Fine Red Mist promove seu EP de estreia auto intitulado, trazendo uma sonoridade direta, que vai agradar especialmente os fãs do estilo mais tradicional do rock alternativo até os mais moderno do gênero. Fine Red Mist combina suas diversas influências dos anos 90 em um som dinâmico e explosivo e entrega uma performance densa e agressiva em todas as 5 faixas do disco. Com uma combinação engenhosa de passagens dream pop, shoegaze e alternativo, cada faixa deste álbum mergulha o ouvinte em um mundo exuberante e sombrio, repleto de inquietação. O álbum prova a capacidade do Fine Red Mist de equilibrar emoção e energia, criando um registro coeso e dinâmico.
Profundamente sincero e carregado de emoção, o álbum combina letras introspectivas com um instrumental que alterna entre impulsos do shoegaze, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora. Gravado inteiramente no Lake Effect Studios em Battle Creek por Joby W. Purucker, o lançamento aconteceu em em 14 de março de 2024.
E a banda já prova isso na abertura com “Half Life” , um convite para o mundo pesado e emotivo, com riffs pesados e melódicos e vocais intensos de eff Clements, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som melancólico mas liricamente agressivo do shoegaze. Uma faixa muito sentimental e com uma melodia que nos vicia, nitidamente influenciado por My Bloody Valentine e Slowdive.
Em “No to: Former Self” o tom melancólico característico do shoegaze continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um LP de uma banda dos anos 90, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais sentimentalismo, sendo possível sentir a emoção na voz. Nessa canção há mais detalhes que mostram influência de Cocteau Twins, onde os vocais estão mais etéreos, mas ao mesmo tempo está carregado. Os riffs mais densos e melódicos, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.
Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “The Fourth Wall”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade dessa vez com tons de grunge, é perfeitamente mostrado aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto. É a canção mais comercial do disco, perfeita para rádios e o hit mais esperado no show da banda.
“Hashish Bros.” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais emotiva do álbum, mergulhando no terreno da introspecção noturna – pode ser descrita como a balada do disco. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade densa, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio de intensidade, mas ainda assim mantendo o clima melódico. Aqui continua aquela brutalidade escondida atrás da melancolia e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para bater reflexão. Aqui sentimos muita influência do rock dos anos 90 com violão acústico que dão uma nova textura, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do estilo – essa lembrou muito o estilo da banda Placebo e é a faixa que mais gostei.
Para encerrar, ““Diablo” entrega riffs ritmicos e bem melódicos. mantendo o som denso e sombrio, e a energia moderna que já é assinatura do Fine Red Mist, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito.
Influenciado pelos artistas de rock alternativo de primeira linha, o EP entrega riffs de guitarra memoráveis da dupla Joby Purucker e Dan Kavalhuna, o baixo gorovado de Terry Modert no baixo, a bateria pulsante e tensa de Travis Marshall e os vocais já elogiados de Jeff Clements cheios de sentimento que desabafam e mesmo que não entende a língua cantada, consegue sentir o peso da emoção, para criar um som mais acessível e memorável.
Fine Red Mist se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de showgaze, o grupo não pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Fine Red Mist oferece exatamente o que se espera.