Resenhas

MTV Unplugged

Pearl Jam

10,0

Finalmente os caras do Pearl Jam se renderam e lançaram em CD a famosa apresentação no MTV Unplugged de 1992. Claro que já conhecíamos a apresentação, seja por áudios que foram pirateados ao longo dos anos ou pelas fitas de vídeo (para os que tem mais de 40, como este redator que vos escreve) ou mesmo através do YouTube, mas agora temos a oportunidade de ter uma cópia original em mãos.

Originalmente gravado em 16 de março de 1992, poucos meses depois do lançamento do icônico Ten, o aclamado disco de estreia da banda, essa apresentação ficou perdida entre tantos outras apresentações da série da MTV e que foi sucesso de vendas. Mas os caras do Pearl Jam são do contra mesmo e quase 30 anos depois e com o mercado fonográfico completamente devastado pelos downloads ilegais, pelas plataformas de streaming e sobretudo, pela ganância das grandes gravadoras, que não souberam se reinventar durante o advento da internet e a facilidade que a tecnologia trouxe à humanidade, certamente a bolacha não terá o mesmo impacto que teria se fosse lançado na época, mas vale e muito o registro, agora oficial.

Lançado pela Legacy Records, um dos selos pertencentes à major Sony Music, sem versão brasileira, portanto, o fã que tiver interesse em adquirir, terá de desembolsar uma quantia considerável. Mas para a galera mais jovem, que infelizmente não tem o costume de colecionar e dedicar parte do seu tempo ouvindo CDs, poderá escutar nas plataformas de streaming.

Voltando um pouco no tempo, não é novidade que a banda lançaria tal apresentação, uma vez que em 29 de novembro de 2019, a banda o lançou em formato vinil e com edição limitada. Em 23 de outubro de 2020, a alegria foi completa, com o lançamento em CD e sem limitação de cópias.

Em 1992, o Pearl Jam havia voltado de uma exitosa turnê pela Europa. Era a época em que um novo movimento surgia: o Grunge. Muitos torcem o nariz, mas a importância do movimento para o Rock foi imensa, uma vez que o estilo estava em baixa e bandas como o próprio Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden e Alice in Chains estavam na crista da onda, com músicas estourando nas rádios e clipes fazendo sucesso na MTV, alavancando as vendas de discos. Então a banda se reuniu no Kaufman Aurora Studios, em Nova Iorque. A apresentação é curta, é bem verdade, mas com certeza, uma das melhores de toda a série da Music Television. São apenas sete faixas, sendo seis que figuram no álbum “Ten” e a belíssima “State of Love and Trust”, que infelizmente jamais fora lançada em um disco de carreira, limitando se a fazer parte da trilha sonora do filme Singles, que no Brasil ganhou o título de Vida de Solteiro. A banda na ocasião tocou uma versão de “Rockin’ in a Free World”, de Neil Young, que acabou não entrando no play por alguma razão. Vamos então destrinchar cada uma destas faixas, que foram praticamente respeitadas na ordem do show original, apenas as faixas Porch e Even Flow foram trocadas.

Oceans” abre a apresentação e temos uma performance épica da banda, além de uma interpretação estupenda por parte de Eddie Vedder. Sensacional. “State of Love and Trust” vem a seguir, esta é uma das minhas faixas favoritas de toda a carreira da banda e os caras sentam a mão, ainda que não tenhamos guitarras pesadas e distorcidas. Era muito bom ver o Pearl Jam com toda essa energia, lá nos primórdios.

Alive” e outra performance impecável da banda. O baterista Dave Abbruzezze parecia desconhecer o significado da palavra Unplugged. O cara estava com uma sede e desceu o braço. As coisas permanecem no alto com a clássica “Black” que é emendada e mais uma vez Eddie Vedder interpretando maravilhosamente bem. Aliás, essa música não tem como dar errado, tanto na versão original, quanto aqui ou ao vivo

A sequência de clássicos continua com “Jeremy”, mas também é até covardia se resenhar um show cujo setlist tinha apenas o único e melhor (para muitos) álbum da banda. A música embora tenha gerado polêmica por ter sido inspirada em uma história real, não deixa de ser genial, com destaque para as viradas de um assombroso Dave Abbruzezze em seu kit de bateria na parte final desta.

Outro petardo chega e ele atende pelo nome de “Even Flow”. Com seu Groove e swing, ela funcionou muito bem na versão desplugada e mostrava que a banda estava muito afiada. E permaneceria assim até se perder em meio ao processo de auto sabotagem que a própria banda promoveu na segunda metade dos anos 1990.

O grand finale vem com “Porch”, uma música poderosa e que aqui os caras “maltrataram” seus instrumentos como se estivessem em cima do palco tocando com tudo ligado, mas aqui eles permaneciam sentados. Dá para imaginar Eddie Vedder escalando as estruturas de palco dos shows que a banda fazia na época. Os caras chutaram tudo para o alto e o final ficou fantástico por isso.

A apresentação é curta e a edição tirou as partes que a banda fica “enrolando” entre uma música e outra. É tão bom poder ter acesso a essa gravação, pois nunca ficou bem compreendido a razão pela banda levar longos 28 anos para soltar essa pérola, sendo que eles lançam em disco todas as suas apresentações ao vivo. É bom rever essa energia, que anda faltando à banda atualmente. Esse é o Pearl Jam que foi a teenage band deste redator que vos escreve, com essa atitude Rock and Roll, com essa energia visceral e o vigor da juventude. Claro que o set poderia ser mais extenso, faltaram músicas como “Once” ou “Deep”.

E se demos sorte em ter a banda topando fazer esse show antes de eles romperem com a própria MTV e o restante da mídia, fica a dúvida de como seria se a apresentação fosse um ano mais tarde, poderíamos ver como seria a banda tocando as músicas de “VS.”, o segundo e meu favorito álbum da banda. Um documento histórico, ainda que o leitor torça o nariz para as bandas de Seattle, mas na época o Pearl Jam realmente fez a diferença e ajudou a colocar o Rock na crista da onda, de onde o estilo nunca deveria ter saído.

Faixas:

01 – Oceans

02 – State of Love and Trust

03 – Alive

04 – Black

05 – Jeremy

06 – Even Flow

07 – Porch

Formação:

Eddie Vedder – vocal

Stone Gossard – violão

Jeff Ament – baixo acústico

Mike McCreaddy – violão

Dave Abbruzezze – bateria

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