Entrevistas

Immolation no Brasil: Robert Vigna fala sobre o novo álbum, a turnê com Testament e Municipal Waste e quase 40 anos de peso e integridade

Immolation no Brasil: Robert Vigna fala sobre o novo álbum, a turnê com Testament e Municipal Waste e quase 40 anos de peso e integridade

26 de agosto de 2026


Uma das turnês mais pesadas do calendário do metal em 2026 acontecerá em dezembro. Testament, Municipal Waste e Immolation se apresentarão juntos por múltiplos mercados das três Américas, incluindo cinco cidades brasileiras. A reunião das três bandas em uma mesma turnê oferecerá ao público uma leitura ampla do metal atual — um verdadeiro encontro de escolas, gerações e públicos que se conectam pela intensidade, longevidade e influência exercida sobre a música pesada.

Enquanto o Testament traz a força do thrash metal da Bay Area promovendo o aclamado Para Bellum (2025), e o Municipal Waste representa a energia frenética do crossover thrash, o Immolation chega ao país para divulgar seu mais novo e celebrado trabalho de estúdio, Descent (2026).

Conversamos com o guitarrista e fundador do Immolation, Robert Vigna, que relembrou os segredos para manter a banda ativa por quase quatro décadas sem comprometer sua sonoridade, o processo de composição de suas guitarras dissonantes e a grande expectativa de retornar ao Brasil para essa turnê histórica ao lado de velhos amigos.

Headbangers News: O Immolation lançou seu novo álbum, Descent, e é uma das poucas bandas de death metal do final dos anos 80 e início dos 90 que nunca comprometeu sua sonoridade e nem fez grandes pausas. Olhando para trás, qual é o segredo para manter esse pique e essa integridade vivos por quase 40 anos?

Robert Vigna: Eu acho que nós simplesmente amamos e nos divertimos com o que fazemos. Sempre demos um jeito de tornar isso possível. Ou seja, ao longo das nossas vidas, sempre procuramos trabalhos que nos permitissem sair para fazer turnês e depois voltar. Fizemos tudo o que foi necessário para fazer a banda funcionar, movidos por muita paixão. Pouco a pouco, a cada álbum e a cada turnê, as coisas foram melhorando discretamente — um pouco mais de retorno, novas oportunidades — e nós gostávamos tanto disso que nunca houve motivo para “pendurar as chuteiras”. As melhorias foram em passos lentos, mas constantes. A paixão é a razão principal. Além disso, com a formação atual desde 2016, incluindo o Alex [czar], todos nós estamos exatamente na mesma página. Tem sido uma combinação de sorte, muito trabalho duro e amor pela música.

HBN: É interessante perceber que a identidade do Immolation se fortaleceu ainda mais nos últimos anos…

Robert Vigna: Sim! Acho que os últimos discos foram alguns dos nossos melhores. Com o novo álbum, Descent, estávamos todos extremamente empolgados porque a matéria-prima, a capa, a arte e a produção saíram como nada que tivéssemos feito antes. Tudo se encaixou perfeitamente. Para uma banda com 38 anos de estrada e em seu 12º disco, estar tão empolgado é uma sensação incrível. Nós amamos Atonement e Acts of God, mas quando você faz discos bons assim, a pressão aumenta para o próximo. Você só pode dar o seu melhor e torcer para dar certo, e Descent realmente se superou. Para mim, é um dos melhores trabalhos que já fizemos.

HBN: Os seus riffs de guitarra são instantaneamente reconhecíveis — as dissonâncias, os ritmos incomuns e a forma como você usa os harmônicos de palheta (pinch harmonics). Qual é a sua mentalidade ao construir uma música? Você tenta intencionalmente fugir dos padrões tradicionais do death metal?

Robert Vigna: Não sei se algum dia fomos tradicionais dentro do que se costuma ver por aí. Para mim é um processo natural. Eu tento escrever coisas que carreguem muita atmosfera e sentimento na própria música. O nosso foco sempre foi criar um tom sombrio e ameaçador. Claro que os vocais e as letras são pesados, mas você precisa de uma atmosfera na música para sustentar isso, em vez de focar apenas na brutalidade o tempo todo. Não há nada de errado com bandas que atacam com brutalidade pura, mas no nosso caso, gostamos de aliar o peso e a agressividade a muita emoção. Na hora de compor, não tenho uma fórmula pronta. Vou criando partes e construindo a música ao redor de ideias que sinto que têm potencial. Às vezes, guardo partes por anos até descobrir a melhor maneira de usá-las, como aconteceu com trechos que só foram entrar agora no Descent.

