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Bangers Open Air – Primeiro dia é marcado por sol forte, casa cheia e shows memoráveis

Bangers Open Air – Primeiro dia é marcado por sol forte, casa cheia e shows memoráveis

26 de abril de 2026


Crédito das fotos: Carlos Pupo/Headbangers News

A cada ano, o Bangers Open Air se reafirma como um dos principais, se não o principal, festival especializado em metal do Brasil. Em sua quarta edição (considerando as duas edições sob a alcunha de Summer Breeze), o evento, apesar de apresentar problemas pontuais em seu primeiro dia, foi um grande sucesso, trazendo atrações de peso para o Memorial da América Latina, ponto turístico de São Paulo, e mostrando que o Brasil tem espaço para um evento desta magnitude.

Apesar do sol extremamente forte, fãs de todas as idades, incluindo famílias inteiras, com direito a vários fãs mirins da música pesada, encontraram no Memorial da América Latina um lugar para vivenciar a experiência de um festival 100% voltado para o metal.

Caminhando pelo festival, era possível perceber uma estrutura parecida com os anos anteriores onde, além de food trucks e lojas de merchandise do festival e de marcas parceiras espalhados por todo espaço, quatro palcos receberam as mais de 80 bandas escaladas para este ano.

A Lucifer foi a responsável por iniciar o festival no Sun Stage, com seu doom rock/metal clássico, muito influenciado pelo Sabbath. O grupo, já muito querido no Brasil, está em turnê pelo país, com o show do festival no meio desta viagem. O show, infelizmente, não foi assistido por boa parte do público. Nas redes sociais, um grande número de fãs reclamaram na página  do festival sobre a demora na fila da entrada principal.

Desde cedo, era possível perceber que uma grande quantidade de ingressos para o primeiro dia havia sido vendido. Ao sairmos do show da Lucifer, era possível perceber uma grande fila de pessoas que, infelizmente, não conseguiram entrar a tempo.

O Ice Stage, um dos palcos principais, não teve um pontapé inicial deveras agressivo. Com toda a violência do seu thrash metal, o Korzus fez sua segunda apresentação com sua formação nova. A adesão de Jean Patton (ex Project 46) e Jéssica Falchi (solo, ex Crypta) renovou a banda sem perder um pingo de qualidade.

Controlando bem o público, os veteranos demonstraram o motivo de ainda serem sempre lembrados como uma das principais bandas nacionais de metal. Cheio de clássicos, Pompeu e sua trupe não deixaram os fãs presentes ficarem parados. De novo, desde cedo ficava claro o grande movimento de pessoas que o dia teria.

Depois do thrash agressivo do Korzus, o público foi deixado aos cuidados do metal progressivo melancólico do Evergray. A banda transforma a complexidade do progressivo em camadas sentimentais cheias de melodia, mas sem perder o peso. Os (nacionalidade) entregaram Muita qualidade com uma voz que transmite muito sentimento, conquistando os presentes.

O Feuerschwanz estreou em grande estilo em terras brasileiras. Os alemães com “calda de fogo” (tradução livre de seu nome) souberam bem como conquistar os brasileiros. Com direito a bandeiras do brasil, dançarinas, violino, gaita de fole, armaduras e todo o aparato que a banda usa, seu show virou uma grande festa. Numa mistura de power e viking metal, sua música europeia medieval pesada e dançante se tornou com os brasileiros uma grande festa.

Em outra demonstração de força do metal nacional, o Violator encontrou o Sun Stage abarrotado de pessoas. Os brasilienses deram uma verdadeira aula de thrash metal, além de entregar seu forte posicionamento político, como de costume. No palco, a bandeira da Palestina e discursos contra a extrema direita dividiam o espaço com sua música rápida e recheada de peso. Uma excelente performance que apresentou, em um palco de um grande festival, a força do underground.

Como sempre, em um festival dessa magnitude, é necessário que o fã escolha as bandas que ele realmente quer ver, pois vários horários de bandas em palcos diferentes se chocam. Apesar de “ser assim que a banda toca”, o palco Waves é um dos que ficam mais esquecidos, recebendo shows para um público relativamente menor, mesmo tendo presenças importantes.

