Sun Of Erebus uma banda de metal extremo originária de Los Angeles, emerge com seu EP de estreia autointitulado, trazendo uma sonoridade crua e direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do gênero. A banda entrega uma performance densa e brutal em todas as 6 faixas do álbum, onde sua música é um testemunho de sua rápida sinergia criativa, enquanto navegavam por novos caminhos, como a composição virtual por meio de chamadas via ZOOM.
A abertura com o prelúdio “Solar Rebirth” é um convite para o mundo pesado e sombrio de Sun Of Erebus, com riffs densos, pianos sombrios e uma orquestração digno de filmes de terror, onde não sabemos o que nos espera – parece até uma introdução de uma banda gótica.
A seguinte, “Delusionist” acelera com ritmo cadenciado e grave, emulando o som gordo e distorcido do Death Metal americano mas mantendo a energia sombria do black metal melódico, com pianos e vocais guturais penetrantes. O fundo de orquestra mantém o ambiente do blackened death metal moderno. Os vocais guturais graves começam dar espaços para leves guturais agudos e estridentes ao estilo Dani Filth.
Antes de seguir com audição, é bom citar que este trabalho explora uma série de eventos pessoais que abrangem os últimos quatro anos, explorando temas como traição, autodescoberta através de desafios e superação de adversidades.
Em “Descending”, começa com os riffs de black metal, com atmosfera sombria, frieza entre palhetada tremolo. O som mantém o clima rápido e agressivo característico do grupo. Detalhe interessante é ouvirmos os trastejos dos dedos escorregando nas cordas distorcidas, que criam ruídos agudos e enfatizam ainda mais a violência do som. Esta faixa é mais rápida e com vocais mais raivosos, sendo a perfeita para os fãs que curtem algo de mais peso e oldschool.
“Venomed Blade” continua com a orquestração e um ambiente mais sombrio, retirado do gothic metal, mas logo temos as características que o grupo propõe. Os vocais aqui tem algo mais encantador, estão mais melódicos, roucos e particularmente, mais charmosos. É possível sentir a energia e sentimentos com o jeito do vocalista gritar seu desespero – que fica mais nítido com os vocais em coral ao fundo, que clamam.
Um EP de 6 faixas parece pouco, mas até você perceber que todas as faixas tem mais de seis minutos, em uma ópera de metal extremo . O processo de gravação foi uma jornada única, com sessões em diversos locais, incluindo o ambiente intimista das casas uns dos outros e o ambiente profissional do “Birdcage Studios”, em Los Angeles, para os vocais.
Enquanto, ”The Nameless One” explode com riffs melódicos esinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater cabeça. Deduzo que é a faixa mais rápida, que traz toda a vibe do death metal oldschool, tanto pelos riffs quanto pelos vocais. Mas somos surpreendidos com a mudança de ambiente, que deixa o clima mais ameno, e do nada, volta com a sonoridade black metal. É uma música ótimo para quem gosta de algo diferente e surpresas.
Encerrando nossa jornada, a faixa-título “Sun Of Erebus”, a música mais longa do disco em uma tempestade sonora. A banda entrega uma faixa dilacerante, combinando a agressividade rápida e os vocais do black metal com a tecnicidade e os riffs brutais do death metal, muitas vezes incorporando elementos atmosféricos ou melódicos. A faixa, como de costume, muda de ambiente quando chega na metade, surpreendendo o ouvinte. A faixa se apresenta como um encerramento épico, afinal é a faixa mais complexa e diferente do disco, com variações rítmicas e um trabalho de solo mais melódico, a faixa é uma explosão de dinamismo sonoro brutal e incontestável.
É importante notar que Sun Of Erebus se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de death / black metal. O grupo pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais, porem, usam da receita clássica para misturar de uma forma única. É para aqueles que são fãs de bandas como Cradle of Filth, Behemoth, Dimmu Borgir, Abbath e algo a mais.
Sun Of Erebusoferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais guturais e uma atmosfera sombria. Para os apreciadores de blackened death metal moderno, este trabalho é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero mas explorarando novos territórios sonoros.