The Quiet North chega com seu álbum de estreia, ‘Stillness Is A Sound’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de indie rock, pop cinematográfico e folk sombrio, com toques de misticismo que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 13 faixas mergulha em temas sombrios e introspecção com texturas ambientais e estética nórdica moderna em um universo tranquilo e emocionalmente expansivo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas, e este álbum é mais um passo firme em sua jornada sonora.
Gravado com emoção sincera, os vocais do produtor e compositor norueguês Fredrik Kristiansen, adicionam um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música. The Quiet North é um projeto musical nórdico independente e entrega um trabalho que não serve como música de fundo, é necessário embarcar nessa viagem e prestar atenção em cada faixa.
A abertura com um intro já mostra suas origens enigmáticas e a raiz nórdica, abrindo espaço para “Tremble”, um folk rock pesado com sentimento profundo, muito semelhante ao The Lumineers. Logo na primeira faixa o artista transmite sua lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. O álbum conta com colaboração de artistas comoVitaliy Kozubenko, Thom Hell, VÂN SCOTT, Ollie Wade, Bjørn Henrik Brandtenborg e Fitz Brothers, músicos talentosos infundem o álbum com um som único e cativante que o diferencia.
Em “Borrowed Light” temos o violão acústico inspirado no country em e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais trabalho e emocionado. Os vocais descolados e fortes trazem uma autenticidade difícil de ignorar, ganhando intencidade em um refrão que convida o ouvinte para fazer parte – essa é a faixa mais comercial do álbum. O disco tem variações de sentimento, na faixa “Fading Daylight”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação, com flautas e outros instrumentos mais regionais, como se estivéssemos em uma floresta mística – Aqui vemos muita influência de Aurora.
“Somewhere In The Static feat. Ollie Wade” resgata uma pegada old school do synth com um tom robusto e denso que remete ao pop moderno ao mesmo tempo que flerta com o oldschool. Aqui o músico prova sua autenticidade, em não pisar no9 freio quando o assunto é inovar e criar músicas ousadas. O ritmo dessa faixa é maravilhoso e nos faz dançar.
Já a faixa título conta com participação de Vitaliy Kozubenko e nos transporta para as florestas desertas e frias, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de violão do folk, em uma faixa instrumental de arrepiar. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.
Na seguinte, “Southbound”, The Quiet North explora um som mais soturno, onde o tom pop se destaca com uma linha minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, é um pop muito comercial mas que deixa nítido suas raízes, sem se preocupar com fórmulas para o sucesso. “Northbound ” inicia com riffs sonhadores, batida indie rock e vocais nostálgicos. O tom nesta é suave e bem sentimental, mas os vocais aconchegantes e perfuram o coração.
“Frozen For A While feat. VAN SCOTT” surge como uma faixa ritualística, cheia de percussões tribais e coro em uma atmosfera tensa, quase uma introdução mística para convidar o ouvinte para cantar junto, em uma melodia dançante e festiva. “I Create In Color Now” chega para dar contraste à faixa anterior e traz um violão acústico e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, junto dos vocais etéreos de Fredrik Kristiansen, criando uma ambiente cinzento e introspectivo.
“Family Of The Northern Hemisphere” parece uma prece blues sombria, marcada por um violão ressonador que parece invocar algo ancestral. É uma mistura de dark country e folk celta, uma combinação inesperada, mas que funciona surpreendentemente bem, com instrumentação marcante, seguidos pelos vocais profundo de Fredrik – vocais maravilhosos que carregam este disco de um jeito depressivo mas satisfatório.
“Drift Away feat. Fitz Brothers” retorna ao cinzento, lembrando as faixas iniciais do álbum e preparando o terreno para o fechamento. Aqui sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico e que lembra tons etéreos e um solo de guitarra bem composto, emocionante, ganhando grandiosidade com os riffs mais rock de todo o disco. Acho que é a faixa que mais gostei.
Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Stille feat. Thom Hell “. Aqui, Fredrik Kristiansen nos leva de volta ao básico com uma faixa acústica, elegante e nostálgica, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. Em nota à imprensa, o músico explicou: “O projeto nasceu de um longo período de ruído, sobrecarga sensorial e recuperação, e busca transitar do ruído interior para a quietude — usando a música como forma de criar espaço, clareza e calma”, e isso definitivamente está exposto em seu trabalho magnifico. The Quiet North entrega uma obra que mistura peso, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.