A segunda passagem do VOLA pelo Brasil aconteceu na noite de 11 de março, no Hangar 110, em São Paulo, e deixou uma impressão muito clara de amadurecimento da relação entre banda e público. Diferente do show de 2022, quando ainda existia um clima de descoberta, desta vez a sensação era de retorno. Casa cheia, ingressos esgotados e uma plateia que claramente já sabia o que ia encontrar ali.
A mudança não aparece apenas no número de pessoas, mas no comportamento coletivo. Havia reconhecimento entre frequentadores, circulação de grupos que claramente já compartilhavam histórico de shows anteriores e um padrão bastante comum em cenas de nicho: a repetição de público transformando eventos isolados em pontos de continuidade social.
A produção da Overload entregou um show tecnicamente bem resolvido. O som da casa estava limpo e com boa separação de frequências, algo especialmente importante considerando a construção sonora do VOLA, que depende da convivência entre guitarras de afinação grave, bases eletrônicas, backing tracks e vocais com pouca distorção. A mixagem permitiu distinguir bem essas camadas sem perda de peso nas partes mais densas.
A execução ao vivo reforça uma das características centrais da banda dentro do prog contemporâneo: precisão rítmica muito controlada, uso econômico de virtuosismo e uma organização das músicas mais orientada à construção de atmosfera do que à demonstração técnica isolada, apesar da complexidade estrutural presente nas composições.
O repertório funcionou como um recorte bem representativo da discografia e também como termômetro da recepção local. Stray the Skies, Bleed Out e 24 Light-Years tiveram resposta imediata da plateia, enquanto Applause apareceu como um dos momentos mais celebrados justamente por não fazer parte do set da última passagem. Your Mind Is a Helpless Dreamer também se destacou pela reação do público e pela forma como manteve a intensidade da apresentação.
A participação de Marcos Hunger, do Projeto Hungrs, operou como um ponto de conexão direta com a cena local, sendo incorporada de forma natural ao andamento do show.
As interações verbais foram objetivas e pontuais, concentradas em cumprimentos e agradecimentos pela recepção nessa segunda visita, sem grandes pausas entre as músicas. O show seguiu um fluxo contínuo, com a música conduzindo o ritmo da apresentação e a comunicação acontecendo de forma funcional, sem quebrar a dinâmica da performance.
O que mais chama atenção comparando ambas as passagens não está na entrega da banda, que mantém o mesmo padrão técnico, mas na resposta do público. A diferença está na consolidação dessa audiência e na forma como o VOLA passa a ocupar um espaço mais definido no circuito brasileiro do prog contemporâneo.
Essa segunda apresentação acaba funcionando menos como novidade e mais como confirmação de presença. Uma banda que já não soa como descoberta recente, mas como parte de um calendário que o público acompanha.
Setlist
I Don’t Know How We Got Here
We Will Not Disband
Stone Leader Falling Down
These Black Claws
Ruby Pool
Alien Shivers
Your Mind Is a Helpless Dreamer
Head Mounted Sideways
Cannibal (with Marcos Hunger)
24 Light-Years
Applause of a Distant Crowd
Stray the Skies
Inside Your Fur
Bleed Out
Encore
Tray
Straight Lines
Galeria do show
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News
- VOLA – 11 de março – Hangar. Crédito: Tamires Lopes/Headbangers News






































