Resenhas

Torn Arteries

Carcass

8.5

A banda CARCASS não deixou de surpreender seus fãs desde seu fatídico retorno com o grandioso “Surgical Steel”. “Torn Arteries” apenas supera a expectativa se CARCASS poderia manter o nível de composições e acender ainda mais o “hype” entorno de uma das bandas mais tradicionais do metal extremo inglês. Vou usar como exemplo o nome da faixa que inicia a segunda parte do novo álbum da banda que se chama “Flesh Ripping Sonic Torment Limited” que possui a duração de 9 minutos e 43 segundos. Ao ver a extensão da música logo é de se preocupar, pois se tem logo a impressão da banda ter alterado completamente o seu estilo grindcore/death metal. Não se preocupem. Apesar de a música começar com um violãozinho maroto, a destruição exaustiva de metal extremo que vem logo a seguir é uma pura demonstração de brutalidade. Os vocais de Jeff Walker estão mais guturais do que nunca e os riffs de guitarra criados por Bill Steer com a adição de Tom Draper (POUNDER) trazem á música um caos sonoro e o retorno do baterista Daniel Wilding nunca soou mais brutal. Estes elementos se mantêm consistentes através de todas as mudanças de compasso da música – mesmo sendo uma velocidade absurda ou um momento mais cadenciado.

Toda a estrutura e consistência que CARCASS montou em anos de carreira retornam em 2021 e hoje são a coluna musical deste álbum. A banda teve seu retorno triunfante em 2013 com o álbum “Surgical Steel” e provou que a mágica de seus shows de reunião não ficou apenas em tocar seus grandes clássicos. Todos agora sabem o que a encarnação moderna do CARCASS é capaz e tudo crédito da banda que reconheceu tudo isso gravando e compondo “Torn Arteries”. Mas não se engane, não há surpresas, enrolações desnecessárias ou tentativas de se aproximar de convenções de forma gratuita.

“Torn Arteries” é uma simples reafirmação para os clones ou aqueles que se parecem com eles de tirar o cavalinho da chuva – CARCASS continua melhor que qualquer outra banda parecida e gerando uma sensação de brutalidade sinistra com cada riff e letra. Parece meio estranho usar  a frase “precisão clínica” dada á natureza das letras da banda tendo em vista seu histórico, mas é verdadeira quando é utilizada para descrever o impacto delas como elas enaltecem cada música.

Wilding mais uma vez mostra por que Jeff e Bill Steer colocaram toda sua confiança em sua capacidade em tocar a bateria, liderando o grupo á batalha com explosões de batidas para a faixa título e a diferentona “Dance of Ixtab”. Draper também prova que foi uma adição necessária para a formação da banda com linhas destruidoras de guitarra em “Eleanor Rigor Mortis” que com muito bom gosto dá sinais de muito groove e ferocidade nas escalar em “Kelly’s Meat Emporium”, enquanto Bill Steer se consagra com a guitarra combinando batidas nas cordas com riffs melódicos na faixa que mais lembra a Era “Heartwork” com a faixa “Under The Scalpel Blade”, enquanto Walker mais uma vez traz uma fundação sólida com riffs de baixo que são quase tão viscerais quanto seus vocais.

CARCASS poderia facilmente ter se apoiado nos louros recebidos em “Surgical Steel”, dado uma panguada com um álbum genérico e certamente seria perdoado pela forte base de fãs que a banda possui. Felizmente a banda fez o contrário e trouxe mais um grande petardo para sua excelente discografia. O hype é real. “Torn Arteries” está entre nós e já configura como um dos melhores álbuns do ano.

Formação:

Bill Steer (guitarra, vocal)
Jeff Walker (baixo, lead vocal)
Daniel Wilding (bateria)
Tom Draper (guitarra)

Faixas:

1. Torn Arteries
2. Dance of Ixtab (Psychopomp & Circumstances March No. 1)
3. Eleanor Rigor Mortis
4. Under The Scalpel Blade
5. The Devil Rides Out
6. Flesh Ripping Sonic Torment Limited
7. Kelly’s Meat Emporium
8. In God We Trust
9. Wake Up And Smell The Carcass / Caveat Emptor
10. The Scythe’s Remorseless Swing

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