Há 41 anos, em 28 de junho de 1985, o AC/DC lançava “Fly on the Wall”, seu o décimo álbum da vitoriosa carreira da banda, que é tema do nosso Memory Remains deste domingo, o último do mês.
A banda vinha do disco anterior, o não muito inspirado “Flick of the Switch” e com a saída de Phill Rudd, era hora de se reinventar. E se não veio um novo “Back in Black”, ao menos tivemos aqui um álbum muito honesto, que soa como uma resposta ao teor comercial do álbum lançado antes.
Com Simon Wright assumindo as baquetas, todos adentraram ao “Mountain Studios”, em Montreux, Suíça, onde ficaram entre os meses de novembro de 1984 e fevereiro de 1985, com direito a uma breve pausa, quando a banda veio ao Rio de Janeiro para se apresentar em duas noites na icônica primeira edição do Rock in Rio, em janeiro de 1985. Os irmãos Malcolm e Angus Young se encarregaram mais uma vez da produção.
Dando play na bolacha, o AC/DC nos apresentou dez faixas e duração de 40 minutos, com destaques para músicas como “Sink the Pink“, “Playing With Girls“, “Hell or High Water“, e “Black in Business“, temos aqui um disco que se não chega a ser excelente, também não é desastroso. É um álbum relativamente curto, mas que nos proporciona uma agradável sensação. Mesmo que o AC/DC seja uma banda que repita à exaustão a mesma fórmula em todos os discos, é uma das poucas bandas que se copiam sem soar enjoativa.
O disco não foi bem recebido pela crítica, mas vendeu dois milhões de cópias. A banda saiu em turnê, mas esta foi ofuscada por um episódio em que um serial killer chamado Richard Ramirez foi preso e disse à polícia que cometia seus crimes inspirado pela letra de “Night Prowler”, do álbum “Highway to Hell”, de 1979. Ele usava uma camisa da banda e teria deixado um chapéu com o logotipo da banda na cena de um de seus crimes, A mídia não especializada, como sempre, usou o caso para mostrar o quão o Rock and Roll é ofensivo, subversivo e potencialmente perigoso para as pessoas, ainda que a banda nada tenha a ver com as loucuras que venham a cometer por ai. A banda foi acusada de satanismo, tendo inclusive o seu nome referenciado como se signficassem “Antichtist, Devil’s Child” (N. do R: “Anticristo, a criança do diabo”, em tradução livre). É claro que este tipo de correlação é risível, mas na época, estamos falando de mais de 40 anos atrás, tudo isso soava como se fosse um absurdo. É óbvio que o AC/DC esteve longe de cantar sobre pastos celestiais ou sobre os anjinhos, mas ligar a banda a sociopatia é completamente fora de mão.
Nas paradas de sucesso, o álbum marcou presença: foi 4° na Austrália, 7° no Reino Unido e na Finlândia, 10° na Suécia, 14° na Alemanha, 16° na Áustria, 17° na Noruega, 19° na Suiça, 22° na Nova Zelândia, 26° nos Países Baixos, 30° no Canadá, 32° na “Billboard 200“, e neste ano, o álbum esteve na 33ª posição, na Grécia. Foi certificado com Disco de Prata no Reino Unido, Ouro na Alemanha, Espanha, Suiça, Platina nos Estados Unidos e Triplo Platina na Austrália.
Nosso aniversariante é um dos álbuns menos lembrados quando o assunto é músicas tocadas nos shows. Ele é o 4° com a menor quantidade de músicas tocadas. A faixa-título e “Shake Your Foundations” foram as mais tocadas, e ainda assim, há mais de 40 anos elas não foram mais executadas nos shows do AC/DC.
Ainda que seja um álbum um tanto quanto esquecido pela própria banda, trata-se de uma obra do AC/DC, o que por si só já é digno de nota. A banda esteve recentemente pelo Brasil, onde realizou duas apresentações históricas no Morumbis, e a sensação é que o fim da banda está bem próximo. Sorte a nossa que tivemos a honra de viver na mesma geração destes australianos. Vamos celebrar mais um aniversário deste álbum, enquanto desfrutamos dos últimos momentos da banda que influenciou muita gente.

Fly on the Wall – AC/DC
Data de lançamento – 28/06/1985
Gravadora – Atlantic Records
Faixas:
01 – Fly on the Wall
02 – Shake Your Foundations
03 – First Blood
04 – Danger
05 – Sink the Pink
06 – Playing With Girls
07 – Stand Up
08 – Hell or High Water
09 – Back in Business
10 – Send for the Man
Formação:
- Brian Johnson – vocal
- Angus Young – guitarra
- Malcolm Young – guitarra
- Cliff Williams – baixo
- Simon Wright – bateria