O cantor, compositor e multi-instrumentista Jeremy, de Banbury, Inglaterra, Jeremy retorna com a segunda parte do seu trabalhoso, mas ambicioso. ‘Scenes from a Well Worn Path – Side Two’, entre mais 6 músicas do seu álbum álbum duplo de 24 faixas, que está sendo lançado em forma de EP. ‘Scenes from a Well Worn Path – Side Two’ chega com uma proposta que trata a música como espaço para confronto e reflexão. A segunda parte de seu projeto passa por dor, luto, alegria e medo, sem tentar suavizar essas experiências, transformando o trabalho em algo pessoal, intimista e que, com certeza, o público irá se identificar.
A jornada começa com “Do Birds Sing the News.”, uma abertura tímida com linhas de violão inspiradas no folk rock/pop dos anos 70, somando a bateria marcada e suave com uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sentimental, mas cheio de detalhes escondidos. Uma faixa que entrega o clássico romântico e abre o disco de forma formidável, sendo um de seus momentos mais expressivos.
Construído de forma independente em um estúdio caseiro, o projeto nasce das referências de John Lennon, Bob Dylan, Randy Newman e David Bowie, mas não se limita a reproduzi-las. Jeremy grava todas as guitarras e o baixo fretless e recorre a ferramentas de IA generativa treinadas com sua própria voz para completar a formação que não conseguiu reunir presencialmente.
Logo depois, “So Cold” mantém o peso melancólico, agora com muitos momentos de pré-tensão: linhas de violão acústico que exploram nuances e vocais de AI que abraçam o compasso da melodia. Estamos na segunda faixa, mas já é notável que o violão folk irá carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa. Não à toa, a obra de Jeremy é sombria, pesada e introspectiva.
Há cuidado nos arranjos e, principalmente, nas letras, que escapam de respostas fáceis para levantar questões sobre comportamento, escolhas e a maneira como conduzimos a própria vida. O resultado tem a intimidade de um trabalho feito sem intermediários, mas também uma ambição que vai além do formato tradicional de estreia.
A sonoridade em geral mescla peso do folk rock entre os anos 70, com um apelo pop acessível, resultando em músicas que equilibram técnica com passagens melódicas que parecem ter ido compostas por um ícone da época. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional, mesmo que os vocais sejam artificiais, como percebemos em “Moving on – Side Two”.
Na sequência, “4 O’clock Train” a intensidade aumenta e entrega um clima mais animado, com linhas de violão e swing mais elegante, convidando o ouvinte para participar e bater palmas no ritmo da melodia. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente de todo o disco. Somos surpreendidos com bateria de uma base rítmica sólida e sentimental, ao final chega expandindo o som em algo semelhante ao que conhecemos do folk pop moderno onde as faixas são lentas e ganham uma imensidão ao final com solo marcante e instrumentos ganhando força. É a música mais comercial do disco, ótima para promoção em rádios.
“No 9” chega com uma pegada potente na entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, que remetem as raízes do rock clássico e seus originários. O clima fica robusto e cheio de inspiração. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e poderosas, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais remete ao rock.
A última faixa é “Ideonella Sakaiensis”, que perfura o ouvinte com seu violão melancólico. Aqui, somos novamente jogados ao peso sentimental e densidade, com energia única e uma construção em seus dedilhados que entrega o puro folk. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho pop comercial, mas não é uma faixa simples para ouvir como pano de fundo; é preciso prestar atenção nos vocais que nos hipnotizam e nos riffs que querem ensinar algo.
É importante notar que Jeremy não se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de folk, pop, etc. O músico pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais — e os vocais por IA pesaram, deixando o disco muito artificial. Isso resulta em um som instrumental e composição bem executados e fiéis às raízes do gênero, mas que não oferece grandes surpresas.