The Breakdown chega com seu novo álbum, ‘Distraction Reaction’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de pop rock, indie e atmosferas melancólicas que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 10 faixas mergulha na poesia e na música emocionalmente intensa, que chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que a banda encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado. E este álbum é mais um passo firme na jornada sonora de The Breakdown, formado por cinco caras de meia-idade fazendo música como a que ouviam quando crianças, que adicionam um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
O disco começa com “Ride the Tiger”, a porta de entrada perfeita para esse universo despojado. O início com aquele saudoso riff roqueiro e uma introdução marcante. Os vocais denominam de imediato, aliada a um baixo pulsante que guia a batida, enquanto a bateria se entrelaça suavemente. A execução vocal é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de groove. Há muita inspiração de bandas dos anos 90 e um um lirismos complexo que apesar de entregar um som que soa comum, tem uma forte letra – faixas que lançam um olhar afiado e sombriamente cômico sobre o caos da vida moderna
Em seguida, “Gaston” chega como um hit do disco, e traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o groove. É uma faixa que aposta em nuances suaves de sintetizadores e uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa – além de uma viagem aos anos 80, nitidamente inspirado em Duran Duran.
“Impossible” diminui o ritmo e traz uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, sentimos influências do pop rock romântico, a canção tem levada totalmente cativante. É uma faixa que tem um potencial tremendo. É a balada do disco, a faixa mais comercial, perfeita para rádios.
Na canção “Shimmer”, a banda buscou um pop mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva. A produção aqui é mais “espacial”, com tons mais suaves bem posicionados e um groove que brinca com as pausas, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade, lembrando muito a era new wave dos anos 80, com riffs inspirado em David Bowie, Tears for Fears e outros.
“My Body as it Walks” combina camadas etéreas de piano com sintetizadores, onde os vocais brincam com os elementos de trip hop da faixa que fica em nossa mente. Segundo o projeto The Breakdown, ” a caminhada de Judith Butler com Sunaura Taylor e a conversa entre elas inspiraram nosso projeto. Suas palavras foram ecoadas pelo que lemos mais tarde no livro Encounterism, de Andy Field (2023)”.
“These Days (The Writing’s Written on the Walls)” volta com uma energia renovada, numa pegada mais simples ao mesmo tempo que é complexo, onde os elementos de acústico ganham protagonismo. Os vocais são diretos e sentimentais criam uma sensação de reflexão. Os riffs são mais pesado, com um ritmo diferente de todo o disco, mas mantendo a inspiração nos anos 80, em uma faixa cativante.
“Babylon”, escolhida como principal single, nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de sintetizadores, e vocais de arrepiar, que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte. A melhor escolha como single, nostálgica, perfeita e muito mais inspirada na diversidade de Duran Duran – é a faixa que mais gostei.
“Mallory ” retorna ao clima do rock alternativo, mais voltado a energia dos anos 90, explorando som mais soturno, onde os vocais melódicos característicos se destacam com uma linha de guitarras e sintetizadores. A banda dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época.
Seguindo com “Modern Lies”, traz os vocais hipnotizantes e únicos, inspirados em indie rock dos anos 90 e instrumentação muito técnica – faixa perfeita para trilhas sonoras. Aqui, a banda mostra sua inspiração no post punk, rock alternativo e new wave. A faixa mantém o mesmo clima, sem grandes inovações, mas The Breakdown soube usar sua expertise aqui, com canções bem trabalhadas e inovadoras.
Se preparando para o final, “EMERGENCY!” traz tons mais punk rock, embora seja um punk mais moderno, há nitidamente a influência dos clássicos como Sex Pistols, Bad Religion, com uma melodia dançante, perfeita para pistas de dança e facilmente entraria em uma coletânea de new wave. É a faixa mais roqueira do álbum.
O álbum fecha com “Take Me to the Shallow Sensations”, faixa que retorna ao tom denso dos anos 90, criando uma atmosfera melancólica perfeita que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘Distraction Reaction’.
Aqui a experiência é consistente e muito agradável, A banda emula perfeitamente o som dos anos 80 e 90 com o moderno, criando músicas atemporais, e nos faz facilmente viajar nessa experiência sonora, talvez esse seja o maior mérito de The Breakdown – nos fazer sentir em um lugar que jamais estivemos em uma época que talvez nem ele tenha vivido, tudo isso com um som atual.