Elysian Fields chega com o relançamento de seu álbum ‘Definition’, que teve grande repercussão na cena musical local dos anos 90 e agora terá exposição mundial, trazendo o que sabe fazer de melhor: uma mistura visceral de hard rock e atmosferas melancólicas, com sonoridade que refletem sua trajetória underground e independente. O disco de 12 faixas mergulha na poesia romântica, na música emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo, aproveitando experiências pessoais para criar uma coleção profundamente ressonante de músicas. E este álbum prova a música atemporal de Elysian Fields, que adiciona um toque pessoal a cada faixa, tornando este álbum imperdível para os entusiastas da música.
A abertura com a apropriada “When the Days Get Hot” já mostra suas origens roqueiras. Um hard rock pesado com sentimento profundo, muito semelhante a sons que vão de Vixen a L7. Logo na primeira faixa a banda transmite sua identidade ousada, onde perfura o ouvinte. Elysian Fields teve uma vida curta, mas seu trabalho moldou o cenário do rock: as canções se desenrolam como cenas encenadas, com paisagens intensas, conferindo aos discos um apelo narrativo distinto.
“Definition” contou com o talento de James Shumway e Mark Roos na composição e os vocais poderosos de Kerri Murray. Roos também era o guitarrista da banda e Shumway, o tecladista. A seção rítmica da banda era formada por Dale Sandbeg no baixo e Jeff Francom na bateria.Segundo nota à imprensa, Elysian Fields estava a conexão com a experiência humana — a busca pelos sonhos, a alegria de encontrar o amor, a tragédia de perdê-lo, a ligação emocional com a natureza, etc. A música do Elysian Fields é, portanto, atemporal e ressoará na alma dos ouvintes por gerações.
O álbum foi gravado pelo renomado produtor Cliff Maag e aclamado pelo Deseret News, um dos maiores jornais de Utah, como um “sopro de ar fresco” e item indispensável para colecionadores de bandas locais.. Em “No Matter What” temos guitarra de classic rock dos anos 80, sintetizadores e uma pegada cheia de atitude com um instrumental mais sentimental, típíco de bandas da época. Os vocais descolados e inspirados nos anos 80 trazem uma autenticidade difícil de ignorar.
O disco tem variações de sentimento, na “My Fantasy”, o clima muda completamente para algo mais lisérgico e introspectivo, uma faixa lenta e hipnotizante que parece flutuar em um mar de reverberação que nos faz viajar para o melhor ano da música, digna da trilha sonora de filmes. Em seguida, “Here You Come, Here I Go” cria um clima mágico e claro – reforçando que o disco foi construído em torno de forte dinâmica e estruturas de música não convencionais. A instrumentação é simples, mas segue a fórmula certa da época, com sintetizadores nostálgicos e riffs despojados, influenciado por Pat Benatar e Heart.
Chegando na balada “Staying With You”, o piano já começa profundo e cortante, a canção toca na alma em uma faixa emocionalmente intensa, voltada para a audição atenta, e não para ser ouvida como música de fundo. A faixa traz muitos elementos das clássicas baladas de rock, com uma pegada depressiva e envolvente. “Shattered Lives” resgata uma pegada old school do rock alternativo cinematográfico, inpirado em filmes como Flashdance ou Ovr the Top, com vocais fortes e marcantes, e sintetizadores dando um toque especial com riffs pesados.
“Eternal Flame” resgata mais uma balada forte, robusta e densa, com riffs de guitarra despojados e sintetizadores misteriosos, um hit de primeira linha que estaria na coletânea love metal, ao lado de nomes como Lita Forde ou The Bangles – que por coincidência tem uma música com esse mesmo nome.
Já “Waves” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas de violão e vocais de arrepiar – mais ousado ainda é a mudança repentina de ambiente para os teclados depressivos e encantadores, mudando a intensidade da faixa. É uma faixa que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte.
Na seguinte, “Desert Sky”, explora som mais animado, onde os riffs característicos do rock dos anos 80 se destaca com uma linha minimalista e poderosa. A banda dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados nos hits da época. “Take My Hand” inicia com riffs sonhadores e um tom orquestrado, outra faixa perfeita para trilhas sonoras. A ousadia nessa obra é fundamental para o DNA do projeto, permitindo que cada lançamento soe como um novo capítulo, em vez de uma repetição de uma fórmula fixa. Essa música tenta dar contraste à faixa anterior, mas mantém o clima assombroso e misterioso, prendendo o ouvinte e o convidado para desvendar todo esse mistério que o artista proporciona.
“Hillary’s Lullabyl” é melancólico mas intensa, trazendo violão e pianos mais suaves e toda angústia que se espera de uma faixa desse estilo, mas com bateria mais despojada, como uma declaração. Como uma prece sombria, marcada por um som ressonador que parece invocar algo ancestral .Essa faixa retorna ao cinzento, lembrando as faixas iniciais do álbum e preparando o terreno para o fechamento. Aqui sentimos a energia do inverno, com um instrumental mais acústico.
Encerrando essa viagem sonora perfeita, temos “Wings to Fly” com vocais maravilhosos que carregaram este disco de um jeito único e encantador. Aqui,Elysian Fields nos leva de volta ao rock elegante e nostálgico, que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo – mas não tire conclusões até ouvir a faixa inteira.
Elysian Fields entrega uma obra que mistura ousadia, melancolia e experimentação, tudo com um toque oitentista que só quem viveu a época sabe fazer. Definitivamente, você precisa ouvir esse álbum – mais de uma vez, pois foi criado fora de tendências e algoritmos, com a intenção de que os ouvintes o vivenciem como um ciclo emocional completo. E que agora soa nostálgico, como um disco de vinil que encontramos no porão e nos surpreende.