Our Geology Club chega com seu novo álbum, ‘A Call to Federation’, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de pop rock, indie e atmosferas folk melancólicas que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 12 faixas mergulha na poesia e na música emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum é mais um passo firme na jornada sonora de Our Geology Club, formado pelo duo Gav e Jon são compositores, que adicionam um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
Lançado em 20 de março de 2026, Dia Internacional da Felicidade das Nações Unidas, ano em que a brutalidade que preenche as telas de nossos celulares e noticiários torna a celebração de um dia como este algo absurdo. No entanto, o Our Geology Club acredita que o amor e a bondade são atos de resistência nestes tempos. Apoiamos as ambições das Nações Unidas. As 12 faixas são vestígios criados por Gav e Jon, muitas vezes inspirados pelas marcas deixadas por ativistas, artistas e escritores. São os fantasmas que o Our Geology Club canaliza para deixar novas marcas sonoras.
O disco começa com “Staircase Requiem”, a porta de entrada perfeita para esse universo complexo mas pertinente. O início com aqueel saudoso barulho da agulha no disco e uma introdução marcante. Os vocais denominam de imediato, aliada a um baixo pulsante que guia a batida, enquanto a bateria se entrelaça suavemente. A execução vocal é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de groove. Há muita inspiração de bandas dos anos 90 e um um lirimos inspirado em ‘Requiem’, obra do artista Chris Ofili – que presta homenagem à artista Khadija Saye, além de relembrar a tragédia do incêndio da Grenfell Tower.
Em seguida, “Blowing Ochre” chega como um hit do disco, e traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o groove. É uma faixa que aposta em nuances de pianos e sintetizadorese uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa, e segundo o artista, é inspirado no documentário ‘Antony Gormley – Como a Arte Começou’ (BBC).
Aberavon Dreamin” com uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, sentims influências do trip hop, a canção tem levada totalmente cativante. É uma faixa que tem um potencial tremendo, com influência musical e lirica do Massive Attack, inspirado no discurso de aceitação do Prêmio Nacional do Livro de 2014 de Ursula K. Le Guin (escritora, romancista, inspiração.
Na canção “Old Mole”, o duo buscou um pop mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva. A produção aqui é mais “espacial”, com tons mais suaves bem posicionados e um groove que brinca com as pausas, deixando espaço para cada nota se expandir. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade, inpirada em textos de Karl Marx.
“My Body as it Walks” combina camadas etéreas de piano com sintetizadores, onde os vocais brincam com os elementos de trip hop da faixa que fica em nossa mente. Segundo o projeto Our Geology Club, ” a caminhada de Judith Butler com Sunaura Taylor e a conversa entre elas inspiraram nosso projeto. Suas palavras foram ecoadas pelo que lemos mais tarde no livro Encounterism, de Andy Field (2023)”.
“Better Can Come” volta com uma energia renovada, numa pegada mais simples ao mesmo tempo que é complexo, onde os elementos de acústico ganham protagonismo. Os vocais são diretos e sentimentais criam uma sensação de reflexão, conforme a banda descreveu: “Inspirado por uma caminhada num dia quente de verão e pela constatação de que os jovens são aqueles que, com frequência, descobrem que o futuro pode ser melhor do que o presente. Eles não carregam o cinismo das lembranças distorcidas e das memórias nostálgicas que podem obscurecer a visão daqueles que são mais velhos. Seja nas ruas de Teerã, Nova York, Bristol ou Swansea… em qualquer lugar do mundo, a luta continua”.
“Canary’s Hope” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de pianos, e vocais de arrepiar, que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte, ao regletir sobre a luta de classes e no lema de “Nem uma hora a mais no dia, nem um centavo a menos no pagamento.”
“Empty Bottles” retorna ao clima dos anos 80, explorando som mais soturno, onde os vocais melódicos característicos do indie rock se destacam com uma linha de guitarras e sintetizadores. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época e enfatizando a luta pela liberdade de expressão e para que nossas crianças sejam alimentadas. Uma canção inspirada na obra Free, de Lea Ypi.
Seguindo com “Forged in Steel”, traz os vocais hipnotizantes e únicos, inspirados em indie rock dos anos 90 e instrumentação muito técnica – faixa perfeita para trilhas sonoras. Aqui, a banda mostra sua inspiração em agradecemos a John Tetsill, operário siderúrgico, por suas palavras no Canal 5 News e à comunidade de Port Talbo. “Organising Our Grumbles” mantém o mesmo clima, sem grandes inovações, mas Our Geology Club soube usar sua expertise aqui, com canções bem trabalhadas e inovadoras, e nesta, a mensagem é clara: “A Federação continua viva em nossos sindicatos e organizações de trabalhadores”.
Se preparando para o final, “Deep Mining”, inspirada depois que Gav, encontrou Tyrone O’Sullivan (mineiro, sindicalista e proprietário de mina) em Mumbles no dia da morte de Margaret Thatcher. O filme Tower Colliery expresa melhor o conceito do tema desta canção. Musicalmente, há tons de jazz e blues rock È a música que mais gostei pea melodia.
O álbum fecha com “Reflections on a Brief Illness”, faixa que retorna ao trip hop dos anos 90, criando uma atmosfera melancólica perfeita que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. A faixa é homanegem ao Terry Hall (1959-2022), músico britânico que ganhou destaque como vocalista da banda 2-tone The Specials. A canção também cita o poema de Brian Patten (1946-2025). É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é ‘A Call to Federation’.