‘Midwave’ é o novo lançamento do grupo Starchmeme, influenciado pelo som indie alternativo e grunge esse álbum traz fortes referências de Soundgarden e Radiohead em sua veia, mixado a um estilo único e consistente que podemos encontrar só com os caras do Starcheme. Quando ouvi o álbum pude notar nitidamente essas influências., que nada atrapalharam na originalidade e qualidade sonora do grupo. É seguro dizer que esses caras ingeriram as influências ao seu redor e misturaram alguns pedaços da cena musical em que cresceram cercados, enquanto criavam um estilo característico e único para si mesmos.
A faixa de abertura, Act Like I, tem um ritmo arrastado, lento e sofredor, que nos coloca em um estado de lisergia e transe logo nas primeiras notas de baixo e guitarra da canção. A linha de baixo e a percussão da música tem um sombrio tema que vão te lembrar a atmosfera de Darkside of The Moon do Pink Floyd, e a estética de “Comfortably Numb”, só que nas mãos de Starcheme. Também temos o ruído e o barulho da distorção das guitarras sujas que te colocam numa viagem um pouco diferente de sua referência, algo de muito bom gosto e originalidade.
Essa faixa de abertura já insere o público a um universo melancólico e obscuro do grupo, a segunda faixa “Shining Shore” segue a mesma linha,a introdução emblemática é mágica e prepara para uma proposta diferente da primeira canção, acrescentando um teclado agudo que parece inspirado no rock dos anos 70’s dos Doors. Nesta faixa, os teclados e vocais brilham muito mais do que na primeira faixa e cumprem uma função de deixar a canção mais leve que a anterior.
A terceira faixa, “Minimoon” começa rompendo com a atmosfera lúgubre das canções anteriores, com uma batida eletrônica pop e as guitarras simplistas e “picotadas” trazem uma inspiração nos anos 2000, com toda certeza. A música mantém aquela sensação baladeira popular dançante e eletrônica em todo seu corpo, mantendo o ouvinte com vontade de se deixar levar pelo som. É impressionante como uma canção tão diferente consegue ser ainda esteticamente fiel ao estilo da banda. A música tem uma seção instrumental que é super divertida e, mais uma vez, moderna. Isso com certeza te fará torcer o nariz ou adorá-los de vez.
“Push Your Luck” é a quarta de um total de 12 canções deste álbum tão diferente. A banda aqui volta a atmosfera arrastada, mas ainda sim, mantém o pop da canção anterior, de forma natural e progressiva, de alguma forma adiciona mistério e drama, os vocais aqui são muito responsáveis por isso. Não há nada de muito complexo, rápido ou qualquer fábula técnica, as canções deste álbum estão puramente conduzidas pela lisergia e a “boa trip”. Coisa que a quinta canção, “Fine Fear” corta um pouco, esta é uma outra canção que carrega um peso pop dançante com seus teclados e pré refrões que sugerem ,estilisticamente falando um estilo Arctic Monkeys de condução musical, bateria simples, bem marcados e lento.
“Lost At Sea” traz de volta a estética grungeira ao repertório de Starschem, com guitarras distorcidas e pontuais, baixo proeminente e filtros vocais que reproduzem o efeito radiofônico da compressão. Uma linha de baixo excelentemente rítmica mantém a faixa interessante a todo momento, para ouvintes que procuram um som mais voltado para o Indie/ garage “Lost At Sea” é o que mais se parece.
A sétima canção “Do The Math” é a segunda canção mais curta deste álbum, nesta canção os vocais estão livre dos filtros e soam limpos quase não se ouvem guitarras aqui, é importante dizer que o baixo é o estomento mais presente no álbum todo. Gosto disso. Eu amo como o baixo soa forte e muito proeminente, a bateria mais dinâmica e abusando da condução – toda a produção é muito uniforme e consistente, para ser honesto. O riff de guitarra em slide que circula durante essa música é outro daqueles sons que você fica tentando imitar por horas em sua cabeça mesmo depois do fim da audição.
“Pick Me Up Put Me Down”, marca a reta final do álbum. Com uma atmosfera etílica, e quase “confessional”. Não há como ficar sem exclamar junto aos vocais quando chega o refrão “Come and go comes and goes so easy”, mesmo que tudo isso aqui já tenha se estabelecido, é como se esses elementos não tivessem aparecido no álbum antes. Já em ‘Keep Up”, não há nada para não amar nesta faixa, carregando um teclado digno de comparativos com Procol Harum e Rainbow e como ela o transporta instantaneamente para os anos 70 com seu som. Além disso, o solo possui uma excitação ímpar que é muito cativante.
A Nona faixa “Keep Up”, diferente da anterior, começa com alguns acordes pesados e abafados, acompanhados pelo evidente e corpulento contrabaixo e um órgão que novamente evoca o caminho Procol Harum/ Pink Floyd que traz o tempero diferenciado da canção. As linhas de bateria são simples, mais rock progressivo e vibrações técnicas vão fazendo com que a canção cresça. O único problema da música para mim é que ela acaba. Já “Major Paulish” tem uma vibe mais brilhante e hitmaded, com pianos alegres, guitarras e percussão marchantes, é uma canção que carrega alegria em sua essência, mesmo que a letra não seja tão alegre, são coisas legais pelos quais geralmente o art rock e o rock progressivo são conhecidos e que fazem essa canção ser tão legal quantos as outras do álbum.
“Light Speed Desperado” é a penúltima faixa do álbum e é uma faixa muito divertida, o riff de contra-baixo do inicio é como a trilha de um jogo de video game, e é encantador a forma como essa canção cresce a ponto de conseguir me confundir e suspeitar da influência do Stoner aqui, talvez essa aqui seja sim minha favorita do álbum, só porque ela carrega essas passagens de refrão e preparação que me colocam em uma clipe de “Baby Driver”. Simplesmente Maravilhosa. A psicodelia e lisergia que se inicia em seus 2min quando a música simplesmente para para deixar o teclado e uma atmosfera de fundo que lentamente volta a crescer de forma lenta e psicodélica até você notar somente aos 5min ela gigantesca e crescente se concluindo em um groove pesado digno de Black Sabbath.
Chegamos ao ponto final, Act Like II , Assim como um álbum conceitual , Midwave tem seu encerramento que nos remete ao começo, Starscheme traz de volta a sequencia de notas da primeira faixa porém esta aqui iniciasse com os vocais em a capela e um piano distorcido ao fundo que trazem essa atmosfera de fim de um épico, esse final lembra muito o que Thirty Seconds To Mars costuma desenvolver. E de forma muito profunda nos despedimos do universo melancólico e obscuro apresentado no começo da audição.
Estilisticamente falando, esse álbum é um mix de boas e profundas referências, a forma como é arranjado mantém tudo dentro do reino daquela personalidade Starscheme, e isso é incrível.Você vai se lembrar do Radiohead, Pink Floyd, Rainbow e muitas outra centenas de coisas, e isso vai te conectar com o som. Essa atmosfera sombria e dramática que fãs de rock procuram especificamente, e você com certeza irá achar aqui.