A banda norte-americana de rock progressivo e jazz fusion Antartica lançará em 24 de julho de 2026 o álbum ao vivo ‘Antartica Live’, registro inédito que reúne apresentações gravadas em 1982 no estúdio de ensaios do grupo, em Dracut, Massachusetts. As gravações permaneceram arquivadas por mais de quatro décadas e agora chegam ao público após um cuidadoso trabalho de restauração e remasterização. Segundo os integrantes, o álbum preserva as performances praticamente como aconteceram, com pouca intervenção em estúdio e sem o uso significativo de overdubs. O tecladista Marc Soucy ficou responsável por recuperar as fitas originais, melhorando a qualidade do áudio sem alterar a dinâmica e a espontaneidade das apresentações, que mostram a combinação de improvisação, técnica e interação entre os músicos.
A jornada começa com “Mayhem In Antartica”, uma abertura tímida com teclados inspirados no progressivo dos anos 70, somenado a riffs secos, bateria marcada e uma produção que já escancara o tom do disco — direto, sem massagem, mas cheio de detalhes escondidos nas camadas de guitarra. Uma faixa que entrega o rock’n’roll experimental sem firula – lembrando muito bandas como Mike Oldfield, Tangerine Dream e Kitaro.
Logo depois, “Charlie Backwards” mantém o peso, agora com grooves e muitos momentos de pré-tensão: baixo pulsante, riffs que exploram nuances e sintetizadores que abraçam o compaço da bateria jazzista, lembrando como a escola do hard rock, progressivo e eletrônico podem se cruzar. Estamos na segunda faixa mas já é notável que os sintetizadores e teclados irão carregar todo o disco, nos conduzindo por essa audição gostosa. Não à toa, Antartica Live’ é uma obra sombria, pesada e introspectiva, de guitarras estridentes e instrumentação psicodélica.
A sonoridade em geral mescla peso do rock’n’roll entre os anos 70, com um apelo psicodélico acessível, resultando em músicas que equilibram técnica com passagens psicodélicas que parecem ter ido compostas com o LSD. É um som que não se perde em virtuosismo: a força está na simplicidade louca dos acordes e na intensidade da entrega, sempre mirando impacto imediato e emocional.
Na sequência, “When I Take The Five” abaixa a intensidade e entrega um clima mais jazzista, com linhas de violão e swing mais elegante. A instrumentação traz algo mais místico, uma energia diferente de todo o disco. Somos surpreendidos com bateria de uma base rítmica sólida e sentimental, ao final chega expandindo o som em algo semelhante ao que conhecemos m bandas clássicas de jazz onde as faixas são lentas e ganham uma imensidão ao final com solo marcante e instrumentos ganhando força.
“No This Isn’t Jazz Either” chega com uma pegada potentena entrada, e logo culminará em uma bateria urgente e um refrão poderoso, que remetem as raízes do jazz e seus originários. Apesar do nome da canção, há muito além do simples jazz aqui. A faixa nos é apresentada com aquela vibe de jam de garagem levada ao limite, com ousadia, psicodelia e ao escutar a maior faixa do disco, entendemos seu nome, onde a banda ousou em mudar ambintes e novamente entrega uma trilha de filme de horror PERFEITA. Ao longo de seus 10 minutos, essa canção irá surpreender.
Chegando a “Inside Out”, o clima fica robusto e cheio de inspiração. Os riffs densos e melodias abertas se misturam, quase sempre ancoradas em afinações mais graves. A bateria segue um caminho sólido e direto, priorizando batidas retas e poderosas, criando uma base quase marcial. Essa é a canção que mais remete ao rock psicodélico, com vocais mais reconfortantes. Os riffs seguem a linha de Tony Iommi, mas tons mais melancólicos e é com se o cantor contasse uma história sincera e vivida por ele.
Em “The Out Cats” somos novamente jogados ao peso e densidade, com riffs de energia única e uma construção em seus teclados que entrega o puro progressivo. Sem cair na pompa excessiva, a faixa conquista aqueles que apreciam o bom e velho prog, mas não é uma faixa simples para ouvir como pano de fundo, é preciso prestar atenção nos vocais que nos hipnotizam e nos riffs que querem ensinar algo.
“Accelerator” traz novamente o embalo do Jazz, combinando riffs mais melódicos e simples com uma linha de baixo grave, bateria potente, os clássicos teclados do prog e finalmente, os vocais! A primeira faixa do disco que é cantada, exalando sensualidade e a nostalgia quente de Led Zepplin com Depp Purple! A seguinte, “Turn For The Worst” inicia com os teclados psicodélicos e riffs acústicos, outra faixa perfeita para trilhas sonoras que segue a mesma base das anteriores – mas com tclados em uma pegada Van Halen, você vai ouvir e entender o que estou dizendo.
“The City” volta com a pegada Mike Oldfield, onde a banda usou a formula certa já existente e adicionou seus temperos, muito mais ácidos e saborosos. “Clem’s Cakewalk” entrega outra trilha sonora, de filme mais animados dos anos 80, e claro, com seu toque jazz. Se preparando para o final, “Broken Latin” traz mais peso com riffs de guitarra marcantes, lembrando fases de rock progressivo dos anos 70. É a música que mais gostei pela melodia. A banda criou uma arte significativa, a pura nostalgia, é como se estiveésemos ouvindo um disco de vinil dos anos 70!
O fechamento fica com “Actual Snow”, entrega novamente os vocais e toda energia do rock progressivo, dessa vez rementendo mais ao Rush! Técnica, ousadia, psicodelia e instrumentação de primeira linha! A última faixa do disco que entrega um final que soa como uma explosão de sentimentos, voltando ao tom prog, sem perder a autenticidade grave do projeto Antartica.
É importante notar que Antartica se aventura muito além dos limites do estilo tradicional de progressivo, jazz e etc. O grupo não pisa no freio quando o assunto é criar melodias mais inovadoras e não convencionais. Isso resulta em um som bem executado e fiel às raízes do gênero, mas que oferece grandes surpresas. Para os apreciadores ‘Antartica Live’ é um prato cheio, mantendo-se fiel aos fundamentos do gênero mas também explorando novos territórios sonoros.