Seven Spires e Hangar, por exemplo, foram bandas de tamanho considerável que estiveram neste palco. A primeira turnê da banda de Adrienne Cowan (Avantasia) pela América Latina, assim como o retorno aos palcos do time de Aquiles Priester depois de quase uma década mereciam um destaque maior.

Ao voltarmos para Hot Stage, era difícil andar dado ao enorme número de pessoas que esperavam o show do Jinjer. Em sua primeira apresentação em um festival brasileiro, o grupo ucraniano entregou uma performance perfeita, mas perfeita até demais. O grupo não tem uma nota fora do lugar, o que não é ruim, mas acaba dando um ar “mecânico” para a apresentação.

Era divertido, porém, analisar o contraste do delicado vestido rosa usado Tatiana Shmayluk. com a sua voz agressiva. Independente de qualquer coisa, os presentes se animaram com a apresentação, com direito até a gritos de “ole ole ole, Jinjer Jinjer”.

Um dos principais nomes do metalcore  mundial retornou ao Bangers. O Killswitch Engage, que se apresentou no Summer Breeze de 2024, encontrou um número grandioso de fãs que esperavam seu retorno. Diferente do Jinjer, a banda se conecta mais com o público com sua performance agitada e certeira.

“The End of Heartache”, “The Arms of Sorrow” e a clássica “My Curse” fizeram a alegria dos fãs brasileiros. Além de encerrarem o show com o clássico cover de “Holy Diver”, o grupo estadunidense esbanjou sua simpatia, deixando os fãs com um sorriso no rosto ao fim da apresentação.

Desde a parte da manhã, a quantidade de camisetas do Black Label Society que se via pelo festival deixava claro que eles eram um dos mais esperados do festival. E assim Zakk Wylde entra no palco, ele tem o público em suas mãos.

Incluindo bonitas homenagens aos irmãos Abbott, falecidos fundadores do Pantera e amigos pessoais de Zakk, e ao seu antigo patrão Ozzy Osbourne, durante “In this River” e “Ozzy’s Song”, respectivamente, o concerto foi muito celebrado pelos espectadores, apesar dos excessivos solos executados pelo guitarrista poder cansar quem não é um fã fiel da banda.

Outra aposta certeira do festival, In Flames entrou no palco com o jogo ganho. Os co-headliners trouxeram todo o peso de seu metal sueco moderno, agitando o público o suficiente para que até sinalizadores, teoricamente proibidos no festival, fossem acesos. Com gritos “ole ole ole, In flames, In flames”, a fala do jornalista e meu amigo pessoal Daniel Agapito nunca fez tanto sentido: “Suecos não sabem tocar mal”.

Era, então, chegada a hora do grande nome da noite. Com direito a seu clássico pano na frente do palco escrito “Pure Fucking Metal”, o Arch Enemy fez jus a sua escolha como substituto do headliner original.

Quando saiu o lineup do festival, o Twisted Sister havia sido escalado para ser a banda principal de sábado, com o show fazendo parte de sua turnê de reunião. Porém, infelizmente, a banda precisou se retirar da escalação, dado um problema de saúde com seu icônico vocalista, Dee Snider.

Dessa forma, o Arch Enemy foi o nome escolhido para assumir o sábado. O grupo, porém, estava sem vocalista anunciado desde a demissão de Alissa White-Gutz no ano passado. Desta forma, o mistério antes do anúncio da excelente Lauren Hart criou uma agitação no público.

 

Em seu primeiro festival à frente da banda, Lauren se emocionou com a recepção dos brasileiros que gritavam seu nome. Em sua primeira vinda ao país, Hart agradeceu pelo carinho e entregou um show que ficará eternizado nos fãs da banda.

Apresentando músicas de toda a carreira, o grupo também incluiu seu novo single, “To the Last Breath”, que acabou se popularizando no Brasil dado a uma acusação de plágio pelo guitarrista Kiko Loureiro, desmentido por Michael Amott, guitarrista e líder do Arch Enemy.

Com saldo positivo e com grandes promessas para o domingo, o Bangers Open Air terminou seu primeiro dia com saldo muito positivo. Com sua edição para 2027 já anunciada, o festival continua entregando ao público uma grande celebração ao fã de metal, tão apaixonado pelo seu estilo.

Galeria do show