Memory Remains

Memory Remains: Ramones – 50 anos do álbum de estreia e a influência que rompeu barreiras

23 de abril de 2026


Há 50 anos, em 23 de abril de 1976, o Ramones lançava o seu auto-intitulado álbum de estreia, que é tema do nosso Memory Remains desta quinta-feira, dia de TBT.

A banda começou se apresentando em casas no centro de Manhattan, como o icônico CBGB e o Max’s Kansas City. O estilo de músicas adotado pelo quarteto era bastante similar ao que podemos ouvir em nosso homenageado, o que era uma novidade, já que o Punk era uma tendência que começava a emergir naquele momento. E o Ramones seria uma das bandas mais relevantes e influentes deste movimento.

No início da jornada, a banda teve uma ajuda fundamental da jornalista e editora da Hit Parader, Lisa Robinson, que depois de ter assistido a uma apresentação da banda, escreveu vários artigos falando sobre aqueles quatro jovens mal vestidos, que não sabiam tocar direito, mas que tinham uma energia aem igual no palco. Certa vez Joey Ramone relembrou do contato com Lisa, como podemos ver na declaração abaixo:

“Lisa veio nos ver, ficou impressionada. Ela disse que mudamos sua vida; ela começou a escrever sobre nós na Rock Scene , e então Lenny Kaye escreveu sobre nós e começamos a receber mais atenção da imprensa, como no The Village Voice . A notícia estava se espalhando e as pessoas começaram a aparecer.”

Lisa entrou em contato com Danny Fields, ex-empresário do Stooges e fez uma proposta de ambos atuarem no empresariamento da banda, o que foi consentido por Leon. Depois disso, ela procurou o produtor Craig Leon, que também aceitou o convite. O quarteto gravou uma demo para apresentar às gravadoras.

Craig Leon fez contato com o presidente da Sire Records, e convenceu o chefão a oferecer um contrato para os quatro jovens. A banda aceitou e em questão de meses, a banda já começava a preparar o disco de estreia. A capa se tornou uma lenda, pois diversas bandas copiaram a foto depois. A imagem dos quatro encostados em um muro, foi feita pela fotógrafa Roberta Bayley, da revista Punk, e custou cerca de US$ 125, cerca de US$ 700 nos valores de  hoje.

Em janeiro de 1976, a banda deu uma pausa nas apresentações, e no final daquele mês, eles já estavam gravando. A banda levou uma semana para gravar as músicas e o estúdio utilizado foi o Plaza Sound, em Nova Iorque. Eles gastaram cerca de US$ 6.400, e em 2025 esse valor corrigido seria o equivalente a US$ 36.200. O valor era considerado pequeno, pois a gravadora havia imposto restrições orçamentárias para uma banda que estava apenas iniciando sua carreira.

As letras apresentam diversos temas como nazismo, uso de drogas, prostituição masculina e violência. Apesar do clima sombrio do ponto de vista temático, Joey Ramone afirmou que a banda não estava tentando ser ofensiva. O vocalista certa vez explicou como nasceu a letra de “Beat on the Brat”, e iremos reproduzir abaixo:

“Quando eu morava no Birchwood Towers, em Forest Hills , com minha mãe e meu irmão, era um bairro de classe média, cheio de mulheres ricas e esnobes com filhos mimados e horríveis. Tinha um parquinho com mulheres sentadas ao redor e um garoto gritando, um garoto mimado e horrível correndo descontroladamente, sem nenhuma disciplina. O tipo de criança que dá vontade de matar. Sabe, a expressão “dar uma surra nesse pirralho com um taco de beisebol” me veio à mente. Eu só queria matá-lo.”

Hora de dar play na bolacha, e o Ramones nos apresentou um álbum intenso, rápido para a época, e com muitos clássicos. Temos 14 faixas, sendo 13 inéditas e um cover para “Let’s Dance“, de Chris Montez. A duração é de 29 minutos e destacamos “Blitzkrieg Bop“, “Judy is a Punk“, “I Wanna be Your Boyfriend“, “Chain Saw“, “Now I Wanna Sniff Some Glue“, “Havana Affair“, entre outras. O álbum foi um rebuliço na cena. As bandas londrinas que já tocavam Punk Rock, simplesmente correram para aumentar a velocisade de suas músicas.

A receptividade foi a melhor possível, pois era uma novidade em termos sonoros e visuais. A influência também foi enorme, e muitas bandas quiseram copiar o Ramones depois deste primeiro álbum. Aqui no Brasil, os exemplos mais claros são os de bandas como Raimundos e Ratos de Porão, que se espelharam no quarteto novaiorquino. Na gringa, bandas como The Clash, Black Flag, Misfits e Green Day foram influenciadas. Apesar de toda importância, o álbum não foi tão bem no sentido comercial, vendendo pouco mais de 6 mil cópias.

Nas paradas musicais, o álbum alcançou a 46ª posição na Suiça e a 111ª na “Billboard 200“. Em 2011, o álbum chegou na 67ª posição na Itália, e em 2020 alcançou a posição 173° na Bélgica. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido e Disco de Ouro nos Estados Unidos. Está incluído no famoso livro “Os 1001 Álbuns que Você Precisa Ouvir Antes de Morrer“, do autor Robert Dimery, foi introduzido em 2002 no Rock and Roll Hall of Fame.

Muitas músicas ganharam versões de outras bandas, como “Beat on the Brat“, que ganhou versões do Sonic Youth e U2, “Havana Affair” ganhou versão do Red Hot Chilli Peppers, “Blitzkrieg Bop” foi tocada por Rob Zombie, “53rd & 3rd” ganhou versão do Metallica, em uma prova de que o álbum de estreia do Ramones ultrapassou as fronteiras do Punk Rock.

Depois disso a banda continuou a sua escalada e hoje é considerada o nome mais relevante do Punk Rock, e nem mesmo a inimizade entre Joey e Johnny que durou décadas não foi o suficiente para fazer a banda frear a sua influência. Em 1996, a banda anunciou a sua despedida dos palcos e o fez de maneira bastante digna. Infelizmente os quatro integrantes não estão mais entre nós, mas a história está escrita e será preservada por nós. Você pode até não gostar de Punk Rock, mas é impossível não perceber a importância destes caras.

Ramones – Ramones 

Data de lançamento – 23/04/1976

Gravadora – Sire Records 

 

Faixas:

01 – Blitzkrieg Bop

02 – Beat on the Brat

03 – Judy Is a Punk

04 – I Wanna Be Your Boyfriend

05 – Chain Saw

06 – Now I Wanna Sniff Some Glue

07 – Don’t Wanna Go Down to the Basement

08 – Loudmouth

09 – Havana Affair

10 – Listen to My Heart

11 – 53rd & 3rd

12 – Let’s Dance

13 – I Don’t Wanna Walk Around With You

14 – Today Your Love, Tomorrow the World

 

Formação:

  • Joey Ramone – vocal
  • Johnny Ramone – guitarra
  • Dee Dee Ramone – baixo
  • Tommy Ramone – bateria

 

Participações especiais:

  • Craig Leon – órgão de tubos em “Let’s Dance“/ guitarra adicional/ backing vocal
  • Mickey Leigh – backing vocal/ palmas
  • Rob Freeman – backing vocal
  • Arturo Vega – palmas
  • Danny Fields – palmas