John Menich, direto de Chicago (EUA), lança o terceiro álbum ‘III’ de forma totalmente independente. O trabalho sucede o álbum dois grandes discos e traz um som mais lapidado que mistura diversas referências e entrega tons nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que o artista encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.
A jornada começa com “Straight Down”, uma abertura explosiva: riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega o puro rock’n’roll sem firula – lembrando muito bandas como Sleep e Brant Bjork. Multi-instrumentista que compõe, grava e produz sua própria música, tocando todos os instrumentos, John Menich pode ser considerado uma novato na indústria da música, no entanto, a sofisticação de suas músicas mostra que tem um conhecimento muito além daqueles novatos.
Logo depois, “Goodbye, So Long” mantém o peso, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, vocais que exploram nuances entre o rasgado e o limpo, lembrando como a escola do hard rock e blues podem se cruzar – mas com riffs pesados nitidamente inspirados em Black Sabbath. Estamos na segunda faixa mas já é notável que os vocais de John Menich irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa. Nçao à toa, ‘III’ é uma obra sombria, pesada e introspectiva, de guitarras estridentes e instrumentação psicodélica.
A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70, com um apelo melódico acessível, resultando em músicas que equilibram agressividade contida com passagens introspectivas. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional. A voz é talvez o elemento mais reconhecível: grave, dramática, carregada e sempre colocada em primeiro plano, com um tom de urgência e tirada do amargo.
Na sequência, “Remnants of Old” abaixa a intensidade e se torna a balada do álbum, com linhas de violão e vocais mais calmos. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente de todo o disco, até sermos surpreendidos com a potência vocal. Somos surpreendidos com um solo de guitarra com uma base rítmica sólida e sentimental, ao final chega expandindo o som em algo semelhante ao que conhecemos em Pink Floyd onde as faixas são lentas e ganham uma imensidão ao final com solo marcante e instrumentos ganhando força.
“Satisfied” chega com uma pegada mais suave na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, que remetem as raízes do blues e seus originários. A faixa nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com aquela vibe do rock americano dos anos 70.
Chegando a “Inside Out”, o clima fica robusto e cheio de inspiração. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e poderosas, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais remete ao rock psicodélico, com vocais mais reconfortantes. Os riffs seguem a linha de Tony Iommi, mas tons mais melancólicos e é com se o cantor contasse uma história sincera e vivida por ele.
Em “Third Time’s a Charm” somos novamente jogados ao peso e densidade, com riffs e vocais de energia única e uma construção que quase beira o progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho rock’n’roll, mas não é uma faixa simples para ouvir como pano de fundo, é preciso prestar atenção nos vocais que nos hipnotizam e nos riffs que querem ensinar algo. O fechamento fica com “Breath”, a faixa mais longa do disco que entrega um final que soa como uma explosão de sentimentos, voltando ao tom místico do stoner rock, sem perder a autenticidade grave de John Menich.
É importante notar que John Menich se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de stoner rock. O artista não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que oferece grandes surpresas.
Para aqueles que são fãs de bandas de stoner rock com toques psicodélicos, John Menich oferece exatamente o que se espera: riffs pesados, vocais que impõe presença e vibe nostálgica. Para os apreciadores ‘III’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero mas também explorando novos territórios sonoros.