Era fevereiro de 2003 quando o The Exploited lançou “Fuck The System”, oitavo e último disco de estúdio dos punks escoceses que de lá para cá lançaram apenas singles, compilações e box comemorativos. Já se passaram mais de vinte anos e nada de Wattie e companhia (seja lá qual for, porque a banda muda constantemente de formação) entrarem em estúdio e lançarem um novo petardo. Paciência.
Enquanto isso, uma boa notícia envolvendo justamente “Fuck The System” (2003): fora de catálogo por aqui há um bom tempo, ele foi relançado em CD com quatro faixas bônus pela Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast Records.
O disco encarna o crossover que o The Exploited ajudou a definir: levada punk com riffs de metal. Todas as músicas são dos irmãos Buchan, e a julgar pelas letras, à época eles estavam bem putos com algumas pessoas do seu círculo íntimo, já que há ali mais ataques pessoais do que as usuais letras antigoverno/religião/polícia. O instrumental não fica atrás no quesito raiva, é tudo tocado de forma rápida e direta.
Sem contar as faixas bônus, são treze diretos no queixo, um atrás do outro, em menos de trinca e cinco minutos. Algumas dessas faixas não saíram mais do set list do grupo: “Fuck The System”, “Was It Me”, “Never Sell Out” e “Chaos Is My Life”, uma das músicas mais legais do disco, tem tido presença garantida desde então. Outros bons momentos são “Fucking Liar”, com um baixão bem alto; “Holiday In The Sun”, não confundir com a homônima do Sex Pistols e “I Never Changed”, que tem uma pegada mais puxada para o hardcore.
Uma pena mesmo o grupo ter entrado em hiato desde então, especialmente para mim, que gosto muito do seu som. O The Exploited sempre foi marcado por um som forte e letras provocadoras, sem falar nas tretas fora dos palcos: inimigos declarados da Maximumrocknrol, a “bíblia do punk”, já foram atacados com gás lacrimogêneo por policiais alemães, banidos por alguns anos da Holanda, presos na Espanha, declararam que as Malvinas são britânicas para sempre enquanto estavam no palco na Argentina e Wattie quase empacotou em pleno palco uma vez em Portugal e outra na Colômbia e esse ano ele me fez voltar pra casa sem vê-los, já que horas antes teve um “mal estar” aqui em Belo Horizonte, logo na anunciada última turnê da banda pela América Latina…haja paciência.
“Fuck The System” (2003) é emblemático já que deve mesmo ser o último disco de estúdio do The Exploited (não creio que o quase setentão Wattie tenha fôlego/ânimo para gravar outro disco), contou com o baixista Mikie Jacobs (R.I.P. 2013) e tem uma das capas mais fodas deles graças a repaginada brutal feita em cima da icônica caveira moicana criada por Brian “Pushead” Schroeder.
A edição relançada de “Fuck The System” (2003) saiu no formato digipack com três painéis, contracapa sobressalente e encarte contendo as letras de todas as músicas. Assim como o também relançamento de “The Massacre” (1990), as quatro faixas bônus foram pinçadas de “Death Before Dishonour” (1987).
Formação:
Wattie Buchan: vocais
Mikie Jacobs: baixo
Robbie “Steed” Davidson: guitarra
Wullie Buchan: bateria
Faixas:
01 Fuck The System
02 Fucking Liar
03 Holiday In The Sun
04 You’re A Fucking Bastard
05 Lie To Me
06 There Is No Point
07 Never Sell Out
08 Noize Annoys
09 I Never Changed
10 Why Are You Doing This To Me
11 Chaos Is My Life
12 Violent Society
13 Was It Me
14 Adding To Their Fears (bonus track)
15 Death Before Dishonour (bonus track)
16 Driving Me Insane (bonus track)
17 Pulling Us Down (bonus track)