O que pode ainda ser falado sobre o Deep Purple? Com mais de cinquenta anos de carreira e incontáveis clássicos eternizados na história, esses senhores poderiam estar desfrutando de uma merecida aposentadoria, mas existe uma fagulha que – para nossa sorte – se recusa a apagar.
No caso do Deep Purple, essa fagulha foi assoprada em 2022 com o anuncio de Simon McBride substituindo o lendário Steve Morse. Necessitando se ausentar por um grave problema de saúde familiar, a adição de McBride injetou animo na banda, que agora chega ao seu 24o. álbum, ‘Splat!’.
‘Splat!’ é um álbum conceitual que, em seus pouco mais de cinquenta minutos e treze canções, aborda o fim da humanidade não como uma destruição apocalíptica como seu titulo pode sugerir – splat é uma onomatopeia para algo úmido ou pastoso colidindo contra uma superfície plana – mas uma transformação e metamorfose que transcende a existência física.
É inegável que a atual formação funciona muitíssimo bem, algo que pode ser conferido logo nas duas primeiras canções – e os dois primeiros singles – “Arrogant Boy” e “Diablo”, ambas ‘deepurplianas’ até a medula com um certo frescor.
Essa sensação de ouvir o ‘velho’ Deep Purple com uma vibração contemporânea se multiplica por todo o álbum e isso se deve em parte a performance de Don AIrey, desfilando sua genialidade como na ótima “Guilt Trippin” onde executa uma introdução com ares de jazz, a canção vai progredindo para um belo solo de Simon McBride.
Paice-Glover, com décadas atuando juntos, formam uma das duplas mais entrosadas da história da música pesada. Roger Glover cadencia a funkeada “The Beating Of Wings” combinando com a pegada de McBride enquanto Ian Paice desfila toda sua categoria. E Ian Gillan, do alto de seus oitenta anos, coloca mais emoção em suas interpretações, economizando em seus famosos agudos – a exceção pode ser apreciada no final da sensacional “Jessica’s Bra”, cuja letra brinca sobre um erro na placa de um bar.
A contagiante “The Only Horse In Town” é provavelmente a melhor canção do Deep Purple em muito tempo; situando-se próxima a sua sonoridade clássica, é a síntese de um álbum que beira a perfeição.
Sem dormir sobre os louros conquistados no passado, o Deep Purple mostra que ainda tem muita lenha para queimar realizando um álbum que, não apenas preserva seu legado, mas se une a ele de forma incontestável.
Formação:
Ian Paice – bateria
Roger Glover – baixo
Ian Gillan – vocal
Don Airey – teclados
Simon McBride – guitarras
Tracklist:
1. Arrogant Boy
2. Diablo
3. The Rider
4. The Lunatic
5. The Only Horse In Town
6. Sacred Land
7. The Beating Of Wings
8. Guilt Trippin
9. Scriblin Gibrish
10. Jessica´s Bra
11. Third Call
12. My New Movie
13. Splat!