HBN: Você e o Ross [Dolan, vocal e baixo] estão juntos desde o primeiro dia. Como funciona essa dinâmica na hora de traduzir suas ideias de guitarra para as linhas de baixo e o vocal dele?

Robert Vigna: Funciona muito bem. Geralmente eu monto as músicas e, quando sinto que estão prontas, envio primeiro para o Ross. Se ele aprova, mandamos para o resto do pessoal. No baixo, na maioria das vezes o Ross segue o que as guitarras estão fazendo para dar mais peso, mas há momentos em que buscamos abordagens diferentes para dar destaque a passagens mais épicas. Nós dois temos visões muito parecidas sobre onde queremos levar a sonoridade da banda. O Alex e o Steve [Shalaty, bateria] também trazem um equilíbrio ótimo — o Alex tem essa bagagem old school como a gente, enquanto o Steve traz uma perspectiva da nova geração. A parte mais divertida do processo costuma ser quando chegamos às letras, onde trocamos muitas ideias e lapidamos os encaixes dos vocais sobre as bases de guitarra.

HBN: Descent tem uma produção incrível em que é possível ouvir detalhadamente cada instrumento. Como foi o processo de gravação deste álbum?

Robert Vigna: Aprendemos muito com os erros do passado. Antes, certas bases ficavam escondidas na mixagem, então hoje somos muito criteriosos ao orientar os produtores. Desta vez o processo foi um pouco diferente: gravamos de forma mais espaçada. O Steve gravou as baterias em Ohio com o Noah Buchanan no Mercenary Studios. Depois, eu e o Ross gravamos as guitarras, baixo e vocais localmente com o Justin Passamonte. Apesar do prazo apertado, o ambiente foi muito mais relaxado do que o habitual. No fim, enviamos tudo para o Zach Oren na Califórnia, que fez sua mágica na mixagem e masterização. O resultado final ficou sensacional.

HBN: Descent está sendo um grande sucesso de vendas nas lojas do Brasil! É um sentimento que vocês também têm percebido nos shows e em outras partes do mundo?

Robert Vigna: É muito bom saber disso! Nós não costumamos acompanhar números ou dados. A nossa resposta vem do contato direto com os fãs nos shows e do que nos dizem. O retorno com Descent tem sido fenomenal por onde passamos. Muita gente nos diz que é o nosso melhor trabalho desde o primeiro álbum. Recentemente, nos Estados Unidos, fizemos uma turnê com o Behemoth, Deicide e Rotting Christ, tocando para públicos jovens que nunca tinham ouvido Immolation, e a reação a todas as músicas novas foi incrível. Isso nos dá a confiança de montar um repertório cheio de composições do disco novo.

HBN: Vocês virão ao Brasil para tocar nesta grande turnê ao lado do Municipal Waste e do Testament, e a data de São Paulo já está com ingressos esgotados! Como está a expectativa?

Robert Vigna: Isso é maravilhoso! A expectativa é a melhor possível. O Testament é uma banda clássica e fantástica, e quanto ao Municipal Waste, já fizemos turnês com eles antes. Eles são caras super legais e uma banda absurda ao vivo. Quando a oportunidade dessa turnê conjunta apareceu, dissemos: “Temos que fazer isso acontecer de qualquer jeito!”. Estamos extremamente empolgados para fazer esses shows no Brasil e no restante da América Latina.

HBN: E os fãs brasileiros com certeza mal podem esperar para ouvir as faixas do Descent ao vivo!

Robert Vigna: Com certeza! Vamos tocar as músicas novas, mas também sabemos que vocês querem ouvir alguns dos clássicos mais antigos. Prometemos um show avassalador!

HBN: Para encerrar, gostaria que você deixasse uma mensagem para os fãs brasileiros…

Robert Vigna: Quero agradecer imensamente a todos do Brasil pelo apoio incondicional ao longo de todos esses anos. Estamos ansiosos para voltar e tocar para vocês. Se ainda restam ingressos nas outras cidades, garantam logo os seus, pois essa reunião de três bandas em um só palco será algo muito especial. Se não houver show exatamente na sua cidade, pegue um avião, um ônibus, dê um jeito e venha nos ver! Nos vemos em breve!