Resenhas

Human Error

Crones

Avaliação

8.0

Crones é uma banda independente que tem grande potencial para tornar-se global muito em breve, e podemos garantir isso com o lançamento do segundo álbum da carreira, intitulado ‘Human Error’. Ricas em versatilidade sonora, as dez canções são uma odisseia emocionante e transcendental. A música de Crones é um lembrete do grande rock alternativo que surgiu durante os anos 90. O disco foi gravado por Connor Pritchard na Pulp City Music no outono de 2023 e mixado/masterizado por Cory Hanson (Wand/Ty Segall/Meatbodies) para o máximo impacto sonoro.

‘Human Error’ representa a marca única da alma da banda. Há simplicidade e perfeição juntas que tornam o som mais progressivo e grandioso. O som bruto da banda combina elementos de metal alternativo, grunge, acid, stoner de várias épocas, com um toque de psicodélico e desert rock, em um caldeirão rodopiante de guitarras densas e energia sônica impulsionada pelo groove. Com esse disco provam que seguem com a ideologia artística, ousada e cativante, junto com o som penetrante e peculiar, que traz uma atmosfera sonora nostálgica ao mesmo tempo que exala um frescor sincero graças a energia jovial e mente visionária dos integrantes.

Logo na primeira faixa, “Arsenic”, percebemos aonde a banda quer chegar, entregando um choque elétrico de paixão mesclado com uma atitude destemida, onde provam que são uma banda em constante avanço com uma sonoridade que remete ao indie moderno mas riffs pesados do stoner, mas ainda assim com o toque único. A música seguinte, “Dust Cloud”, já mostra o lado multifacetado remetendo também a tons de grunge e shoegaze – na forma da atmosfera densa e sombria. Criando uma vibe majestosa para amantes deste estilo, este disco mostra o quanto a banda adora dobrar e moldar gêneros musicais com sua atmosfera depressiva e sombria. Esta é a minha preferida, pelo sentimentalismo e profundidade.

Subindo impecavelmente na ordem musical com seus riffs em camadas com seções de metais e arranjos progressivos, seu som está amadurecendo em algo único. Em “Automatic Writing”, a banda mantém o espírito do alternativo mas também incorpora os efeitos fuzz nas guitarras com um tom mais depressivo e exala técnica e talento – por isso adorei essa banda, ela mistura diversas referências inusitadas para criar seu som, bem ao estilo que eu gosto pessoalmente. “Dirt” é uma fusão fervorosa e expressiva, uma satisfação conceitual de uma mistura eclética de ideias. Começa com um lick de guitarra distorcido que é compacto e pesado, nostálgico e remete ao grunge sujo, mas também tem tons de punk, com um refrão que entra facilmente em nossa mente e um swing que nos faz viajar, sendo a canção mais selvagem, lembrando muito Alice in Chains e Nirvana.

“Vegas Years” destila a melancolia penetrante e intimista com um ar sombrio e difícil de digerir – um tom que remete a musicalidade profunda do shoegaze, mantendo o ambiente denso. “Pullin’ Saw” é uma viagem que guarda uma genialidade por trás dessa criação absurda e ousada, que tem lirismo cativante.

Uma melodia cativante e atraente com um arranjo musical genuíno é sentida na faixa “Disemboweled Palomino”, sendo a música comercial do álbum que leva o ouvinte aos limites do desconhecido de uma forma prazerosa e impossível de descrever – é preciso ouvir e sentir por si só esse momento, pois os vocais cantam de forma teatral e penetra no ouvinte de uma forma única. “Guts, Glory, Gary” injeta em nossa mente a mensagem, fazendo o ouvinte entrar nessa imersão, trazendo uma sonoridade mais pesada, com vocais femininos do riot grrrl e um toque de acid – eu adorei. “Sickly Hulk” chega com o instrumental drástico, extenso e sombriamente alucinante, mostrando as mentes brilhantes dos garotos do Crones com os melhores riffs de guitarra. Fechando o disco, “Insects Always Die Young” coloca fim a essa viagem maravilhosa, mas despertando a vontade de apertar o play novamente e embarcar nesse mundo criativo do Crones. Essa última faixa traz o lado mais pesado e denso, destilando a nostalgia e o momento sombrio. Com uma técnica e estilo perfeito que remete aos clássicos geniais de bandas grandes.

‘Human Error’ mantem a frequência rústica, conduzindo o ouvinte em uma viagem sonora inesquecível, com destaque na forma como a banda misturou referências dentro do rock e de uma maneira peculiar criou um trabalho atemporal perfeito para os fãs do estilo, conversando diretamente com seu instrumental e com o ouvinte, transmitindo diversos sentimentos de forma satisfatória.

Crones chegou para ficar e já ganhou destaque repleto de ideias vibrantes, exclusivas e de pura nostalgia, sendo uma banda potente, de imersão com um domínio tão forte e confiante sobre seu som, que consegue encantar desde o público mais exigente até quem busca bandas novas. A banda prova que está no caminho certo para estar entre os grandes nomes da música atual.