Memory Remains

Memory Remains: Cannibal Corpse – 30 anos de “Vile” e a difícil missão de George Corpsegrinder em substituir Chris Barnes

20 de maio de 2026


Há 30 anos, em 20 de maio de 1996, o Cannibal Corpse lançava “Vile“, o quinto álbum de sua carreira e o primeiro com o atual vocalista, GeorgeCorpsegrinderFischer. Este álbum é tema do nosso Memory Remains desta quarta-feira.

Trata-se de um disco bastante emblemático, pois Chris Barnes havia deixado o posto de vocalista da banda, durante as gravações do álbum, que originalmente se chamaria “Created to Kill“. Alegando que não gostaria mais de escrever e cantar letras do estilo “gore”, ele se despediu, porém, o tempo mostrou que ele seguiria fazendo a mesma coisa com sua banda, o Six Feet Under. Bom para os fãs, que acabaram ganhando duas bandas das boas de Death Metal. E para o lugar de Barnes, a banda recrutou o vocalista GeorgeCorpsegrinderFischer, que estava então no Monstrosity, e este regravou as partes vocais que Barnes havia gravado originalmente.

E George tinha um trabalho imenso, que era o de provar aos fãs old-school que seria capaz de substituir o ex-vocalista ocupando o seu espaço. Bem, o tempo também mostrou que a empreitada deu certo, tanto é que 3 décadas depois, o lançamento deste, o frontman segue firme e forte na banda. George chegou, ganhou seu espaço e hoje é amado pelos fãs da banda.

Assim sendo, a banda adentrou ao “Morrisound Recording”, em Tampa, Flórida, na companhia do produtor Scott Burns, que faria aqui seu último trabalho com o quinteto. Também foi o último disco a contar com o guitarrista Rob Barrett em sua primeira passagem pela banda. Ele deu lugar a Pat O’Brien, que vinha do Nevermore, mas retornou dez anos depois, para gravar “Kill” e segue na banda até hoje.

Dando play em nosso homenageado do dia, o Cannibal Corpse começava, ainda que timidamente a deixar a sua sonoridade mais trabalhada, ainda que as características brutais e primitivas ainda permanecessem. “Vile” tem onze petardos e duração de breves 37 minutos. Alguns clássicos foram forjados aqui, como “Devoured by Vermin“, “Disfigured“, “Perverse Suffering“, além de outros bons momentos, como “Mummified in Barbed Wire“, “Orgasm Through Torture” e “Monolith“, que fazem a estreia de GeorgeCorpsegrinderFischer ser divina.

A turnê de divulgação deste álbum resultou na gravação do VHS (quem tem menos de 30 anos não faz ideia da dificuldade que era para nós mais velhos assistirmos aos vídeos em formato de fitas), chamado “Monolith of Death“, onde a banda apresentava o novo membro ao vivo.

A capa original, como sempre, foi censurada. E ai a banda se viu obrigada a imprimir uma versão alternativa, a mais conhecida, em uma coisa que acabou se tornando rotineira, pois todas as capas do Cannibal Corpse prezam por imagens brutais e que causam reações não muito boas por parte do público em geral.

Uma curiosidade que a faixa “The Undead Will Feast“, lançada originalmente no disso de estreia, “Eaten Back to Life” (1989), foi regravada com George no vocal e lançada como faixa bônus da edição japonesa. Depois, o resto do mundo teve acesso a música no EP “Worm Infested” (2003), que conta com sobras de gravações do álbum “Gore Obsessed“, além de covers.

Vile” ganhou também uma versão brasileira, que saiu pela Paradoxx Music. Na época, o selo investia nas bandas mais pesadas, chegando a ter em seu cast, inclusive, bandas como Angra e Ratos de Porão. Os brasileiros foram afortunados e puderam comprar o álbum sem precisar vender um rim e importar a bolacha.

O álbum foi bem recebido pela crítica especializada e também pelo público. “Vile” foi o primeiro disco de uma banda de Death Metal a figurar na “Billboard 200“, na posição de número 151, o único chart no mundo a listar o play. Em 2006, para celebrar os dez anos do disco, ele foi relançado contendo um DVD bônus com apresentações da banda nos dias 3 e 4 de fevereiro de 1997. Antes disso, em 2003, foi lançado um box chamado “15 Years Killing Spree“, que contém versões demo de músicas escritas e previamente gravadas por Chris Barnes.

Felizmente a banda segue na atividade e com poucas mudanças em relação a formação que tocou aqui. Jack Owen é a única baixa. Hoje quem toca a segunda guitarra na banda é Erik Rutan, que passou anos produzindo os álbuns da banda antes de aceitar o convite para assumir o posto. O Cannibal Corpse segue vivo e nem a pandemia parou a banda, que durante o período lançou o mortal “Violence Unimagined” e, mais recentemente, o poderoso “Chaos Horrific” e segue fazendo shows. Então hoje é dia de celebrar o mais novo trintão do Death Metal, escutando-o no volume máximo e desejando longa vida ao Cannibal Corpse, os reis do Death Metal.

Vile – Cannibal Corpse

Data de lançamento – 20/05/1996

Gravadora – Metal Blade

 

Faixas:

01 – Devoured By Vermin

02 – Mummified by Barbed Wire

03 – Perverse Suffering

04 – Disfigured

05 – Bloodlands

06 – Puncture Wound Massacre

07 – Relentless Beating

08 – Absolute Hatred

09 – Eaten From Inside

10 – Orgasm Through Torture

11 – Monolith

 

Formação:

  • George “Corpsegrinder” Fischer – vocal
  • Jack Owen – guitarra
  • Rob Barrett – guitarra
  • Alex Webster – baixo
  • Paul Mazurkiewicz – bateria