Resenhas

Rashomon

Ibaraki

8.9

O álbum "Rashomon" reverencia a ancestralidade de Matthew Kiichi Heafy assim como o black metal nordico reverencia os antepassados vikings. O frontman do Trivium nunca escondeu sua admiração pelo black metal e para esta empreitada convidou nomes de peso como Ihsahn (Emperor), Nergal (Behemoth) e Gerard Way (My Chemical Romance). A mistura resultante destes encontros inusitados vagueia entre o metal extremo progressivo e as raízes do black metal norueguês.

Eu não sei afirmar até que ponto este projeto chamará a atenção de quem é fã de Trivium ou de quem é fã de black metal, mas sempre teremos os chatos que vão torcer o nariz para determinadas inovações e experimentações.
O fato concreto e que pode ser facilmente percebido é que temos o metal extremo sendo levado para outro nível, com interações e trocas de experiências entre estes músicos renomados.
Deve ter sido libertador para Heafy usar toda as sua criatividade para criar o novo som de Ibaraki. Momentos de vocais limpos, rajadas de instrumentação tradicional japonesa, grunhidos escabrosos, passagens de pura fúria primal e instantes recheados de ritmos lentos que fazem sua mente vagar, para depois ser arrastada novamente para este abismo sonoro.
O embrião para a criação do álbum de estreia “Rashomon” veio há anos atrás, para ser mais exato em 2009. Quando Heafy teve seu primeiro contato via e-mail com Ihsahn, da lendária banda Emperor, que culminou numa amizade que perdurou até a consolidação da gravação deste trabalho. Aliás, a personalidade e criatividade do norueguês são perceptíveis nas faixas que ele ajudou a criar e atuou como produtor.
Outro destaque é a performance de Nergal, vocalista do Behemoth, na faixa “Akumu” que pode ser traduzida como “pesadelo”, nada mais apropriado para a música co-escrita por Ihsahn.
Mas não se enganem, o cerne do Trivium também está presente na sonoridade, pois o baterista Alex Bent, o baixista Paolo Gregoletto e o guitarrista Corey Beaulieu contribuíram com várias faixas. Podemos até achar que se trata de um projeto “familiar”, pois até a esposa de Ihsahn, Heidi contribuiu com a obra.
Com fascínio hipnótico, podemos passar de faixa a faixa maravilhados com a atmosfera tão habilmente empregada para expressar o espírito do projeto e a necessidade de ir além na canalização de Heafy mostrar a sua verdadeira alma ao mundo.
Seria este um trabalho extremamente “comercial” para a cena black metal?
Considero que na verdade é arte em sua forma mais pura, sem se preocupar com rótulos ou definições pragmáticas como vemos hoje em dia na indústria musical. Me parece que é um álbum que foi feito para dar vazão à criatividade e não somente para capitalizar visando o “vil metal”.

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