O diretor audiovisual Luis Gustavo Rosa de Moura, integrante da banda Pepous People, lança o documentário Lampejo do Underground Mineiro II, produção que registra parte da cena metal underground de Minas Gerais e dá continuidade ao projeto iniciado na primeira edição.
Segundo o realizador, a ideia de produzir uma sequência surgiu a partir da repercussão do trabalho anterior.
“Ela veio do desejo da galera que assistiu o primeiro, um desejo pra que houvesse uma continuação, e consequentemente meu desejo também, porquê foi divertido, foi algo que nasce da minha paixão por música, então me perguntei, porquê não?”
O documentário foi gravado durante o primeiro evento promovido pela produtora Lodo. Na ocasião, participaram as bandas MãesMorrendo, responsável pela abertura da noite, Orbe Cruciger e Old Auldrey’s Funeral, que encerrou a programação.
Produzido de forma independente, o projeto exigiu que Luis Gustavo assumisse diferentes etapas da realização. Para ele, o principal desafio desse modelo de produção está na necessidade de concentrar diversas funções em uma única pessoa.
“No primeiro, meu amigo Igor Silveira mixou as músicas pra mim, esse eu já fiz total independente.”
O diretor afirma que a divulgação foi uma das áreas que poderiam ter recebido mais investimento, especialmente pela dificuldade de acesso a recursos para campanhas de promoção. Ainda assim, destaca que gosta de participar de todas as fases da produção, incluindo roteiro, gravação, edição e tratamento de som.
Em comparação com a primeira edição, Luis Gustavo aponta que o maior tempo disponível para planejamento e pós-produção foi determinante para a evolução do projeto. Segundo ele, isso possibilitou melhorias na iluminação, na captação de áudio e no desenvolvimento das entrevistas.
“O tempo também beneficiou muito bem o roteiro, senti mais estrutura nas entrevistas, fluiu bem, rendeu entrevistas mais ricas.”
Para o diretor, o trabalho autoral é essencial para a manutenção e o fortalecimento da cena underground mineira.
“Quando o artista decide trabalhar com o autoral, ele alimenta essa fogueira que é a cena musical, que começou com os cara lá de trás, moveu a cultura, fez show e história.”
Ele também destaca o papel da coletividade dentro do underground, ambiente que considera responsável pela criação de vínculos, oportunidades e iniciativas culturais.
Ao comentar o que o público pode encontrar no documentário, Luis Gustavo ressalta a diversidade presente no metal contemporâneo e contesta a ideia de que o gênero perdeu força ao longo dos anos.
“Que o rock tá vivo!”
Segundo ele, a produção apresenta diferentes abordagens ligadas ao doom metal, incluindo influências de sludge, doom tradicional e heavy metal, além de retratar uma comunidade ativa e em constante movimento.
Sobre o momento atual do metal underground em Minas Gerais, o diretor avalia que o cenário vive uma fase favorável, impulsionada pelo acesso ampliado a editais, festivais e mecanismos de incentivo cultural.
“Agora ele tem mais meios de propagar sua arte, e receber por isso.”
Ele também observa uma mudança na postura das bandas diante das relações de trabalho, com debates mais frequentes sobre questões consideradas injustas por artistas e produtores.
Além do documentário, Luis Gustavo vem desenvolvendo trabalhos na área da fotografia, explorando propostas experimentais e abstratas voltadas para exposições, comercialização de obras e criação de capas de discos. Entre os projetos em andamento estão a produção de um álbum com a Pepous People, um EP em parceria com amigos e novas composições experimentais.
Mesmo com outras iniciativas em curso, o diretor afirma que pretende dar continuidade à série documental.
“Mas ainda quero fazer o Lampejo III esse ano, tem muito trem bacana acontecendo, muito rolê, muito som, que eu quero documentar.”