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Angra reafirma força em noite de reunião, repertório certeiro e casa lotada em São Paulo

Angra reafirma força em noite de reunião, repertório certeiro e casa lotada em São Paulo

1 de maio de 2026


Crédito das fotos: Natalia Eidt/Headbangers News

O retorno do Angra ao Espaço Unimed, no dia 29 de abril, teve todos os elementos que costumam cercar grandes reuniões, casa esgotada, público altamente engajado e um repertório construído para acionar memória coletiva, mas o que se viu em cena foi menos uma celebração passiva e mais uma demonstração prática de como a banda ainda opera com força e precisão.

Desde o início, com o bloco conduzido por Alírio Netto ao lado de Rafael Bittencourt e companhia, a resposta do público já indicava o tom da noite, músicas como “Nothing to Say” e “Angels Cry” foram recebidas com canto coletivo constante, praticamente sem distinção entre palco e plateia, e mesmo um problema técnico no microfone logo na abertura não teve impacto real no andamento, rapidamente contornado enquanto a casa seguia sustentando a energia.

Esse primeiro momento percorre diferentes fases da banda com naturalidade, passando por “Lisbon”, “Vida Seca” e “Carolina IV”, e incluindo a releitura de “Wuthering Heights”, de Kate Bush, dedicada a Andre Matos, em um dos pontos mais simbólicos do set, sem necessidade de grandes falas, a homenagem se constrói na própria escolha e execução da música.

A virada de chave acontece com a entrada de Edu Falaschi, responsável por conduzir a execução de Rebirth na íntegra, trecho que concentra boa parte da expectativa do público e que se confirma como eixo central da apresentação, “Nova Era”, “Acid Rain”, “Heroes of Sand”, “Unholy Wars” e a própria “Rebirth” são executadas em sequência com resposta imediata da plateia, que acompanha cada faixa do início ao fim sem perda de intensidade.

Diferente do que se viu dias antes no Bangers Open Air, desta vez não houve participação de Fabio Lione, o que acaba tornando esse bloco mais direto, sem sobreposição de vozes ou alternâncias mais complexas, o foco recai totalmente sobre o disco e sua execução, o que reforça ainda mais o caráter nostálgico do momento, mas sem que isso reduza a performance a uma simples revisitação.

Houve espaço também para pequenas quebras de expectativa, como o trecho de “Agora Estou Sofrendo”, da Calcinha Preta, inserido em “Bleeding Heart”, que provocou reação imediata e funciona como um comentário inesperado dentro de um set bastante estruturado.

Na parte final, o palco reúne diferentes formações e amplia a dimensão da reunião, músicas como “Silence and Distance”, com introdução em vídeo de Andre Matos, e “Carry On”, executada com múltiplos integrantes, consolidam esse fechamento mais coletivo, em que diferentes fases da banda coexistem sem necessidade de hierarquia clara.

Ao longo de toda a noite, a presença de câmeras e drones evidencia que o show também cumpre função de registro, ainda que não anunciado oficialmente, a estrutura enxuta, o início pontual e a divisão clara de repertório reforçam essa leitura de um espetáculo pensado não apenas para quem estava presente, mas para circulação futura.

No fim, o que se vê é uma banda que utiliza a nostalgia como motor, mas não como limite, o repertório funciona como ponto de conexão direta com o público, enquanto a execução e a organização de palco mostram que o Angra segue operando com consistência, transformando a reunião em algo mais sólido do que um reencontro pontual, uma reafirmação de relevância construída ao vivo, música por música, resposta por resposta.

Setlist:

Primeiro Ato
35th Anniversary Intro
Nothing to Say
Angels Cry
Tide of Changes – Part I
Tide of Changes – Part II
Lisbon
Vida Seca
Wuthering Heights (cover de Kate Bush – dedicado a Andre Matos)
Carolina IV
Drum Solo
Make Believe
Waiting Silence

Segundo Ato
In Excelsis
Nova Era
Millennium Sun
Acid Rain
Heroes of Sand
Unholy Wars
Rebirth
Drum Solo (PsychOctopus solo)
Judgement Day
Running Alone
Bleeding Heart (com trecho de “Agora Estou Sofrendo”)
Ego Painted Grey
Spread Your Fire

Terceiro Ato
Reaching Horizons (solo acústico – Rafael)
Silence and Distance (intro no piano com Andre Matos no telão)
Silence and Distance (banda completa)
Late Redemption
Unfinished Allegro
Carry On

Outro / Tape
Visions Prelude

Galeria do show