura por falta de uma que se adeque melhor a toda essa salada musical que encontramos aqui.
Temos oito faixas espalhadas em 40 minutos de duração, das quais, duas ultrapassam os 7 minutos cada uma e mais uma intro, “Polybius“, que tem pouco mais de 1 minuto. E durante essa experiência, o ouvinte percebe de tudo um pouco: o progressivo aparece durante a faixa de abertura, “We Ride With Demons“, a parte mais extrema do Black Metal dá as caras durante ‘Crawling Chaos Underground” e também um pouco de anticlímax na faixa derradeira, “The Mountain of the Cannibal God“.
Há também espaço para coisas diferentes, como na faixa “Datadeity“, que aposta em ritmos influenciados pela New Wave e um flerte muito intenso com a música eletrônica durante boa parte de sua extensão, com o rapaz se lembrando de incluir um pouco de Metal ali no finalzinho. Ela conta com bons riffs de guitarra, que se repetem durante as estrofes e gruda na cabeça, garantindo uma experiência agradável na sua audição.
Temos algumas músicas que se destacam em meio a toda essa mescla que Diogo traz em seu projeto, como por exemplo “Forgotten Mills“, que mantém a aposta na pluralidade musical, embora ela seja predominantemente uma canção que se inspirou na NWOBHM e é de longe, a melhor canção deste play. “The Horrible” tem um belo solo de guitarra, perdido em meio ao caos do Black Metal que a música traz. A já citada faixa de abertura “We Ride With Demons” também entra nesse rol dos destaques.
A produção, se não é impecável, ao menos não coloca o trabalho a perder e talvez tenha sido ideia da mente por trás da banda em deixar essa sonoridade mais crua. Mas para quem executou tudo sozinho, é um baita trabalho. O rapaz conseguiu executar com certa eficácia as partes de guitarra, bateria, baixo, vocal e teclado, de forma que se alguém disser que cada instrumento foi registrado por uma pessoa diferente, passaria batido. *Aeon Zero” vai agradar ao fã menos conservador. Aos interessados, sim, ao vivo a banda se apresenta como um power-trio. Um trabalho que dignifica o esforço do rapaz e retrata a realidade do underground.