Che Arthur, um multi-instrumentista, compositor e engenheiro sonoro de Chicago, nos presenteia com seu mais recente trabalho, “For That Which Now Lies Fallow”, o quarto álbum solo desde sua estreia em 2003. Arthur, conhecido por sua participação em grupos pós-hardcore conceituados como Pink Avalanche e Atombombe Pocket Knife, bem como em projetos eletrônicos como Há Subliminal e Professor Downfall, o músico emerge agora com um álbum que serve tanto como crônica de suas batalhas internas quanto como arma cuidadosamente elaborada para combatê-las.
A estética sonora do disco é uma tapeçaria intrincada de influências diversas. Em “For That Which Now Lies Fallow”, essa tapeçaria se desdobra em 10 faixas que exploram uma gama de emoções e experiências, fundindo elementos do pós-hardcore, do rock alternativo e do folk em uma expressão musical única.
A jornada musical começa com “This Lost Champion”, uma faixa que estabelece imediatamente o tom do álbum com seus riffs enérgicos e vocais intensos, uma faixa agitada e que tem de cara a estética punk alternativa 2000 ‘s. Em seguida, somos levados por “No Harbor”, onde o compasso é mais lento e limpo, repleto de condução e guitarras clean, uma reflexiva e explosões emocionais – que esteticamente soa como uma faixa grunge 90 ‘s . Em “In The Gray” os arranjos voltados para o acústico com alguns elementos elétricos e distorcidos continuam deixando o ar “grunge” na faixa. Já em “The Silver”, somos presenteados com um ritmo contagiante e ganchos memoráveis, típicos do Rock Alternativo pesado, esta faixa é a retomada do peso e energia de revolta ao disco. Minha segunda favorita até então, a primeira?! Ainda fico com “This Lost Champion”
À medida que o álbum avança, somos levados por uma montanha-russa de energia, passando pela misteriosa e compassada “Ashes In The Air”, que investe em algo menos agitado, porém ainda lisérgica e explosiva e “The Garment”, que contrastando com as demais, carrega um groove e momentos mais alternativos e um refrão pop. Em “When The World Comes Down”, a primeira coisa que chama atenção é o contrabaixo pesado e ritmado, que chama pela guitarra e a explosão pré refrão, essa faixa tem uma quebra rítmica próxima ao seu fim que chama atenção e surpreende o ouvinte de forma positiva!
Em “Ruiner”, oitava faixa do disco, voltamos ao cadenciado, as vezes o estilo e som de Che Arthur seu projeto, soam como faixas de Stoner Rock e Garage – e o caso desta faixa, ela não é explosiva, mas tem alma stoner e chama atenção por isso! Um excelente trabalho do artista nesta faixa.
Por fim chegamos nas duas faixas finais, “Cold Blood Run Dry” que traz um violão pesado e metálico, como se tivesse saído de um disco da fase final da vida de Johnny Cash e Blues Saraceno e seu Dark Country , enquanto “The Heart Follows” encerra o álbum com uma faixa de voz e violão, misteriosa e melancólica, uma forma de encerrar o disco com um paralelo ao descanso, tanto físico quanto rítmico propondo um adeus em solitude e calma.
A execução instrumental em todo o álbum é impecável. Com arranjos meticulosos e entrega apaixonada que elevam cada faixa, criando uma experiência auditiva envolvente que prende a atenção do ouvinte do início ao fim.
“For That Which Now Lies Fallow” é um testemunho da resiliência humana e da capacidade de transformar a dor em arte. Che Arthur não apenas compartilha sua música conosco, mas também compartilha sua alma. Portanto, vale a ouça.