Resenhas

Ωmega

EPICA

10

Epica é simplesmente imbatível dentro do seu estilo que muitos consideram como metal sinfônico. Coerente e absurdamente competente no que fazem Epica trilha seu caminho para o óbvio estrelato alcançando a façanha de talvez superar a banda que os influenciou – o Nightwish. Ωmega será lançado nesta sexta-feira, 26, pela Nuclear Blast Records e distribuído no Brasil pela Shinigami Records.

“Abyss of Time – Countdown to Singularity”, uma das grandiosas músicas que brindam o fã logo após uma saudação orquestral maravilhosa entitulada “Alpha – Anteludium” que te surpreende pela incrível efeito de uma orquestra completa – inédito na carreira da banda em um álbum.

Vocês queriam Simone Simons compartilhando seus belíssimos vocais com corais de criança? Temos isto em “The Skeleton Key” – em uma das performances mais incríveis de Mark Jansen no papel dos vocais guturais. Querem elementos orientais? Sim, temos também – apenas ouvir a majestosa “Seal of Solomon” em que a banda conseguiu mesclar cítaras em meio da bateria altamente bem gravada de Ariën Van Weesenbeek – o músico está mais inspirado do que nunca neste álbum.

“Seal of Solomon” traz muitos desafios como também tenores que digladiam majestosamente com a voz absurdamente clara de Simone Simons. Mark Jansen também faz um papel muito bom compartilhando os solos com Isaac Delahaye – onde se percebe claramente uma nova fase do nosso guitarrista carismático. Temos claramente o padrão sinfônico de Epica, marca registrada da banda, com a faixa “Gaia” – que pessoalmente acredito ser a que possui mais toques inovadores por ousar viajar em notas que não são tão solares como estamos acostumados, lembrando bastante momentos do The Gathering. É bem estranha esta sensação de que a melancolia sempre está rodeando a música, quando finalmente entra no tradicional metal sinfônico que estamos acostumados.

“Code of Life” traz mais regionalismo oriental, inserindo elementos de Lorenna Mckennitt só que masterizados/mixados para que sejam absurdamente pesados. Acredito que Simone Simons teve um desafio enorme para cantar nesta que acredito deve ser a faixa mais complexa do álbum. Recheado de variações rítmicas e mudanças de melodias, Simone é obrigada a cantar o tempo todo num campo muito alto de sua voz – o que para manter o tempo todo é algo bastante desafiador.

Coen Janssen também está fazendo um trabalho simplesmente impecável neste álbum. Percebe-se claramente que o músico teve que se virar nos trinta para encaixar todas as variações de estrofes musicais em todas as faixas – “Freedom” por exemplo é um exemplo disto. É muito interessante notar a grande variedade de sonoridades nesta faixa. Temos corais, uma variação de duas guitarras, os vocais de Mark Jansen misturados ao grandioso vocal de Simone Simons – sempre na frente. O charme disto tudo é poder ouvir tudo, inclusive detalhes de seu teclado com as diversas camadas de vozes – incluindo os grandiosos blastbeats de Ariën Van Weesenbeek e a bem gravada linha de baixo de Rob Van Der Loo que sempre tem uma variação para se diferenciar da linha de seu colega rítmico.

Epica pode ser prog metal também quando o lema é ter música longa com variações rítmicas – a grande prova é a faixa “Kingdom of Heaven prt 3 – The Antediluvian Universe” que como citei acima, prova que Coen Janssen tem estado absurdamente ocupado trabalhando numa verdadeira obra de arte sinfônica. Exagero? Pode até ser, mas a variação de instrumentos, a grande sacada que ele teve em fazer da música uma verdadeira trilha sonora para o Reino dos Céus – demonstra que o músico teve paciência de sobra de pegar trechos de diversas músicas do álbum e fazer com que elas conversassem entre elas numa verdadeira guerra musical – uma verdadeira obra de arte e minha faixa favorita do álbum.

“Rivers” é aquela faixa que dá um intervalo no álbum para dar uma relaxada após a verdadeira saga do Reino dos Céus – mais um grande trabalho entre Coen e Simone Simons fazendo aquilo que sabem fazer melhor. Impressionante como os dois trabalham bem juntos.

“Synergize – Manic Manifest” traz o ouvinte de volta ao mundo do Epica – destaco nesta música o grande talento de composição também para as faixas de guitarra criadas por Isaac Delahaye. As pontes e arranjos soam complexas e muito diferentes do que apenas tocar aquilo que o Coen Janssen toca em seu teclado/sintetizador. Impressionante. Com “Twilight Reverie – The Hypnagogic State” temos o clássico Epica, pode se dizer. Um verdadeiro clássico da banda que traz todos os elementos tradicionais da banda com toda a pompa sinfônica que você pode imaginar.

A banda encerra o álbum com “Omega – Sovereign of the Sun Spheres”, a versão absurdamente pesada comparada aquela acústica, chamada “Omegacoustic” lançada para promover o álbum – convenhamos, bem melhor. Epica mostra com este Omega que está mais afinada com o metal sinfônico do que nunca e certamente está mais sinfônico do que nunca. Não pensem duas vezes, se pensarem em metal sinfônico, pensem em Epica – a melhor banda de todos os tempos.

 

Faixas:

1. Alpha – Anteludium
2. Abyss of Time – Countdown to Singularity
3. The Skeleton Key
4. Seal of Solomon
5. Gaia
6. Code of Life
7. Freedom – The Wolves Within
8. Kingdom of Heaven Pt.3 – The Antediluvian Universe
9. Rivers
10. Synergize – Manic Manifest
11. Twilight Reverie – The Hypnagogic State
12. Omega – Sovereign of the Sun Spheres

Formação:

Simone Simons – Vocal
Mark Jansen – guitarra, vocal
Isaac Delahaye – guitarra
Coen Janssen – piano
Rob van der Loo – baixo
Ariën van Weesenbeek – bateria

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