Mental Gymnast, direto de Richmond, Estados Unidos, é uma dessas bandas que chegam para transformar ambientes. O projeto emergiu na cena musical em janeiro deste ano, trazendo um som que mistura o hardcore agressivo e punk com rock alternativo, de maneira sofisticada, em canções que oscilam entre força e fragilidade. Em novo EP autointitulado de 5 faixas, Mental Gymnast se entrega de forma madura, explorando camadas instrumentais fortes, que soam tanto nostálgicas quanto frescas. O projeto mistura a urgência do punk, energia coletiva e letras que vão além do clichê, buscando algo mais vivido e imediato. A banda foi direta em seu comunicado à imprensa: “este é o nosso segundo EP autointitulado. Acabamos de gravar o terceiro, que também será autointitulado… Somos péssimos para dar nomes às coisas”.
Profundamente sincero e carregado de emoção, o EP combina letras despojadas com um instrumental pesado que alterna entre impulsos do hardcore e punk, texturas alternativas e construções cinematográficas, criando um disco em que cada música funciona tanto como afirmação emocional quanto como explosão sonora.
E a banda já prova isso na abertura com “Romance Novels”, um convite para o mundo pesado e urgente, com riffs pesados e melódicos, vocais intensos como um soco na porta, já mostrando logo de cara para que a banda veio. A canção mantém o ritmo cadenciado e grave, emulando o som rebelde e agressivo do hardcore. Uma faixa cheia de influencias mas de difícil definição, já que a banda soube usar todas influências dos anos 80 e 90, e acrescentar seus temperos nesse disco.
Em “I Want to Believe” o tom agressivo característico do punk continua. Um ponto interessante é o detalhe de sentirmos como se fosse um K7 de uma banda dos anos 80, que pegamos para ouvir. Os vocais trazem mais atitude, sendo possível sentir a emoção na voz. Nessa canção há mais detalhes que mostram influência do punk rock, onde os vocais estão mais imediatos, mas ao mesmo tempo está carregado. Os riffs mais rápidos, mas há um toque mais moderno, sendo perfeitamente uma banda nova que soube abraçar a modernidade e criar um ambiente moderno influenciado pelos pioneiros do estilo.
Há muita técnica no som da banda, mas uma técnica que segue o estilo DIY, simples, imediata e rápida — como percebemos, as faixas não ultrapassam 2 minutos de duração. Mas, mesmo rápidas, são intensas e bem tocadas. Isso é notável em “Stay Warm”, uma canção de 42 segundos que incorpora tanto a fragilidade quanto a resiliência presentes no coração do disco. Os clássicos riffs do rock alternativo, que vem ganhando notoriedade, dessa vez com tons de punk mais clássico, são perfeitamente mostrados aqui. Os vocais aqui ganham mais intensidade, trazendo aquele hino perfeito que faz o público cantar junto, e, quando somos conquistados, a faixa acaba sem alarde. Adorei essa ousadia.
Preparando os ritos finais, “The Lowest Bar” nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com instrumental simples mas ardentes, em vocais penetrantes de uma faixa imersiva, comovente e a mais punk raíz do álbum, mergulhando no terreno da rebeldia mas com pitadas de metal. A canção explode com uma base rítmica sólida e riffs fortes, peso e agressividade densa, tornando-se a faixa perfeita para um show cheio de intensidade, mas ainda assim mantendo o clima. Aqui continua aquela brutalidade e riffs sinuosos que vem e voltam e convidam a todos para a roda punk. Aqui sentimos muita influência do metal punk, em uma tempestade sonora, mas mantendo a energia underground do estilo.
Para encerrar de forma triunfal, a mais agressiva do disco, “IN4U” segue com a nostalgia, não apenas no som, mas na energia, letras e vivacidade da banda, que não se preocupa com uma fórmula indicada para o sucesso, apenas faz seu som, e é esse detalhe que os faz ser notados. Mantendo o som denso e rebelde, e a energia moderna que já é assinatura do Mental Gymnast, enquanto o instrumental é impactante e cheio de energia, sendo a faixa mais forte. Esse álbum vem com um ritmo que nenhum fã do estilo poderá colocar defeito.
Influenciado pelos artistas de punk e hardcore de primeira linha, o disco entrega tudo o que se propõe, e muito mais, onde podemos sentir o peso da emoção, para criar um som mais acessível e memorável. Mental Gymnast se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de punk; o grupo não pisa no freio para criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado, fiel às raízes do gênero, perfeito para os mais exigentes. Para aqueles que são fãs do estilo, Mental Gymnast oferece exatamente o que se espera.