Resenhas

Background Sounds Vol. I

Drowned

8,0

Temos aqui os veteranos mineiros do Drowned nos brindando com um álbum de covers. Muitos desprezam esse tipo de iniciativa, pois o trabalho autoral é claro muito mais significativo. Mas vale a pena dar uma conferida neste Background Soundtracks Vol I, que foi gravado ao longo dos anos, temos desde 2002 até 2019.

Alguns estúdios foram utilizados durante este tempo: a versão de “The Laws of Scourge” foi gravada no estúdio Música e Companhia, em Belo Horizonte, no ano de 2000; “Bestial Devastation” foi gravada em dois estúdios: o mesmo Música e Companhia e também no Dr. Studio, na cidade de Nova Lima, no ano de 2002; as versões do Black Sabbath, Ratos de Porão, Titãs, Ramones, Faith no More, Metallica e Judas Priest, foram gravadas no estúdio Mirahaia, em Belo Horizonte; A primeira foi gravada em 2017 e as demais em 2019. O Dr. Studio voltou a ser utilizado, desta vez em 2009 para registro das homenagens ao Megadeth, Iron Maiden e Pantera, e dez anos depois retornaram para gravar as músicas de Kreator, Carcass e Samael. As faixas foram mixadas em 2019.

O interessante do título é o indício de que certamente irá rolar um volume II ou até mais. Após 7 álbuns de músicas autorais lançadas em mais de 25 anos de carreira, e dois anos após o último lançamento, o sexteto traz a tona essa homenagem aos gigantes não só do Heavy Metal, mas também, de maneira surpreendente, aos gigantes do Rock nacional.

Lançado em 7 de agosto de 2020 pelo selo Tales From the Pit Records e com uma tiragem limitada de 500 cópias, Background Soundtracks Vol, I é definido no encarte da bolacha pelos próprios integrantes do Drowned como sendoumam homenagem às bandas importantes da cena mundial, além de terem afirmado o orgulho por poder regravar essas músicas,

Quando o redator pega o CD e olha o encarte, a obviedade de bandas como Kreator, Carcass e Samael é proporcional à surpresa da inclusão de faixas como “Beber até Morrer” (Ratos de Porão), “Lugar Nenhum” (Titãs) ou até mesmo “Poison Heart” (Ramones), “Until It Sleeps” (Metallica), “The Wickerman” (Iron Maiden), “Hell Patrol” (Judas Priest), “Digging the Grave” (Faith no More) ou “Sabbath Bloody Sabbath”, músicas que têm estilos completamente diferentes do Drowned.

Assim sendo, vamos colocar a bolacha para rolar e conferir essa honesta homenagem que a banda preparou para seus (e porque não dizer nossos?) ídolos. Nas três primeiras faixas, “Betrayer”, “Heartwork” e “Black Trip” , tudo saiu conforme esperado: a letalidade sonora da banda em ação fazendo com que os clássicos não sejam manchados. Escolhas óbvias e aqui não há surpresa, pois é exatamente o estilo que a banda se propôs a fazer no decorrer de sua carreira.

Em “Beber até Morrer”, eles fizeram mudanças sutis nos arranjos, nada que altere de maneira gritante a música. Mas em “The Wicker Man”, ficou engraçado o vocalista Fernando Lima trocando o agudo de Bruce Dickinson e colocando seu vocal gutural. E engraçado também ficou ele cantando o refrão “your time will come” no estilo Death Metal de cantar. “Lugar Nenhum” ganhou uma pegada mais visceral na bateria e chega a estranhar os bumbos duplos de Beto Loureiro onde Charles Gavin jamais imaginou inserir na versão original. Mas ficaram ótimos, assim como o vocal urrado de Fernando Lima. Quem conhece a original certamente estranhará também, mas vai gostar.

Mouth for War” ficou boa também, embora tenha perdido um pouco de punch em relação a original, sobretudo na parte final, onde a música ganha em agressividade. Mas isso não é motivo para considerarmos essa faixa como o ponto fraco do play. Rapidinho chegamos ao meio do disco, com tanta música gostosa, a gente nem percebe: e “Tornado of Souls” é eleita o destaque do play. As guitarras ficaram idênticas às gravadas por Dave Mustaine e Marty Friedman. E até um vocal mais limpo aparece no refrão. O desavisado que escutar vai pensar que Dave Mustaine deixou o posto de vocalista. Ficou perfeita!

