Resenhas

Answers To Questions Never Asked

The Orchid Machine

Avaliação

9.0

A alucinante banda The Orchid Machine apresenta o tão esperado álbum de estreia, inititulado ‘Answers To Questions Never Asked’. Ricas em versatilidade sonora, as onze canções de ‘Answers To Questions Never Asked’ de The Orchid Machine são uma odisseia emocionante e transcendental. A banda descreve seu trabalho como “Uma construção barulhenta feita de metal enferrujado e tecido vegetal, mecânico-biológica, um microcosmo de caos desenfreado e arquitetura mecânica. Dentro de um misterioso núcleo de energia que implode e explode alternadamente. Uma existência em desacordo com o espaço e o tempo, em constante luta consigo mesma”.

‘Answers To Questions Never Asked’ representa a marca única da alma da banda. Há simplicidade e perfeição juntas que tornam o som mais progressivo e grandioso. O som bruto do quarteto combina elementos de rock progressivo, desert rock, pós-punk de várias épocas, com um toque de metal, em um caldeirão rodopiante de guitarra e energia sônica impulsionada pelo groove. Com esse disco de nove faixas provam que seguem com a ideologia artística, ousada e cativante, junto com o som penetrante e peculiar, que traz uma atmosfera sonora nostálgica ao mesmo tempo que exala um frescor sincero graças a energia jovial e mente visionária dos integrantes.

Logo na primeira faixa, “A Little Thing”, percebemos aonde a banda quer chegar, entregando um choque elétrico de paixão mesclado com uma atitude destemida, onde provam que são uma banda em constante avanço. A música seguinte “M Fckng Hd Xplds” já mostra o lado multifacetado vindo do jazz remetendo também a tons de Bauhaus – na forma teatral e semelhança vocal. Criando uma vibe majestosa para amantes de rock, este disco mostra o quanto a banda adora dobrar e moldar gêneros musicais.

Subindo impecavelmente na ordem musical com seus riffs em camadas com seções de metais e arranjos operísticos, seu som está amadurecendo em algo único. Em “Payback”, a banda mantém o espírito do post punk mas também incorpora o rock progressivo e psicodélico que remete ao Pink Foyd – por isso adorei essa banda, ela mistura diversas referências inusitadas para criar seu som. “I Don’t Wanna Be A Man” é uma fusão fervorosa e expressiva, uma satisfação conceitual de uma mistura eclética de ideias. Começa com um lick de guitarra distorcido que é compacto e suave, nostálgico e remete ao garage rock, mas também tem tons de punk e rock alternativo dos anos 90, com um refrão que entra facilmente em nossa mente e um swing que nos faz viajar – como se estivéssemos vendo um video da banda na MTV dos anos 90.

“Eine Gewisse Menge An Zeit” destila a melancolia penetrante e intimista com um ar sombrio e difícil de digerir – um tom que ora remete a musicalidade profunda do black metal, ora do post punk, mas que muda seu ambiente para algo animado com um riff swingado do blues. Uma canção de quase 14 minutos que é uma viagem que pode soar esquisita, mas depois entendemos a genialidade por trás dessa criação absurda e ousada.

Uma melodia cativante e atraente com um arranjo musical genuíno é sentida na faixa “Flapyrinth”, sendo a música comercial do álbum que leva o ouvinte aos limites do desconhecido de uma forma prazerosa e impossível de descrever – é preciso ouvir e sentir por si só esse momento, pois os vocais cantam de forma teatral e penetra no ouvinte de uma forma única. “God’s Own Favourite” injeta em nossa mente a mensagem, com a pegada de ZZ Top, fazendo o ouvinte se balançar. “Intro Wurzel” chega com o instrumental drástico, extenso e sombriamente alucinante, mostrando as mentes brilhantes dos garotos do The Orchid Machine. Fechando o disco, “Wurzel” coloca fim a essa viagem maravilhosa, mas despertando a vontade de apertar o play novamente e embarcar nesse mundo criativo do The Orchid Machine. Essa última faz de 10 minutos traz o lado mais pesado e denso, destilando a nostalgia e o momento sombrio do final do mundo – esta é a sensação que tenho ao ouvir. Com uma técnica e estilo perfeito que remete aos clássicos geniais de Pink Floyd.

‘Answers To Questions Never Asked’  mantem a frequência, conduzindo o ouvinte em uma viagem sonora inesquecível, com destaque na forma como a banda misturou referências dentro do rock e de uma maneira peculiar criou um trabalho atemporal perfeito para os fãs do estilo, conversando diretamente com seu instrumental e com o ouvinte, transmitindo diversos sentimentos de forma satisfatória. The Orchid Machine chegou para ficar e já ganhou destaque repleto de ideias vibrantes, exclusivas e de pura nostalgia, sendo uma banda potente, de imersão com um domínio tão forte e confiante sobre seu som, que consegue encantar desde o público mais exigente até quem busca bandas novas. A banda prova que está no caminho certo para estar entre os grandes nomes da música atual.