Resenhas

Nightmares of the Decomposed

Six Feet Under

9.5

Demorou exatos 26 anos para que pudéssemos testemunhar novamente a dupla Chris Barnes e Jack Owen trabalhando juntos novamente. E a espera valeu a pena, pois o SIX FEET UNDER chega com “Nightmares of the Decomposed”, que dificilmente não será aclamado o melhor álbum deste atípico ano de 2020 de Coronavirus.

E após três anos de espera, a banda capitaneada por Chris Barnes nos brinda com este petardo, o 17° da longeva carreira e o 13° de inéditas (eles têm quatro álbuns de covers). Jack Owen não é a única novidade no lineup do SIX FEET UNDER. Além do “dono” da banda, apenas o baterista Marco Pitruzella estavam presentes no disco anterior, “Torment”. O excelente guitarrista Ray Suhy e o baixista Jeff Hughell chegaram também para reforçar esse time, que ficou redondo.

A banda trabalhava desde 2019 neste play. As gravações aconteceram no “Criteria Studios”, em Miami, Flórida. O quinteto esteve acompanhado de Chris Carroll, responsável pela produção, mixagem e engenharia de som. O resultado, vocês saberão nas linhas abaixo.

“Amputator” chega com tudo abrindo o play, com riffs rápidos e brutais. Uma velocidade incrível como nunca o Six Feet Under soou antes. Que sonzaço. “Zodiac” traz de volta aquele Death Metal arrastadão e grooveado ao qual estamos acostumados, com viradas fantásticas protagonizadas pelo baterista Marco Pitruzella. E é outra sonzeira arrebatadora.

“The Rotting” traz mais Groove com as guitarras brilhando sejam nas bases, uma mais cavernosa do que a outra, ou no solo, muito bem elaborado. O disco começa com uma trinca para ninguém colocar defeito. “Death Will Follow” já traz uma faceta mais Death N Roll, muito parecido com o que o CARCASS apresentou no álbum “Swansong”. Uma roupagem mais moderna é apresentada pelo SIX FEET UNDER e o resultado foi espetacular.

“Migraine” é pesada, densa e não menos brutal, mostrando o quão boa foi a entrada de Jack Owen na banda. “The Noose” conta com alguns dos riffs mais impressionantes  apresentados pela banda desde “Haunted”, o disco de estreia. São riffs nervosos e que vão se alternando com o vocal de Barnes, ou seja, você escuta a metralhadora das guitarras de Jack Owen e Ray Suhy para nos intervalos, o vocal acompanhado apenas da bateria tomarem conta. E um ótimo solo de guitarra. Sensacional.

A segunda parte da bolacha começa com “Blood of the Zombie” que traz bastante groove em sua intro e vai se desenvolvendo com um clima bem atmosférico e belas linhas de baixo protagonizadas por Jeff Hughell, além de outro solo pra lá de competente. “Self Imposed Death Sentence” traz mais riffs nervosos e mais quebradeira sonora, mostrando que de longe, essa é a formação mais técnica que Chris Barnes já conseguiu em toda a história do SFU.

“Dead Girls Don’t Scream” traz além de uma letra engraçada, mais riffs sensacionais, que hipnotizam o ouvinte e um refrão que gruda. Isso mesmo, caro leitor, eu vivi para vir o SIX FEET UNDER nos apresentando uma música com refrão grudento. É, o ano de 2020 está sendo diferente e no caso aqui, o diferente é ótimo.

E essa máquina de fazer riffs chamada Jack Owen traz mais riffs poderosos na excelente “Drink Blood, Get High”. Os riffs se alternam em cavalgados e outros mais Rock and Roll, sempre com muito peso. Aqui o refrão repetitivo também gruda na mente do ouvinte. “Labyrinth of Insanity” é outra faixa densa, pesada e com outro solo maravilhoso executado por Ray Suhy. A destacar também as bases, excelentes.

“Without Your Life” encerra o play da mesma maneira que ele começou, com uma faixa rápida, brutal e pesada, convidativa a um belo moshpit, coisa impensável ao menos por enquanto. A diferença em relação a faixa de abertura é a mudança brusca de andamento no meio, sendo essa parte bastante interessante, mas logo logo a velocidade volta com tudo, sendo o Grand Finale.

E aí você se dá conta de que passaram 43 minutos em 12 músicas que nasceram clássicas. Com certeza a grande obra do SFU em anos, o que não é surpresa para ninguém. Ou alguém achava que a dupla que foi ajudou a criar alguns dos clássicos do CANNIBAL CORPSE não teria êxito nesse reencontro?

A produção está impecável, as músicas, idem; o tempo de duração está excelente. Não há adjetivos para qualificar esse play do SIX FEET UNDER. Um discaço para ninguém colocar defeito. É para ouvir no talo. Ansioso estou para que esta pandemia nos dê uma trégua para que possamos ver a banda executando as músicas deste “Nightmares of the Decomposed” ao vivo. Vai ser matador.

Faixas:
01 – Amputator
02 – Zodiac
03 – The Rotting
04 – Death Will Follow
05 – Migraine
06 – The Noose
07 – Blood of the Zombie
08 – Self Imposed Death Sentence
09 – Dead Girls Don’t Scream
10 – Drink Blood, Get High
11 – Labyrinth of Insanity
12 – Without Your Life

Formação:
Chris Barnes – Vocal
Jack Owen – Guitarra
Ray Suhy – Guitarra
Jeff Hughell – Baixo
Marco Pitruzella – Bateria

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do site Headbangers News e é de responsabilidade de seu autor.