Memory Remains

Memory Remains: Krisiun – 31 anos de “Black Force Domain”, a estreia arrebatadora e a primeira turnê na Europa

14 de agosto de 2026


Há 31 anos, em 14 de agosto de 1995, o Krisiun lançava “Black Force Domain”, o álbum de estreia dos irmãos gaúchos, e que é tema do nosso Memory Remains desta sexta-feira.

A banda foi formada no ano de 1990, na cidade gaúcha de Ijuí, e no primeiro momento era um quarteto. O guitarrista Altemir Souza fez parte dos primórdios do Krisiun e saiu em 1993. Em 2002, ele faleceu vítima de um acidente de motocicleta. Com Altemir, a banda lançou suas primeiras três demos, e em duas delas, a música “Evil Mastermind“, que foi registrada em nosso homenageado, foi incluída. Há também uma versão para a música “Eu Sou Terrível“, de Roberto Carlos, que saiu na segunda demo dos caras.

O início foi bem difícil, eles tocavam com instrumentos que estavam longe de ser de primeira linha, mas nunca perderam o foco. Na época, as bandas undergrounds faziam uso de fanzines, e assim o Krisiun passou a trocar correspondências com fãs e editores dos zines por todo o país, fazendo com que seu som ficasse conhecido através das demos gravadas. E quem ouvia as demos, logo sacava as influências de Slayer e Morbid Angel, principalmente dos álbuns “Show no Mercy” e “Altars of Madness“.

Em 1993, a banda já estava residindo em São Paulo e gravou dois splits: um com a banda paulistana Violent Hate e outro com a banda alemã Harmony Dies. Altemir Souza ainda fazia parte do Krisiun. Em 1994, já de contrato assinado com a Dynamo Records, o Krisiun gravou o EP “Unmerciful Order“, tendo o guitarrista Maurício Nogueira em lugar de Altemir, que optou em retornar ao Rio Grande do Sul. Das nove musicas contidas aqui, nenhuma foi aproveitada no disco de estréia.

Uma curiosidade é que, nos primeiros anos de banda, o baixista Alex Camargo utilizava o nome artístico Alex Kolesne. Ele veio a adotar o sobrenome de solteira de sua mãe, em 1995, passando a se tornar conhecido por Alex Camargo. A diferença do uso do sobrenome pode até causar uma certa confusão sobre os laços fraternos da banda, mas, sim, eles são irmãos.

Nos meses de abril e maio de 1995, já com o formato de Power-Trio, pelo qual ficou conhecido, com os três irmãos se dividindo nos instrumentos, o Krisiun adentrou ao Army Studios, onde o álbum foi gravado e mixado, com produção de Sérgio Sakamoto e co-produção do próprio Krisiun. A masterização aconteceu no Compania de Áudio, também em São Paulo. A arte da capa, que hoje faz o fã conservador orar para pneu e beber detergente, foi assinada por July Simons e A.V. Coelho.

Hora de dar play na bolacha e o que ouvimos aqui é algo diferenciado. Temos dez petardos em 41 minutos, onde podemos perceber muita técnica por parte dos músicos, tanto que anos mais tarde, Max Kolesne viria a se tornar uma referência quando o assunto é bateria no Death Metal. Moysés Kolesne também se destaca pela performance nas seis cordas, e Alex Camargo com seu vocal que permanece perceptível até os dias atuais.

Podemos destacar a faixa-título, “Evil Mastermind” e “Hunter of Souls“, como os pontos fortes da estreia arrebatadora do Krisiun. O álbum recebeu críticas positivas por parte da imprensa especializada e é considerado pelos fãs como um dos melhores trabalhos do Krisiun em todos os tempos. Eles conquistaram o mundo de vez, em 2000, com o lançamento de “Conquerors of Armageddon“, mas cinco anos antes, eles já demonstravam que estavam chegando para se somar ao Sepultura e ao Angra como as grandes forcas do Metal nacional, status que eles mantém até os dias atuais.

Black Force Domain” é um dos discos com o menor número de músicas tocadas ao vivo, mas ainda assim, a faixa-título ainda é executada até os dias de hoje. Na apresentação que a banda realizou em São Paulo, no Party on Wacken, em abril deste ano, eles não deixaram a música de lado e ela foi tocada para delírio dos presentes.

Em 1997, o selo alemão Gun Records, lançou o álbum na Europa, o que fez com que os fãs ficassem interessados na sonoridade da banda, e em maio daquele ano, os irmãos desembarcaram na Alemanha para uma série de vinte shows. Eles ganharam mais seguidores, e em dezembro do mesmo ano, a banda retornava à Europa, onde tocou com o Kreator e o Dimmu Borgir em trinta datas.

Era só o começo arrasador de uma banda que se orgulha de levar o nome do Brasil, e o mais importante, que não se apropria da linguagem da extrema-direita conservadora que insiste em propagar o caos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro. É comum o vocalista Alex Camargo dizer com todas as letras nos shows da banda que eles não toleram o fascismo, o racismo e qualquer segregação. Ponto para eles.

Hoje é dia de celebrar esse baita álbum que envelhece muito bem, obrigado. E vamos agradecer por ter bandas como o Krisiun ainda em plena atividade, lançando álbuns e fazendo shows. Aliás, já está na hora de a banda nos brindar com o sucessor do ótimo “Mortem Solis“, lançado em 2022.

 

Black Force Domain – Krisiun

Data de lançamento – 14/08/1995

Gravadora – Dynamo Records

 

Faixas:

01 – Black Force Domain

02 – Messiah of the Double Cross

03 – Hunter of Souls

04 – Blind Possession 

05 – Evil Mastermind

06 – Infamous Glory 

07 – Rejected to Perish Below

08 – Meanest Evil 

09 – Obsession by Evil Force

10 – Sacrifice of the Unborn

 

Formação:

  • Alex Camargo – baixo/ vocal
  • Moysés Kolesne – guitarra
  • Max Kolesne – bateria