Poison Heart” é bem tocada, mas não ficou no mesmo nível da original. Ainda que a técnica não seja nem de longe uma das virtudes da maior banda de Punk Rock da história, eles tinham o jeito peculiar de fazer o simples ser eficiente. Essa é uma das faixas que o ouvinte irá demorar mais tempo para reconhecer. “Hell Patrol” é outra que gerou tanta expectativa quanto ao cover do Iron Maiden: afinal uma banda de Metal extremo tocando um clássico da NWOBHM. E não é que ficou bom? Tal como em “Tornado of Souls”, houve inserção de vocais limpos entre os guturais e a banda soube conduzir muito bem as coisas por aqui. Tivemos nessa faixa a participação da vocalista do Sacrificed, Raquel Reis, ou KellPatrolHell, abrilhantando a música.

Se os covers de Iron, Titãs e Judas causaram muita curiosidade, esta simplesmente triplicou com as duas faixas que virão a seguir: “Digging the Grave” e “Until It Sleeps”. A primeira ficou um baita rockão, e o bumbo duplo de Beto Loureiro novamente é o destaque. Já a segunda é uma surpresa desde a escolha, pois qualquer pessoa apostaria que uma banda de Metal extremo escolheria uma faixa Old-School, de preferência de um dos três primeiros álbuns do quarteto de San Francisco e foi escolhida logo uma faixa de um dos álbuns mais odiados pelos fãs: em algumas partes, Fernando Lima vai de vocal limpo, mas na maior parte da música ele ataca no seu gutural e isso não combinou com a música. A parte instrumental ficou boa, com umas batidas bem diferentes das que Lars Ulrich gravou originalmente, mas essa faixa ficou um pouco abaixo.

Shout at the Devil” (Mötley Crue) ficou excelente, virou um Death N Roll para ninguém botar defeito. Uma ótima performance para compensar a perda com a faixa anterior. Sabbath Bloody Sabbath, dos criadores dessa bagaça toda tem o mesmo clima da versão original, mas novamente com o bumbo duplo de Beto Loureiro abrilhantando e melhorando ainda mais o que já é perfeito.

As duas faixas que fecham a obra não são novidades, uma vez que “Bestial Devastation” e “The Laws of Scourge”, de Sepultura e Sarcófago, respectivamente, já haviam se tornado de conhecimento público, no EP “Back From Hell”, de 2002, sendo que a última também aparece no álbum “Tribute to Sarcófago”, lançado pela Cogumelo Records, em 2001. Na primeira, o Drowned tira completamente a crueza e a imaturidade dos então adolescentes do Sepultura e deixa a faixa ainda mais matadora. E na faixa derradeira, eu ouso dizer que ficou ainda melhor do que a original: rápida, agressiva e perfeita. Assim a banda termina o álbum homenageando da melhor maneira os dois nomes mais relevantes da rica cena mineira.

Em uma hora e dois minutos, que passaram de maneira tão rápida, temos um álbum surpreendente, uma justíssima homenagem que este sexteto prestou à alguns dos nomes mais relevantes da cena Rock de todos os tempos. A produção é super caprichada e o encarte bem simples. Enquanto a parte II não sai, vamos aproveitar esse play que tem uma qualidade muito acima da média.

Faixas:

01 – Betrayer (Kreator)

02 – Heartwork (Carcass)

03 – Black Trip (Samael)

04 – Beber Até Morrer (Ratos de Porão)

05 – The Wicker Man (Iron Maiden)

06 – Lugar Nenhum (Titãs)

07 – Mouth for War (Pantera)

08 – Tornado of Souls (Megadeth)

09 – Poison Heart (Ramones)

10 – Hell Patrol (Judas Priest)

11 – Digging the Grave (Faith no More)

12 – Until it Sleeps (Metallica)

13 – Shout at the Devil (Mötley Crue)

14 – Sabbath Bloody Sabbath (Black Sabbath)

15 – Bestial Devastation (Sepultura)

16 – The Laws of Scourge (Sarcófago)

Formação:

Beto Loureiro – bateria

Fernando Lima – vocal

Marcos Amorim – guitarra

Rafael Porto – guitarra

Kerley Ribeiro – guitarra

Rodrigo Nunes – baixo

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