Lançado em 6 de março de 2026, “Hell Is a State of Mind” marca o sexto álbum de estúdio dos finlandeses do Lost Society, chegando ao mundo via Nuclear Blast Records e, no Brasil, pela parceria com a Shinigami Records. Produzido por Joonas Parkkonen, o disco sucede “If The Sky Came Down” (2022) e mergulha fundo em temas como conflitos internos, angústia e caos emocional — refletindo uma fase mais madura e consciente da banda.
Se tem uma coisa que dá pra afirmar sem medo é que o Lost Society não é mais a mesma banda do início — e isso não é necessariamente ruim. A cada álbum, o grupo foi se afastando das raízes mais cruas do Thrash Metal, evoluindo para um som mais moderno, hoje claramente inserido em um Metalcore com pegada de arena, cheio de refrães pegajosos e estrutura mais acessível.
Essa mudança, claro, divide opiniões. Enquanto a banda conquista um público mais amplo e se aproxima do mainstream, parte dos fãs mais antigos — aqueles do Thrash — ainda torcem o nariz pra essa nova fase.
Musicalmente, o álbum chama atenção por certas semelhanças com o Avenged Sevenfold, especialmente na era “City of Evil” (2005). Isso fica evidente nas guitarras dobradas, nos harmônicos bem trabalhados, na construção dos riffs e na própria produção. A faixa “L’appel Du Vide” é um exemplo claro dessa influência.
Na audição, o álbum já começa mostrando a que veio com “Afterlife”, que abre de forma explosiva e entrega um refrão marcante logo de cara. Em seguida, “Blood Diamond” mantém o peso com um riff forte, mas ganha uma camada extra de impacto com a orquestração que acompanha a música. Quando “Syntetic” entra, a banda surpreende ao flertar com o Nü Metal, trazendo elementos eletrônicos e um groove absurdo, com a bateria disparando bumbos duplos como uma metralhadora. O clima muda com “Is This What You Wanted”, a balada do disco, que aposta em partes acústicas, bastante groove e uma orquestração de fundo que deixa tudo mais envolvente.
A sequência continua forte com “Kill the Light”, que começa mais suave, mas cresce ao longo da faixa, ganhando peso e mantendo uma pegada melódica bem trabalhada. Logo depois, “No Longer Human” se destaca como uma das melhores do álbum, alternando entre momentos mais contidos e explosões intensas no refrão e na ponte. Já “Dead People Scare Me (But the Living Make Me Sick)” acaba sendo o ponto mais fraco — não por ser ruim, mas por puxar mais para um Rock de arena mais “alegre”, o que pode destoar um pouco do restante, apesar da ótima performance da bateria.
A reta final engrena novamente com “Personal Judas”, que retoma aquela influência de Avenged Sevenfold nas guitarras, trazendo energia e um refrão forte que prepara o terreno para o encerramento. E o álbum fecha com a faixa-título, “Hell Is a State of Mind”, que é ambiciosa e reúne todos os elementos apresentados ao longo do disco: riffs pesados, groove, refrão pegajoso com fundo orquestrado e mudanças de andamento bem executadas — um fechamento com cara de grande final.
Mesmo com a presença de elementos eletrônicos, “Hell Is a State of Mind” soa orgânico na maior parte do tempo, mostrando uma produção bem equilibrada. As músicas não são longas, o que deixa a audição dinâmica e fluida, sem momentos arrastados.
Comparado ao seu antecessor, o álbum é claramente superior, trazendo mais carga emocional e consolidando de vez a identidade atual da banda. Pode até dividir opiniões entre fãs antigos, mas é inegável que o Lost Society sabe exatamente o que está fazendo aqui.
No fim das contas, estamos diante de um dos melhores lançamentos do ano até o momento — um álbum que mostra evolução, confiança e uma banda pronta pra voos ainda maiores.
Tracklist:
1. Afterlife
2. Blood Diamond
3. Synthetic
4. Is This What You Wanted
5. L’appel du vide
6. Kill the Light
7. No Longer Human
8. Dead People Scare Me (But the Living Make Me Sick)
9. Personal Judas
10. Hell Is a State of Mind