Resenhas

Beast Machine Theory

Storm Boy

Avaliação

8.5

Storm Boy, direto de Olympia, Washington, é uma dessas bandas que chegam para transformar ambientes. O projeto emergiu na cena musical trazendo um som que mistura o post-hardcore agressivo e punk com rock alternativo, de maneira sofisticada, em canções que oscilam entre força e fragilidade. Em ‘Beast Machine Theory’, seu novo álbum de 8 faixas, Storm Boy se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas. Segundo o release, ‘Beast Machine Theory’ captura a transformação de um projeto solo em uma banda volátil e completa, misturando a urgência do punk, energia coletiva e letras que vão além do clichê, buscando algo mais vivido e imediato.

 

Profundamente sincero e carregado de emoção, o álbum combina letras despojadas com um instrumental pesado que alterna entre impulsos do hardcore e punk, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco onde cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora.

E a banda já prova isso na abertura com “Hands Under It”, um convite para o mundo pesado e emotivo, com riffs pesados e melódicos e vocais intensos já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som rebelde e agressivo do hardcore. Uma faixa nitidamente influenciado por nomes como Sex Pistols, The Offspring, Bad Religion e mais.

Em “In the Shadows of Fort Reno” o tom agressivo característico do punk continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um K7 de uma banda dos anos 80, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais atitude, sendo possível sentir a emoção na voz. Nessa canção há mais detalhes que mostram influência do punk rock, onde os vocais estão mais imediatos, mas ao mesmo tempo está carregado. Os riffs mais rápidos, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.

Há muita técnica no som da banda, sendo notável em “Tiny Fists”, uma canção que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade dessa vez com tons de punk mais clássico, é perfeitamente mostrado aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto. É a canção mais comercial do disco, perfeita para rádios e o hit mais esperado no show da banda – parece um dueto entre The Damned e Wendy O. Williams – é a faixa que mais gostei.

“Always Bet on Black (and Pink).” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais punk raíz do álbum, mergulhando no terreno da rebeldia. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade densa, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio de intensidade, mas ainda assim mantendo o clima. Aqui continua aquela brutalidade  e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para a roda punk. Aqui sentimos muita influência do rock dos anos 70, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do estilo.

“From Your Mouth” segue com a nostalgia, não apenas no som mas na energia, letras e vivacidade da banda, que não se preocupa com uma fórmula certa para o sucesso, apenas fz seu som, e é esse detalhe que os faz ser notados. Como a propria banda já disse: “trazemos história, identidade e impulso suficientes para justificar a atenção”. A balada do disco fica com “…And Then Four”, e os vocais femininos inspirados no movimento Riot Girl, mas com tons modernos e bem postos, inspirados em Amyl and The Sniffers. Até sermos surpreendidos com a volta do peso e atitude, riffs que já são a assinatura de Storm Boy – eu adorei essa banda.

Preparando os ritos finais, “Exploder” vem com mais um som agitado e digno de ser tocado em um festival para proprocionar os melhores mosh. Para encerrar, “the Minute We’re Born” entrega riffs ritmicos e bem melódicos. mantendo o som denso e rebelde, e a energia moderna que já é assinatura do Storm Boy, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito.

Influenciado pelos artistas de punk e hardcore de primeira linha, o disco entrega tudo o que se propões, e muito mais, onde podemos sentir o peso da emoção, para criar um som mais acessível e memorável. Storm Boy se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de punk, o grupo não pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Storm Boy oferece exatamente o que se espera.