Tides Will Turn, direto do Canadá, lança o álbum de estreia homônimo, gravado no lendário Warehouse Studio, em Vancouver. Segundo a nota à imprensa, o disco de 13 faixas explora temas como identidade, responsabilidade, sobrevivência e o desafio de continuar criando arte significativa na vida adulta. O novo álbum chega lapidando um som que mistura diversas referências e traz um som nostálgico, moderno e cheio de peso. Não à toa, esse novo disco é a prova de que a banda encara o rock como laboratório: energia crua, sujeira bem-vinda e uma boa dose de cinismo embalada em riffs e dinâmicas que soam contemporâneas, mas também reverenciam o passado.
O disco começa com “Lifetime Ago Go”, a porta de entrada perfeita para esse universo. A voz de Matt Chevy denomina de imediato, aliada ao baixo pulsante de Paul Matthew Hudson que guia a batida, enquanto a bateria de Eric Lightfoot e riffs do guitarrista Ethan Janky se entrelaçam em harmonia. A execução vocal de Matt é tão marcante que é capaz de flutuar entre o delicado e o provocativo. É uma abertura que, sem pedir licença, estabelece o tom do álbum: envolvente e cheio de groove. Há muita inspiração de bandas dos anos 80 e 90 como The Clash, Nirvana, Queens of the Stone Age e mais.
Em seguida, “American Sole” chega como um hit do disco, e traz uma batida mais cadenciada, mas sem perder o groove. É uma faixa que aposta riffs fortes e uma linha de baixo simples mas muito presente, quase hipnótica, ideal para balançar e deixar a melodia te conduzir. Uma faixa que cresce exponencialmente e traz o público para essa expectativa.
“Life and Death” com uma percussão marcada e uma guitarra simples mas muito bem posicionada, forte e precisa. Aqui, Matt abusa do que chamamos de refrão hit, a canção tem levada e um refrão totalmente cativante. É uma faixa que tem um potencial tremendo, inspirada em nomes como The Clash e nomes punks da época.
Na canção “Port Home”, a banda buscou um pop rock mais imersivo e lisérgico, entregando uma sonoridade mais minimalista e introspectiva. A produção aqui é mais comercia, criando uma canção de facil absorção do público mais pop. É uma faixa que exala sutileza e, ao mesmo tempo, densidade. Segundo a banda,o disco não segue tendências. “Focamos em criar um álbum coeso, construído em torno de composições fortes, energia de performance ao vivo e histórias inspiradas em experiências reais”.
“American Dream” combina riffs mais melódicos e simples com uma linha de baixo grave, mesclando o rock mais comercial dos anos 90. A voz de Matt brinca com os elementos de grunge melancólico que fica em nossa mente – é a canção mais penetrante e nos faz refletir. “Never Gonna Win” volta com uma energia renovada, numa pegada mais R.E.M., onde os elementos de acústico ganham protagonismo. A batida suave com os vocais sentimentais criam uma sensação de liberdade, uma faixa que é pura nostalgia e liberdade. Lembrando por vezes as bandas já citadas.
“The Shining” nos transporta para o deserto, com uma atmosfera angustiante e reflexiva, com linhas melódicas, e vocais de arrepiar, a faixa que mais se aproxima do southern rock, que quase podemos ver o sol poente em tons laranja enquanto a melodia se estende no horizonte. “Hearts On Fire” nos engana com introdução que nos faz pensar ser a balada do disco, tanto pelo nome quanto pela melodia, então somos surpreendidos com o peso do rock explorando som mais soturno, onde os vocais mais agressivos se destacam de forma poderosa. O artista dá um passo criativo e experimental aqui, criando um equilíbrio fascinante, totalmente inspirados em Sex Pistols ou PIL.
Seguindo com “Make It Go”, inicia com rffs acústico, outra faixa perfeita para trilhas sonoras que segue a mesma base das anteriores. “Screaming Hill” mantém o mesmo clima do grunge, sem grandes inovações, o artista usou a formula certo já existente e adicionou seus temperos. Se preparando para o final, “Fire Away” traz mais peso com riffs de guitarra marcantes, lembrando fases de rock alternativo dos anos 2000. É a música que mais gostei pela melodia. Exatamente como a banda disse: “disco explora temas como identidade, responsabilidade, sobrevivência e o desafio de continuar criando arte significativa na vida adulta”.
O álbum fecha com “Dancing In The Dark” criando uma atmosfera melancólica perfeita que encerra o álbum com um toque soturno e conclusivo. É o fechamento ideal, carregado de presença e cheio de estilo, deixando uma impressão duradoura desse conjunto único de músicas que é o disco de estreia do Tider Will Turn. Sem muita inovação, a banda entrega um ótimo trabalho inspirado em uma das melhoras era do rock’n’roll.