Memory Remains

Memory Remains: Judas Priest – 40 anos de “Turbo” e o mergulho de cabeça nos sintetizadores

14 de abril de 2026


14 de abril é uma data especial para o Judas Priest, pois temos dois discos importantes da banda fazendo aniversário. Um deles é “British Steel“, falamos dele aqui no ano passado. Este ano iremos falar de “Turbo“, o décimo primeiro play da banda, o mais novo quarentão da NWOBHM, e tema do nosso Memory Remains desta terça-feira.

Este foi um disco que causou controvérsia, bastante devido à inclusão de alguns novos elementos, como sintetizadores e letras mais comerciais. Os fãs mais conservadores, claro, torceram Ο nariz. Em contrapartida, a banda estava indo na tendência da época, algumas bandas já havia aderido a modernidade e fazendo uso destes sintetizadores, como o Rush por exemplo, muito embora a proposta musical de ambas as bandas sejam completamente diferentes.

A banda apresentado havia no se icônico “Live Aid“, em julho de 1985, última aparição dos caras após a tour de divulgação do álbum anterior, “Defenders of the Faith“. E OS caras tinham uma intenção bastante ambiciosa: gravar um disco duplo com 19 músicas, que contariam a história deles e em princípio ele se chamaria “Twin Turbos“, porém, a gravadora CBS vetou a ideia, sob alegação de que os custos para a produção do álbum seriam altos.

O álbum ganhou este nome em razão de o guitarrista K.K. Dowing ter comprado um Porsche Turbo pouco tempo antes de a banda se reunir para iniciar processo de composição. O mesmo K.K. Dowing em 2018, na sua autobiografia lamentou o fato de a banda ter recusado uma proposta dos produtores do filme “Top Gun“, que queriam que a música “Reckless” fizesse parte da trilha sonora da película, mas, que fosse exclusiva. Eles não aceitaram e obviamente, perderam muito dinheiro.

Assim sendo, a banda adentrou ao “Campass Point Studios”, nas Bahamas, sob a batuta de Tom Allom e o resultado foi este álbum, que saiu um pouco diferente do que havia sido previamente planejado pela banda. Eles passaram o segundo semestre de 1985 trabalhando no vindouro álbum e Rob Halford teve uma série de problemas pessoais neste período. Ele estava afundado no seu vício em drogas e vivia um relacionamento turbulento com seu parceiro, que veio a cometer suicídio, fazendo com que ele se internasse em uma clínica de reabilitação. O resultado foi botado durante a turnê, onde o Metal God se mostrava com um vigor de adolescente em cima do palco.

O álbum é bem curto, temos 9 canções em apenas 40 minutos. Se por um lado “Turbo” está longe dos melhores momentos da banda, por outro está longe de ser um álbum desprezível. Algumas bandas de Heavy Metal apostavam no uso indiscriminado dos sintetizadores e o Judas Priest seguiu a tendência. Entretanto, temos alguns bons momentos por aqui, como nas músicas “Locked“, “Rock You All Around the World” e “Hot for Love“. É um dos álbuns menos inspirados do Judas Priest. Em 2008, durante entrevista para a Kerrang!, Rob Halford admitiu, como iremos acompanhar abaixo. Aspas para o Metal God:

“A única agenda que tivemos no Priest foi realmente dar vida própria a cada álbum e acho que conseguimos isso em tudo, desde Rocka Rolla até o novo, Nostradamus . Dito isto, se alguma vez houve um disco controverso em termos do que as pessoas esperavam de nós, esse disco é o Turbo . Foi o fato de termos mudado para uma atmosfera diferente, mas era onde estávamos naquele momento específico. Alguns dos avanços tecnológicos, como as pedaleiras que Glenn e KK usaram, estavam nos dando opções para diferentes sons e experimentações. Pessoalmente acho que ainda existem ótimas faixas nesse álbum… É uma das gravações que dividem opiniões.”

Apesar disso, o álbum foi um sucesso de vendas logo de cara, e embora o interesse pelo álbum tenha caído com o passar do tempo, “Turbo” foi certificado com Disco de Platina nos Estados Unidos e Canadá. Nos charts, ficou em 10° na Suécia, 11° na Finlândia, 13° na Noruega, 17° na “Billboard 200“, 22° no Japão, 26° na Suíça, 28° na Alemanha, 33° no Reino Unido, 37° no Canadá, 56° na Austrália e 57° nos Países Baixos. Em 2017, o álbum retornou aos charts, com destaque para a 7ª posição na categoria de “Álbuns de Rock e Heavy Metal” no Reino Unido.

O Judas caiu na estrada e durante a tour, onde eles trocaram as calças de couro com tachas por um visual mais Glam, que era a moda daquele momento, nada menos do que sete dentre as nove faixas de “Turbo” estavam no setlist, dentre elas, “Hot for Love” foi a menos tocada e “Turbo Lover” foi a única que conseguiu permanecer no repertório da banda até os dias atuais. Inclusive, na última apresentação do Judas Priest, dia 8 deste mês, em Paris, ela foi a décima a ser tocada, de um total de dezoito. A música “Out in the Cold” reapareceu em algum show no ano de 2019..

Hoje é dia de celebrar esse álbum, mesmo que não esteja na primeira prateleira da banda, ainda assim, é um álbum do Judas Priest. Essa banda que deveria ser ensinado nas salas de aula. Aguardemos o retorno da banda ao Brasil enquanto curtimos o disco mais recente, o belo “Invencible Shield“. Temos também o documentário “The Ballad of Judas Priest”, com produção de Tom Morello e que conta como Rob Halford se impôs em um estilo completamente machista, e ainda assim tem o respeito de quase toda a totalidade dos fãs. Longa vida ao Judas Priest.

Turbo – Judas Priest

Data de lançamento – 14/04/1986

Gravadora – CBS

 

Faixas:

01 – Turbo Lover

02 – Locked in

03 – Private Propriety

04 – Parental Guidance

05 – Rock You All Around the World

06 – Out in the Cold

07 – Wild Nights, Hot & Crazy Days

08 – Hot for Love

09 – Reckless

 

Formação:

  • Rob Halford – vocal
  • Glenn Tipton – guitarra
  • K.K. Downing – guitarra
  • lan Hill – baixo
  • Dave Holland – bateria