Razed by Rebels chega com seu álbum de estreia, ‘Broken Paradigm ‘, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de rock alternativo, psicodélico, dream-pop e atmosferas eletrônicas sombrias, com toques de misticismo que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 9 faixas mergulha na poesia romântica, no misticismo e no surrealismo beat, privilegiando a sugestão em vez da confissão. Ambientado em uma era de conflito, acompanha um personagem que desafia seus próprios ideais e paga o preço final para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum é mais um passo firme na jornada sonora de Jason, produtor, diretor e o principal criativo por trás do Razed by Rebels, que adiciona um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
A abertura com “Until It’s Over”, já mostra suas origens enigmáticas. Um synth sombrio com sentimento profundo, muito semelhante a sons que vão de Depeche Mode a Project Pitchfork e Diva Destruction. Logo na primeira faixa o artista transmite lamúria e dor emocional, onde ele perfura o ouvinte. É cru e intenso, mas também melódico e reflexivo com uma viagem que molda a sensibilidade cinematográfica da música: as canções se desenrolam como cenas encenadas, com imagens de cidades neon e espaços oníricos liminares, conferindo aos discos um apelo narrativo distinto.
Já “The Nobodies” me pegou de surpresa. Essa releitura de uma das canções que mais gosto de Marilyn Manson. Temos pianos depressivos e sintetizadores com uma pegada cheia de solitude. Os vocais angelicais inspirados nos anos 90 trazem uma autenticidade difícil de ignorar – em um dueto instigante. O disco tem variações de sentimento, como é nitidamente mostrado nessa versão, onde o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação.
Em seguida, “Beware the Hunters” mantém o clima introspectivo mas com reverberação nas vozes, linhas de sintetizadores e guitarras pesadas do metal industrial, criando um clima soturno perfeito para fãs de Ministry, Nine Inch Nails e até fãs de ENM. “Shattered Eyes” traz ritmos mais ousados, e resgata uma pegada old school do post punk sombrio e atmosférico, com vocais pesados e densos, dignos de trilhas sonoras de filmes de horror – uma faixa muito cinematográfica e perfeita para a pista de dança do famoso Madame Satã.
“A Way Through” nos transporta para uma floresta fria, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com sintetizadores e orquestração sombria com backing vocals de arrepiar. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte. É trevosa e destaca com uma linha minimalista e poderosa. Aqui sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico e que lembra tons etéreos de Dead Can Dance, emocionante. Acho que é a faixa que mais gostei, com batidas e instrumentos ousados.
Na seguinte, “Hiding Within”, o artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, com vocais fortes, guitarras pesadas, inovação, permitindo que cada lançamento soe como um novo capítulo, em vez de uma repetição de uma fórmula fixa. Pessoalmente há muitas lembranças e nostalgia, para fãs de post punk, EBM e darkwave.
“Together We’ve Lost” é denso e melancólico, trazendo o dark, com sintetizadores e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, junto dos vocais etéreos, criando uma ambiente cinzento e introspectivo – perfeita para fãs de post punk. Em seguida, “Directive #1” é uma prece sombria, marcada por um som ressonador que parece invocar algo ancestral com vocais maravilhosos que carregam este disco de um jeito depressivo mas satisfatório, co riffs pesados do industrial em cintonia cm sintetizadores densos e pianos que tocam na alma.
Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Heaven’s Gate”. Aqui, Razed by Rebels nos leva de volta ao darkwave, elegante e nostálgica, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo – inspirado em Blutengel. Razed by Rebels entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque místico que só eles sabem fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez.