Ian Leding emerge com seu novo álbum ‘WAKE UP!’, trazendo uma sonoridade crua e autêntica do post punk, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional até os mais moderno do gênero. Ian Leding combina suas diversas influências dos anos 90 em um som dinâmico e explosivo e entrega uma performance densa e melancólica em todas as 9 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagensfolk noir, darkwave, rock gótico e indie, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de inquietação. O álbum prova a capacidade do Ian Leding de equilibrar emoção e energia, criando um registro coeso e dinâmico, segundo comunicado à imprensa, “Não foram utilizados samples ou programação na gravação. São apenas bateria, baixo, guitarras elétricas e vocais ao vivo”.
O álbum combina letras introspectivas com um instrumental que alterna entre impulsos pop-punk, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco de faixas cruas, onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora. Totalmente DIY, este álbum nos traz a nostalgia de tempos passados, é como colocar um LP para tocar.
E a banda já prova isso na abertura com “Angel , um convite para o mundo pesado e emotivo, com riffs sombrios e melódicos e vocais intensos que demoram a aparecer, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som melancólico do gótico. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influênciado por Dead Can Dance, Bauhaus, Fields of the Nephilim, Clan of Xymox e mais!
Em “Girl with the far away eyes” o tom melancolico característico do gótico continua Os vocais fortes trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção na voz. Impossível ouvir essa banda e não achar que são da mesma época que The Mission, Echo & The Bunnymen e Sisters of Mercy, Joy Division. Já na segunda faixa é notável que as canções retratam cenários de turbulência interior, perda e esperança frágil.
Seguimos com “Night horses” que traz riffs mais densos e melódicos, onde é possível perceber a influência oldschool da banda no peso emocional, mas nesta há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.
Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “No one sleeps tonight”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade em um revivel incrível, é perfeitamente mostrado aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto. É faixa mais comercial, perfeita para rádios.
“When youth begins to fade” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais emotiva do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e mais melodia, tornando-se a faixa perfeita para um show, mas ainda assim mantendo o clima melódico – aqui lembramos muito Jesus and Mary Chains e Gene Loves Jezebel.
“Strange world” continua a densidade e melancolia com riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para contemplar esse mar depressivo e tão belo. Vocais de que dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mantendo a energia underground do post punk soturno, uma faixa perfeita para caminhar no cemitério.
Em “Leviathan”, retorna com o som mais agitado para os morcegos dançarem e entrega riffs de guitarra memoráveis e vocais cheios de sentimento que desabafam e mesmo que não entende a língua cantada, consegue sentir o peso da emoção. Adorei esse disco, é surpreendente e há tempos eu não pegava uma banda que com a mesma energia da minhas bandas preferidas de post punk, darkwave, gothic rock…Principalmente pelo clima sombrio, vocais graves e guitarras atmosféricas
Preparando os ritos finais, a faixa título surpreende pela versatilidade, instrumental denso que carrega forte energia nostálgica. É mais uma faixa que explode melancolia e riffs sinuosos e densos, que arrastam o ouvinte em uma viagem depressiva mas com toda beleza que só o gótico consegue fazer. O disco lembra bastante essa onda moderna de post-punk revival/darkwave que mistura nostalgia oitentista com produção atual.
Para encerrar, “Beyond words” entrega um história soturna mantendo o som denso e sombrio, que já é assinatura do Ian Leding, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais profunda. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito. Simples e perfeito.
No entanto, é importante notar que Ian Leding não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de post punk, o artista pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Ian Leding oferece exatamente o que se espera – e eu adorei. Para os apreciadores de gótico, ‘WAKE UP!’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero e proporcionando uma viagem no tempo.