Resenhas

Black Crosses in the Sun

Aurora By Noon

Avaliação

9.5

‘Black Crosses in the Sun’ é o álbum de estreia do grupo de rock Aurora By Noon, e posso afirmar que o que temos aqui, quando o assunto é som, é algo muito bem homogêneo e moderno. O álbum traz familiaridade com Volbeat, Foo Fighters e até Ghost, um som jovial e enérgico. O álbum já começa com um peso característico do rock moderno, a canção que traz esse frescor é “Dirty Rules, Dirty Game”. Uma balada melódica e extremamente pulsante que com certeza puxa o ouvinte para mais e mais. Já a segunda faixa, “Black Crosses in The Sun”, tem um ritmo mais lento, um rock mais melódico e condensado em trechos isolados um som digno de entrar em trilha sonora de filmes adolescentes dos anos 90.

O próximo som carrega o nome de “Reasons”. Assim como a anterior, esta carrega um ar de Rock Romântico, pesado mas ao mesmo tempo de aura leve. Bateria forte e robusta, distorção modernas e vocais claros combinados com pop. O Álbum em si tem uma homogeneidade quando o assunto é estética. As canções carregam os mesmos elementos em todo álbum.

A faixa seguinte é “Go With the Flow”, quase assume um papel tipo Foo Fighters com sua narrativa, enquanto ainda tem a agressividade a canção tem descontração e dinâmica. Com certeza aqui eles mostram que podem fazer uma poderosa mudança de ritmo, sem perder a qualidade e o andamento. Definitivamente essa canção pode concorrer a posição de greatest hits de bandas consagradas. Aurora By Noon tem total potencial e competência para tal.

Outro belíssimo destaque é para “A Thousand Words, A Thousand Thorns” Da composição a escolha rítmica, você fica sem fôlego. É um heavy metal punk, melódico que te tira de qualquer inércia! “A Thousand Words, A Thousand Thrones” vai com certeza te fazer pular da cadeira – se ainda estiver sentado, afinal, com tanta qualidade é algo quase impossível.

A sexta faixa do álbum é “No More Crying” ela é uma legítima balada heavy, tem um belíssimo andamento de balançar cabeças, e um refrão que logo de cara te faz cantar junto. Existe uma força nessa canção, desde sua linha de versos até seu refrão que sugerem um crescimento narrativo que te carrega junto. Tudo aqui realmente leva você a lugares que você  gostaria de estar.

Ainda na metade do disco,”Sleepless” vem com a parte mais reflexiva do álbum, com andamento excessivamente melódico e carregado. Com guitarras cheias de host notes e Palm mute, essa canção tem uma estética Creed de se portar. Essa canção nos mostra o que  Aurora By Noon é capaz de emanar com seu lado “sombrio” e melancólico. A canção possui um lindo e melódico final que te deixará de queixo caído.

A oitava faixa, “Floating Deadwood” se porta como uma daquelas canções dos anos 2000 que faziam parte das trilhas sonoras de filmes de heróis, como “Hero” de Nickelback, aliás podemos associar o estilo de Aurora como parte desse movimento que hoje é considerado nostálgico para muitos, inclusive pra mim. Ouvir este disco é como imaginar uma trilha sonora de um filme como os de herói dos anos 2000. Era garantido o alinhamento entre esses universos.

“Under Pressure” é outra faixa que poderia estar numa trilha sonora, ela não surpreende – mas isso não significa que ela é uma música sem qualidades. O fato dela não surpreender é justamente porque já vimos a mesma proposta anteriormente minutos atrás com, “Go With Flow” e “No More Crying” por exemplo. Nesse ponto já fica difícil surpreender  afinal o albúm já entregou muito daquilo que veio propor, em “When Dinosaurs will Die” há delicadeza na execução e na escrita, eles pegaram todas as armas que tem e colocam pra jogo e, ok, eles tocam bases criativas e com classe. No entanto, quando você ouve o álbum inteiro, você vai ter a sensação que já viu a canção alguns minutos antes. Não é uma crítica e sim talvez uma dica de que eles poderiam experimentar mais o recurso da imersão e do ambiente, para talvez inserir os espectadores em momentos diferentes, e não só em visões dos anos 2000.

Nas duas últimas canções, “Thief in the Mirror” e “In The Shelter of Mother Earth” o disco mostra-se fora da curva, muitas bandas optam por “desacelerar” Aurora By Noon, faz o contrário… ambas faixas são agitadas, sendo “Thief in the Mirror a mais destruidora” enquanto “in The Shelter of Mother Earth” o peso fica para seus 1min, qual a música explode em refrão e pesa em sua bateria, fazendo o ouvinte entrar em êxtase final.

O álbum é uma volta ao tempo e com elementos conhecidos de muitos, com um som inteiramente próprio mas altamente referenciado de vários outros excelentes grupos. As canções são bem elaboradas e icônicas, um som pesado, jovial e muito criativo. Se você é fã de Creed, Foo Fighters, Nickelback e toda aura do Rock 2000 tudo isso além do talento inegável dos caras , Aurora By Noon certamente vai te agradar.