Nigel Brown, direto de Londres, Inglaterra, é uma dessas vozes que chegam para transformar ambientes. O cantor, compositor e produtor musical emergiu na cena musical trazendo um som que mistura rock clássico, AOR e acústico que grudam nos ouvidos. Em Love ‘While Away’, seu novo álbum de 12 faixas, Nigel Brown se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais ricas e sedutoras, que soam tanto nostálgicas quanto frescas.
O disco começa com “Hear The Setting Sun”, a porta de entrada perfeita para esse universo. A voz de Nigel Brown denomina de imediato, aliada a um baixo pulsante que guia a batida, enquanto os teclados se entrelaçam suavemente. A execução vocal de Brown é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de groove. Há muita inspiração de bandas dos anos 80 e 90 como The Stone Roses, Tom Petty, Led Zeppelin e Mark Knopfler.
Em seguida, a faixa- título chega como um hit do disco, e traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o groove. É uma faixa que aposta em nuances de violão e uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa, e segundo o artista, a letra conta a história de alguém que se envolve com a turma errada e se perde, indo para o lado mais sombrio da cidade.
“How Come?” com uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, Nigel Brown abusa do que chamamos de Refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. É uma faixa que tem um potencial tremendo, inspirada em nomes como Beatles e até The Alan Parsons Project e Bread – também me lembrou muito músicas do Pholhas.
Na canção “Still Feel The Rain Come Down”, o artista buscou um pop mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva. A produção aqui é mais “espacial”, com silêncios bem posicionados e um groove que brinca com as pausas, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade.
“Under The Mountain” faz jus ao nome, combinando camadas etéreas de violão com uma linha de baixo grave, e riffs de guitarra regionais, mesclando o folk com oriental, abafado e ligeiro. A voz de Nigel brinca com os elementos de folk da faixa que fica em nossa mente. “Inside Her Heart” volta com uma energia renovada, numa pegada mais folk, onde os elementos de acústico ganham protagonismo. A batida suave com os vocais sentimentais criam uma sensação de liberdade, uma faixa que é pura nostalgia e liberdade. Lembrando por vezes as bandas já citadas.
“You’re The Man” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de violão do folk, e vocais de arrepiar, a faixa que mais se aproxima do southern rock, que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.. “Think Things Over” retorna ao clima dos anos 70 e 80, explorando som mais soturno, onde os vocais melódicos característicos do folk se destacam com uma linha de violão minimalista e poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época.
Seguindo com “Can’t Catch Me Now”, inicia com violão acústico, outra faixa perfeita para trilhas sonoras. “The Night Is Young” mantém o mesmo clima, sem grandes inovações, o artista usou a formula certo já existente e adicionou seus temperos. Se preparando para o final, “Stars Above” traz mais peso com riffs de guitarra marcantes, lembrando fases de Bon Jovi, e muita energia southern rock. È a música que mais gostei pea melodia. Exatamente como o músico disse: “composição clássica, aprendida com muito esforço ao longo de anos de trabalho para alcançar esse objetivo”.
O álbum fecha com “Hounds Are All Upon Me”, faixa que retorna ao folk melódico, criando uma atmosfera melancólica perfeita que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo – mas não tire conclusões até ouvir a faixa inteira. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘While Away’.